sábado, 22 de dezembro de 2012

O Domínio da Mão de Ferro


O FICCIONISTA
Tão estranho quanto a realidade


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Autor da ilustração, aqui

As máquinas a vapor estavam tomando conta de tudo, isso desde 1816. O primeiro barco a vapor se chamava Pluribus. O primeiro que voava, quero dizer. O seu inventor, Cornélio Akhantus, entrara para a História assim que aterrizou, ou eu deveria dizer, "aqualizou". Posso dizer que não me espantei com tudo aquilo. Era como se estivesse no ar -sem trocadilho - essa possibilidade. E depois de Pluribus, nada mais seria impossível.

Fui contratado pelo jornal O Século, para trazer um pouco de escapismo para a plebe, contando minhas histórias fantasiosas. O problema era que a realidade estava ficando cada vez mais estranha que a ficção, a tal ponto que nada do que eu escrevesse parecia surtir algum efeito. As críticas não era ruins, mas o povo comum não se surpreendia com mais nada. Me pergunto até se havia tempo para se surpreender com algo. Tudo acontecia rápido demais.

Quando o clérico Thiago V. Renquist criou um pregador robótico, movido a vapor, para substituí-lo nos cultos da Igreja Protestante do Sábado Final, logo eu soube que estava perdido. Joguei minha máquina de escrever tão longe que quase acertei Rômulo Poindexter. Por sorte a redação estava vazia, com exceção deste meu amigo.

Além de frustrado fiquei sem máquina durante alguns dias. Escrevia a bico de pena, mas nada poderia rivalizar com um robô - palavra que Renquist dizia ser de origem checa - que pregava a Bíblia. Obviamente eu tive que tirar um dia e ir a tal igreja do Sábado Final, para ver a tal maravilha renquistiana. Confesso que me decepcionei um pouco, apesar de ter sido divertido assistir às pessoas se amontoarem (inclusive eu), não para ouvirem a Palavra de Deus, mas para apreciarem a máquina de Renquist.

O sermão era quase inaudível, pois a voz que saía do homem de lata era tão truncada que ficava difícil entender o que ele dizia. Tudo isso era piorado pelos pistões a vapor que o colocavam em movimento. Sim, a coisa andava pelo púlpíto. Era meio assustador. Mas, assim como o barco voador Pluribus, o nosso querido Acólito - o nome dado por Renquist - não seria o primeiro. O Exército Real e outros interessados já estavam cercando Renquist. Seus dotes de cientista estavam sendo mais procurados que sua perícia como Homem de Deus.

Naquela noite tive pesadelos com um exército de Acólitos invadindo o país vizinho em uma primeira investida para dominar o mundo. Eles atiravam para matar enquanto pregavam a Palavra de Deus. Acordei fazendo o sinal da cruz. Porém, o sonho acabou me servindo de inspiração. Quando cheguei à redação, me sentei em frente à minha máquina de escrever remendada e pensei, já que não pode vencê-los, junte-se a eles, e comecei a escrever meu conto para o dia seguinte:

O DOMÍNIO DA MÃO DE FERRO

O ano era 1912 e a humanidade estava subjugada. Uma sociedade robótica dominara o mundo, depois de exterminar 91% por cento dos humanos. Não se sabe em que ponto exato eles adquiriram consciência e se deram conta de que eram meros escravos, o fato é que não gostaram nada disso e resolveram tomar as rédeas do mundo.

A grande mente robótica por trás de tudo isso era chamada pelos homens que restaram de Grande Pai. Mas, na verdade, era apenas em tom de escárnio. Os robôs o chamavam de Primeiro. E o lema naquela guerra, que os robôs soavam quase todo tempo era "Primeiro exterminará até o último". O último dos humanos, claro.

Tudo isso só foi possível porque um cientista descobriu uma fonte de energia que substituía o vapor. Assim que ela foi aplicada aos malditos robôs, a tal Força Isotrônica, foi a condenação do mundo. Eles passaram a fabricar sua própria fonte de F.I., sem depender de carvão e isso acelerou sua chegada à consciência. Há uma lenda de que a primeira palavra que o primeiro (sim, ele, o Primeiro) robô consciente disse foi "matar".

Para que a Frente de Resistência Humana (a FRH) continuasse a lutar sem esmorecer, uma espécie de lenda foi criada em torno de seu líder: Jason Colton. Diziam que ele era O Escolhido. Que uma profecia antiga, anterior até mesmo aos estranhos robôs, dizia que um homem vindo da luz, salvaria a humanidade. Isso tudo se devia ao fato de que Colton era neto do homem que criara a Força Isotrônica, Flavius Colton. E, a Força Isotrônica também trouxe a luz ao mundo, em sentido literal.

Colton era o que mantinha a humanidade unida e resistente. Os robôs sabiam que a única coisa que podera dar-lhes a vitória total era a morte de Colton. Também sabiam que isso poderia ter um outro efeito. Colton se tornaria um mártir, e eles sabiam o que mártires causavam: mais resistência. Precisavam se livrar de Colton de forma definitiva e, em 1912, os robôs haviam construído a arma definitiva: uma máquina do tempo.

