sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Petirinhas: Um Novo Projeto


PETIRINHAS: ONDE LUCY, BEBEL, KIRA E MILU SÃO AS ESTRELAS
Para acessar as tirinhas, entre na
página do Facebook


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Não foi a zero, mas faz de conta que foi


Umas três noites atrás, eu estava naquela fase da tentativa de dormir em que a cabeça viaja por vários asssuntos. Primeiro me veio o diálogo curto à mente: "A vida é cheia de incertezas" e alguém replicaria com um, "Será?". Pensei em apenas escrever isso no Facebook, como geralmente faço. Mas, um pensamento me perturbava já há um tempo: qualquer um consegue fazer uma tirinha. Seja com bonecos-palito, seja usando o paint, ou de alguma outra forma qualquer que não implique necessariamente grandes conhecimentos de desenhos. O que importa mesmo é o texto. Vou ser sincero, já vi tirinhas com um capricho enorme nos desenhos e que, no entanto, as piadas ou frases de efeito, não tinham a menor graça. E, bom, fazer graça é bem mais simples do que desenhar.

Foi quando uma ideia passou como um relâmpago pela minha cabeça: e se eu usasse as centenas de fotos (talvez milhares) que já tirei das meninas (e agora com um menino), Lucy, Bebel, Kira e Milu? Sim, meus bichinhos de estimação. A ideia veio e eu estava já com sono, quase dormindo. Pensei, ah, mas não vou levantar mesmo. Isso vai ter de esperar até amanhã e sim, vou usar aquele pequeno diálogo que imaginei a pouco. Só espero que eu não esqueça tudo ao acordar.

Por pouco não esqueci. Abri o Photoshop, escolhi algumas fotos e decidi que ia fazer a minha primeira tirinha. Deixo aqui um adendo, já fiz tirinhas antes. Porém, como não desenho nada, eu apenas escrevia o argumento e alguém desenhava. Acho que fiz isso com umas duas ou três pessoas diferentes, mas os projetos nunca foram pra frente, justamente por eu depender de uma segunda pessoa, que tinha seus próprios projetos. Eu precisava fazer uma tirinha em que eu dependesse só de mim. Então, com meus parcos conhecimentos de Photoshop, fiz a primeira, com o diálogo que imaginei, pouco antes de dormir:


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A primeira que realmente foi a primeira


Publiquei-a na minha página pessoal do Facebook, como faço com praticamente tudo que invento: frases, contos, histórias da minha vida. Como as pessoas gostaram, fui fazendo outras mais, ainda neste estilo tosquinho, pois eu realmente não sou bom com o programa. Quando fiz o terceiro, meu irmão, Luciano, que é profissional na área photoshopesca, pegou esta nova que eu tinha feito e me enviou pelo chat do facebook arte-finalizada, mais parecida mesmo com uma tirinha, com o único diferencial de ser feita com fotos, uma fotonovela em tirinhas.

Fiquei muito empolgado com o que ele havia feito, mas, ao mesmo tempo, desanimado. Ele não ia poder ficar arte-finalizando e eu nem pedi isso. Eu teria de continuar fazendo toscamente mesmo. Como ele estava para aparecer por aqui , ele disse que ia me dar as dicas de como fazer para ficar daquele jeito. Já pensei em como ele ia me esganar quando eu não conseguisse entender nada.

Ele veio e fizemos uma tirinha-teste de apenas um quadrinho que se tornou a que abre esta matéria. Com mais algumas dicas deixamos uma base para as próximas. Abaixo coloco a que ele arte-finalizou, antes de me ensinar os truques necessários para fazer sozinho:


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A primeira com cara de tirinha


Esse é um projeto de satisfação pessoal, para me divertir. Já fiz umas sete tirinhas, e não sei qual será minha periodicidade daqui pra frente. Seja lá qual for, ao menos poderei dizer que já tive a minha própria tirinha: as Petirinhas! Abaixo, a minha primeira feita sem ajuda. Espero que gostem, para mais é só acessar a página no Facebook, se curtirem o tema, claro.


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A primeira com cara de tirinha, por mim mesmo


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Camelot 3000 - 3a Versão dos Scans


CAMELOT 3000 - 3a. VERSÃO DOS SCANS
Em comemoração dos 30 Anos da sua Publicação no Brasil
Scans dedicados á minha amiga Nayane R.


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Para baixar, clique AQUI


Em agosto desse ano, Camelot 3000 completará 30 anos da publicação de seu primeiro capítulo, aqui no Brasil. Isso aconteceu na revista Batman #2, da Editora Abril. Além de ser a nova detentora dos direitos dos personagens da DC Comics, a editora, já no segundo número do herói mais popular da casa, lança o início desta saga que marcou minha vida como leitor de quadrinhos. Eu tinha meus 15 anos completos, na época. Desde os 11 anos ja tinha responsabilidades de adulto, mas aos 15 ainda era uma criança. Talvez as histórias mais adultas que tenha lido até então devem ter sido as de Conan, o Bárbaro. Mesmo assim, nada havia me preparado para Camelot 3000. Apesar de ser, basicamente uma história de super-heróis vestida das lendas de Rei Arthur, ainda assim havia coisas ali que eu não esperava encontrar num gibi formatinho, como um cavaleiro transexual e cenas de lesbianismo subentendidas. Eram subentendidas porque, como eu soube anos depois, a editora Abril cortou cenas e editou páginas inteiras. Ma o subtexto estava lá, qualquer um entendia o que estava acontecendo naquela bodega!

Somente neste encadernado que aqui se encontra - o terceiro com a série compilada - é que fui entender porque esta HQ era tão avançada para os quadrinhos de super-heróis da época. Uma introdução do autor, Mike W. Barr esmiuça tudo que aconteceu até ela estar pronta e uma das coisas que ele deixa claro é que Camelot 3000 foi vendida pelo mercado direto - as comic shops, que começavam a nascer - e sem o selo do Comics Code Authority, que tanto limitava a imaginação dos criadores.

Porém, aqui no Brasil, ela saiu nas bancas, dentro da revista Batman e, em seguida, na Superamigos. Tínhamos assim, lesbianismo e aventuras do Homem-Morcego, na mesma edição. Mas, a HQ não me marcou apenas porque um dos cavaleiros da Távola Redonda reencarnava em um corpo de mulher, ou porque mostrava o Rei Arthur matando bebês (não lembro se editaram isso), entre tantas outras coisas. Me marcou porque era muito bem escrita e desenhada. A partir dali eu nunca esqueceria o nome Brian Bolland.

A ação era quase ininterrupta, intercalada por momentos tensos ou singelos, como a busca pela Santo Graal, esta feita em um único capítulo. Os personagens são cativantes e o leitor é colocado no meio da ação, na pele do jovem Tom Prentice, que vive os dramas e, assim como nós, quer que as coisas terminem do melhor modo possível. Mas, nem sempre é assim.

Desde Merlin, passando por Arthur até Morgana Le Fay e Mordred, os personagens são pura força, honra ou maldade. A invasão alienígena a qual o Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda voltam à vida para dizimar, é o pretexto perfeito para que uma aventura grandiosa se descortine diante de nossos olhos.

Eu posso estar errado mas, a meu ver, Camelot 3000, com sua ousadia que seria testada apenas no mercado direto, em edições limitadas, foi a porta de entrada, o teste final, para saber se o público estava preparado para o que veio depois, como Batman: O Cavaleiro das Trevas, Batman: A Piada Mortal, Watchmen e etc. Iniciada em 1982, só terminou em 1985, devido a atrasos constantes. Mas, mostrou que quadrinhos podiam ser adultos, tanto quanto o eram há muito tempo as HQs européias.

Camelot 3000 também foi importante para o Rapadura Açucarada. Foi a primeira HQ de peso a ser escaneada nos primórdios do blog. Consegui a série encadernada em três volumes, em formatinho ainda. Apenas em 2005 ela seria publicada, sem cortes, num encadernado único, pela editora Mythos. E, em 2010, pela editora Panini, em papel couché, com a introdução de Mike W. Barr e alguns extras, que é a edição aqui em questão.

Por ser tão importante para mim, não poderia deixar de digitalizar uma terceira vez, para melhorar a qualidade. Muito mais do que Watchmen, muito mais do que Planetary, Camelot 3000 é minha HQ preferida de todos os tempos. E não se trata dela ser melhor ou não do que as que citei. É simplesmente pelo fato de que ela foi a HQ que estava lá, quando eu deixava de ser criança, para me tornar um homem. E, era como se os quadrinhos estivessem fazendo essa transição junto comigo. Eu deixava de ser apenas um escudeiro, para me tornar um cavaleiro.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

EnxutoCast O PodCast do Baile dos Enxutos


ENXUTOCAST SOBRE SCANS E COMO ISSO COMEÇOU NO RA
Além de algumas opiniões sobre o futuro dos quadrinhos


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Para ouvir ou baixar, e só ACESSAR


Eu achava que o Rapadura Açucarada tinha o nome mais "nadavê' com quadrinhos, para um blog/site relacionado a HQs, até conhecer o Baile dos Enxutos. Fui convidado pelo pessoal do site, especializado em notícias de quadrinhos e cinema para gravar o podcast em questão, falando sobre os scans, como comecei e tudo o mais. Após um tempo com meu blá blá blá sobre as origens dos scans no Rapadura Açucarada, o papo se voltou para o futuro dos quadrinhos e a coisa descentraliza de mim, e fica mais interessante. Os quadrinhos oficialmente digitais tomarão o lugar dos quadrinhos impressos? Os dois conviverão juntos e em paz ou será que o quadrinho em papel se tornará um ítem apenas para colecionadores saudosistas como o vinil? Gostei bem mais desse desdobramento do assunto, principalmente porque ção tive de ficar ouvindo minha voz.

Porém, uma das perguntas que me fizeram, acho que não cobsegui responder de maneira adequeda. E foi a seguinte:


"POR QUE DIABOS VOCÊ ESCANEIA, EUDES?!"

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Escaneio, logo insisto


Parece uma pergunta simples, mas ela é complexa. Afinal, muitos podem achar que seria uma cruzada pseudo-revolucionária contra o capitalismo e os altos preçps dos quadrinhos. Não, nunca teve nada a ver com isso. Se o quadrinho é caro demais para você, simplesmente não compre. É o que eu sempre fiz. Nem eu mesmo sabia porque eu comecei a fazer isso. No começo parecia apenas uma coisa para preencher o tempo fazendo algo que eu gostava. Algo em que eu, finalmente, era bom. Quer dizer, bom em termos.

A verdade é que eu não tinha grande utilidade para a internet, a não ser ficar em grupos de discussão da UOL matando o tempo, mais ou menos como se faz hoje com o Facebook. Nem mesmo havia como baixar filmes nessa época e música acho que baixei todas que eu gostava e me desfiz delas. A internet era um grande vazio pra mim. Eu apenas não me dava conta totalmente disso. Os scans me deram um uso para a web, no meu caso.

Eu sempre fui uma pessoa que gostava de compartilhar tudo de bom que eu apreciasse. Acho que todos temos isso em menor ou maior grau. Se você vê um filme que gostou muito, você logo conta a outra pessoa sobre ele, ou até mesmo o aluga (hoje em dia "aluga") e insiste para que algum amigo ou parente o veja, também. A mesma coisa com músicas, livros e gibis. Com exceção dos quadrinhos, para todos os outros já havia uma cultura de compartilhamento bem estabelecida. Mesmo assim, não foi por isso que eu comecei.

Sempre gostei de quadrinhos, desde que me conheço por gente. Poder transformá-los em dados digitalizados e "trocar" através de computadores, compartilhando com amigos - e até inimigos - era algo que eu nunca imaginaria fazer. Quando tive a chance, não parei para pensar em um motivo específico, apenas fiz. Então, eu escaneio porque eu acho extremamente divertido, apesar de todo o trablho que dá, de ter de detonar uma HQ encadernada, se eu quiser que o scan saia realmente bom. Apesar de eu já ter feito algunas scans até mesmo três vezes, devido a perda de qualidade por causa das novas tecnologias. E, sim, mesmo não ganhando um único centavo com isso. Na verdade, "perdendo", já que compro cada HQ escaneada. Mas, não reclamo. Compro quantas vezes eu achar necessário.

Não ganhei um centavo, mas ganhei muitos amigos - e inimigos (tá, parei!) - e isso não tem preço, como diz aquele comercial lá. O fato é que sempre fui frustrado por não ter nenhum grande talento. Sempre achei que passaria essa minha vida em branco. Trabalhei em coisas com as quais não se precisa de nenhuma grande habilidade e não, não me formei em nada. Já os scans me deram muita coisa, sendo que uma delas está para chegar, se tudo der certo, e falo dela pela primeira vez em público, no podcast do Baile dos Enxutos. Isso mesmo, terá de escutar para saber o que é.

Então eu escaneio porque isso me dá motivação. Se tivesse que parar hoje, tudo bem, já segui por uma estrada bem longa e fiz bastante coisa. Mas escanear me motivou a voltar a ler quadrinhos como antes; a comprar da mesma forma; me motivou a conhecer novos-velhos autores; me fez sair de casa para procurar sebos e comic shops; e, mesmo quando eu parei, eles me motivaram a continuar com o blog.

Afinal, foi graças aos scans que o Rapadura Açucarada se firmou, e não foi para o cemitério dos blogs. Sem os scans, por um tempo, eu descobri que gostava mesmo de escrever,que eu também podia criar e não apenas copiar. Não importa se eu nunca for um grande escritor, pois a satisfação de descobrir a mim mesmo vale mais que qualquer fama e até mesmo dinheiro.

Assim, essa pergunta teve de ser respondida com o passar do tempo: eu escaneio, porque os quadrinhos fazem parte da pessoa que eu sou, que eu fui, e que sempre serei. E compartilhar é o meu vício.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Preacher: Volume 2


PREACHER: VOLUME 2 - ATÉ O FIM DO MUNDO
Scans 2.0 das edições #08 a #17


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Prosseguem as aventuras de Jesse Custer, Tulipa e Cassidy no encalço de Deus. Quando estão quase se acertando, Jesse e Tulipa são raptados pelos capangas da bizarra e vingativa avó do pastor. É então que ficamos sabendo como tudo realmente começou. Como os pais de Jesse se conheceram, seu nascimento e como sua avó o fez tornar-se um homem de Deus. Sempre tentando fugir de seu destino, Jesse acaba envolvendo Tulipa nas tramas de sua avó enlouquecida.

Em seguida é a vez de conhecermos o Graal, uma organização que quer trazer o Messias paara governar o mundo, como foi há muito profetizado. Herr Starr acha que os planos do Graal não condizem com a realidade e decide que ele levará seu próprio Messias para o trono: Jesse Custer. Porém, no meio do caminho temos Jesus de Sade, o homem que organiza as maiores e mais depravadas orgias, e ele depende de uma quantidade de heroína que a falecida namorada de Cassidy iria fornecer. Tanto o Graal, como Jesse Custer e Jesus de Sade estão prestes a se conhecer... em uma orgia de sangue.

Garth Ennis e Steve Dillon não têm limites para o que pode acontecer em Preacher. Praticamente qualquer coisa é possível e imaginável, até mesmo o inimaginável. Deus pode estar ali, virando a esquina e Ele não quer ser pego. Amém.

Para baixar o volume 01, clique AQUI


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Transmetropolitan - Volume 01


TRANSMETROPOLITAN - VOLUME 01
Scans by Onomatopéia D./Rapadura A.

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Só vim a saber quem era Warren Ellis quando li The Authority e Planetary. Até então ele era um ilustre desconhecido, para mim. Pelas HQs citadas pude ver que seu estilo era violento e, ao mesmo tempo, muito inteligente.Também havia um sarcasmo inerente aos dois títulos que vinha direto da personalidade do autor. Planetary se tornou um dos meus quadrinhos favoritos. The Authority só prestou enquanto ele e, depois, Mark Millar escreveram.

Somente tempos depois descobri Transmetropolitan. Pude perceber que o personagem, Spider Jerusalem, já era bem venerado pelos fãs dos quadrinhos Vertigo. Tentei ler, mas a publicação aqui era pela péssima Braisntore. Mesmo em scans, a coisa não era muito constante, então desisti. Com a Vertigo nas mãos da Panini, um dos grandes milagres editoriais que se esperava aconteceu: o título começou a ser publicado, mesmo que vagarosamente, em encadernados de capa dura. Somente então, comecei a ler Transmetropolitan de verdade.

Para quem - ainda - não conhece: Spider é um jornalista que vive em um futuro distante. Se auto-exilou por cinco anos, vivendo como um eremita, até que é convocado pelo seu editor para escrever um dos livros pelo qual foi pago. Desesperado com as consequências do não cumprimento do contrato, Spider desce de sua montanha e vai para a cidade tentar arranjar um emprego, conseguir moradia e assim começar a escrever o maldito livro.

De volta ao mundo que preferia evitar, Spider aponta sua máquina de escrever para uma rebelião de pessoas conhecidas como transientes, gente que quer ser aceita como é, metade humano, metade alienígena. Pressentindo que as coisas podem sair do controle, Spider não pode fazer muita coisa a nço ser o que ele sabe fazer de melhor, ser um jornalista. Estando no olho do furacão, Spider sente que está de volta a ativa e agora é pra valer.


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Grandes Astros Superman


GRANDES ASTROS SUPERMAN - ENCADERNADO
Scans by Rapadura Açucarada/Onomatopéia Digital


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Superman (ou Super-Homem, como eu o conheci) é o primeiro dos super-heróis, o pai de todos, o fura-bolo, cata-piolho e tudo mais. Enfim, aquele que deu origem ao panteão de deuses multicoloridos que temos hoje. Como o próprio Morrison deixa claro na edição 10 de All Stars Superman, ele é aquele que mudou tudo. Com mais de 75 anos nas costas, fica meio óbvio que fazer algo de novo com o personagem é quase impossível. No entanto, essa não é uma boa desculpa para a avalanche de histórias ruins que o Homem de Aço coleciona em sua duradoura vida.

Outro fator para que Superman tenha tantas histórias sem nenhum apelo, é que ele é o cara bonzinho, o herói perfeito, sem mácula, sem paranóias. Gerado por um casal de cientistas, e criado por um casal de humanos bondosos, não poderia ser diferente. O Superman é tudo aquilo que o ser humano almeja ser. Heróis mais sombrios, como Batman, por exemplo, rendem histórias mais intensas e mais envolventes até. Daí que o desafio do roteirista de Superman é quase sempre ter de reinventar o personagem para que sua história faça alguma diferença. Foi o que Grant Morrison fez nesta minissérie.

No documentário Grant Morrison - Talking With Gods, Mark Waid conta que os dois estavam na rua, quando viram um cara vestido de Superman, sentado na pose que deu origem a esta capa acima. Não satisfeitos em apenas observar o homem fantasiado, foram até ele e começaram a perguntar como era ser um super-herói. Waid disse que ele respondia de forma séria, sem pestanejar, falando como se ele realmente fosse Kal-El. Este foi o sinal que Morrison precisava para escrever Grandes Astros Superman.

A HQ já está entre aquelas que marcaram para sempre todos os fãs - e até alguns não tão fãs - do super-herói mais emblemático de todos os tempos. Em Grandes Astros, Morrison e o artista Frank Quitely dão vida a um Superman que é o mesmo que conhecemos desde sempre e ao mesmo tempo é outro, totalmente diferente. E Morrison não quer deixar as coisas fáceis para o leitor, ele já começa dando um ultimato: Superman vai morrer.

Assim sendo, todas as 12 edições são releituras dentro de uma releitura. Seja do romance eterno dele com Lois Lane, da inimizade eterna com Lex Luthor, seja de sua relação com seus pais terrestres e até mesmo seu encontro com suas versões bizarras. Na edição 10 temos uma surpresa aos nos descobrirmos dentro da HQ, mas para saber como, só mesmo lendo e prestando atenção. Acabamos descobrindo que, para Morrison, o Superman é bem mais do que um super-herói.

Para complementar o post, segue abaixo o documentário Grant Morrison: Talking With Gods:


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Este é o primeiro documentário em longa metragem sobre o misterioso e icônico Grant Morrison, um dos escritores de quadrinhos mais aclamados pela crítica, e um dos autores mais vendidos da história da indústria, conhecido por trabalhos inovadores e contraculturais como Os Invisíveis, e reinvenções audaciosas de super-herois como Grandes Astros Superman, Homem Animal, Patrulha do Destino, Liga da Justiça e Batman.

O filme examina os 30 anos da carreira de Morrison, e os momentos de sua vida que inspiraram suas histórias. Através de longas entrevistas o próprio Morrison fala de seus primeiros anos na Escócia, do início de sua carreira nos quadrinhos, dos loucos anos 90, quando sua vida se misturou com a de seus quadrinhos, e de suas recentes tentativas de transformar seus problemas pessoais e a escuridão social em quadrinhos pertinentes.

O documentário ainda revela detalhes de seu processo criativo, incluindo um vislumbre de seus cadernos de anotações. A lista de entrevistados também inclui alguns dos criadores de quadrinhos mais populares e influentes como: Warren Ellis (The Authority), Geoff Johns (Lanterna Verde), Frank Quitely (Novos X-Men), Dan DiDio (Vice Presidente Sênior, e Diretor Executivo do Universo DC), Frazer Irving (Homem de Ferro), Phil Jimenez (Homem-Aranha), Cameron Stewart (Mulher Gato), Jill Thompson (Sandman), Mark Waid (The Flash). "Eu vivi tudo aquilo.

Eu me tornei o personagem. Ia aos mesmos lugares que ele, praticava seus rituais, me envolvia com os deuses, e punha tudo nos quadrinhos. Isto me deixou à beira da morte." - Grant Morrison.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Hard Boiled: À Queima-Roupa


HARD BOILED: À QUEIMA-ROUPA - FRANK MILLER
Scans 2.0 by Onomatopéia/Rapadura


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Frank Miller já nos deu muitas alegrias em termos da Nona Arte. Fica difícil imaginar que seja a mesma pessoa de hoje em dia. Eu o conheci como a maioria daqueles da minha idade o conheceu: nas páginas das HQs da RGE e Editora Abril. Ou seja, não sabíamos quem era Frank Miller. Até o dia em que o Demolidor entrou em seu caminho. O Homem Sem Medo catapultou o senhor Miller para o estrelato.

A partir daí, a DC Comics também queria um pedaço do cara e o contratou para escrever uma das HQs mais importantes do Homem Morcego: Batman: O Cavaleiro das Trevas. E não parou aí. Juntamente com David Mazzuchelli revitalizou o mesmo personagem em Batman Ano Um. E o homem não parava. Voltando à casa de origem, retornou a Demolidor também mexendo em sua origem e depois nos deu a clássica Queda de Murdock, novamente com Mazzuchelli.

O homem tinha o mundo dos quadrinhos a seus pés. Logo estava trabalhando em projetos autorais como Martha Washington, Bad Boy, Sin City e este Hard Boiled: À Queima-Roupa, junto a Geof Darrow com quem dividiu os créditos dessa ficção científica ultra violenta. Darrow viria a ficar conhecido por seu trabalho no design do filme Matrix e se tornaria também um nome recorrente na indústria dos quadrinhos. Seu detalhismo impressiona.

Entre erros e acertos Frank Miller ia deixando de lado a fama de um dos grandes dos quadrinhos para trás. Com 300 de Esparta ainda manteve o brilho de outrora, mas com Batman: Cavaleiro das Trevas 2, a queda tivera início. Voltou a se animar com o cinema - depois do roteiro para Robocop 2 - quando Sin City foi adaptada para as telas. Mas, meteu os pés pelas mãos quando cismou de dirigir uma adaptação de Spirit, o personagem de Will Eisner, que não estava mais vivo para ver o fiasco.

Enquanto o homem não ressurge, vamos relembrando obras como Hard Boiled, e seu protagonista Nixon (ou Carl Seltz) que vai descobrindo que sua violenta vida não é bem aquilo que ele pensa. A HQ bem poderia ser uma espécie de começo da dominação pela SkyNet, onde as primeiras tentativas de rebelião são feitas. O próprio Miller escreveu uma minissérie chamada Exterminador do Futuro X Robocop. Claro, Hard Boiled não tem nenhuma ligação, mas, lendo e analisando os acontecimentos, parece que estamos vendo as sementes de um futuro dominado pelas máquinas sendo plantadas.

Quanto a Frank Miller é esperar que ele volte a nos brindar com obras que façam jus ao seu nome. Afinal quem reinventa personagens, também pode se reinventar.


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