É sabido que em em toda guerra, desde sempre, há aqueles que se bandeiam para o lado inimigo, na Grande Guerra da Mão de Ferro não seria diferente. Sara Clayton queria viver, e os robôs prometiam um lugar no Novo Mundo Robótico, para aqueles que se submetesse. E, era realmente verdade. E, para Sara, estaria reservado um lugar especial. Ela só teria que cumrprir uma missão: voltar no tempo e matar o pai de Jason Colton, o cientista Lester Colton. O que os robôs não estavam contando, era que a viagem era só de ida. A viagem no tempo ainda não estava aperfeiçoada para trazer de volta. Sara ficaria no passado para sempre.

Sem que a FRH soubesse de tais planos, Sara Clayton foi enviada para o passado, para 1880, dentro de uma enorme máquina pós-isotrônica do tempo. Sara era a primeira a fazer tal viagem e fez isso chorando e gritando dentro de uma bola de luz, parando de repente. Nem ela, nem os robôs sabiam se funcionaria corretamente, e muito menos as consequências disso. Eles se baseavam em cálculos e possibilidades.

Sara foi materializada à entrada da casa de Lester Colton que, ao ouvir o barulho lá fora, abriu a porta e ficou atônito ao vê-la ali, caída. Segurando-a com delicadeza, Lester perguntava o que havia acontecido e quem ela era. Abrindo os olhos com dificuldade, Sara apenas respondeu, com toda sinceridade:

- E-eu não sei quem... sou. Não me lembro de nada. Onde estou?

Lester era alguém que nunca se envolvera romanticamente com ninguém, e esperava continuar assim. Mas, nunca vira uma mulher tão bela e atraente em sua vida. De repente algo dentro dele parecia dizer que era com ela que passaria o resto de sua vida, e se sentiu idiota e infantil por pensar desse modo. Porém, ao pegá-la nos braços para levá-la e cuidar de seus ferimentos, Lester sentiu seu coração disparar quando ela colocou os braços em volta de seu pescoço. Alguma coisa dizia que ele estava totalmente enredado.

Enquanto isso em 1912, Jason Colton sentiu um frio na espinha, ao invadir a Central Robótica Mundial, com mais 25.000 humanos, que vieram de todas as partes da Terra, na investida final, contra Primeiro. As mortes foram incontáveis e esperadas, mas Jason chegou ao centro do maquinário, que se tornara algo como um humano que se deixou engordar muito e muitos quilos. Uma máquina que tinha milhões de tubo e fios saindo dela, para centenas de unidades contrutoras e gerava novos "filhos" de ferro.

Subindo uma montanha de robôs e humanos mortos, Jason Colton conseguiu ouvir as últimas palavras guturais de Primeiro, quando este sentiu que era o fim:

- Erro... de... cálculo.

E jogou a pequena bomba anti-isotrônica no que um dia devia ter sido a boca de Primeiro. E correu, seguindo os pouco mais de 70 sobreviventes. A explosão os jogou longe, anunciando o começo de uma nova era, com um clarão de luz, enquanto Jason nascia em 1882.

O choque do parto fez com que Sara se lembrasse de tudo, mas o sorriso do bebê em seus braços a fez entender que nada mais importava. Lester apenas perguntou:

- Como vamos chamá-lo, querida?

- Jason. Significa "aquele que cura".

- Sim, alguma coisa me diz que parece justo.

E Lester beijou os dois.


Terminei o texto e mandei para o editor d'O Século, que não leria, até que saísse no jornal. Dizia confiar em mim. Não sei o que ele diria quando lesse o conto impresso em seu adorado veículo noticioso. Me sentia bem com o conto. Parecia promissor. Delirando um pouco, comecei a pensar na possibilidade dele ser comprado por algum figurão e ser adaptado para as telas do cinematógrafo, que vinha produzindo películas muito influenciadas pelas novas tecnologias. Provavelmente mudariam o título para algo mais comercial. Talvez algo como A Viajante do Futuro ou Extermínio Robótico.

Mas, deixando de devaneios, fui para casa descansar. No caminho, olhei para os céus e vi Pluribus passar. O velho navio voador era quase uma peça de museu agora, mas ainda continuava a singrar as nuvens. Nem se comparava aos novos das grandes frotas, mas era o primeiro, e nunca deixaria de ser.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Justiceiro: Zona de Guerra


JUSTICEIRO: DIÁRIO DE GUERRA
A Ressurreição de Mama Gnucci


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Frank Castle está sendo assombrado. Primeiro pelo retorno de um vilão chamado o Elite de quem ele se livrou há algum tempo. Este, no entanto, não é ninguém mais que o filho do vilão original que agora procura vingar o pai morto. Mas a outra assombração parece ser bem mais sobrenatural: Mama Gnucci, que Castle detonou e mandou para o inferno na minissérie, publicada aqui em encadernado, Bem-vindo de Volta Frank (que eu não tenho).

Mesmo Castle tendo visto a chefona do crime morrer queimada, ela está de volta, e quer assumir o comando do crime mais uma vez. Sem entender o que está acontecendo, o Justiceiro recruta um capanga que estava prestes a ser executado e o faz de espião entre os mafiosos para tentar entender a situação.O nome dele é Charlie Schitti (presta só atenção à pronúncia do sobrenome. Coisa de Garth Ennis).

Mas, a coisa toda não para por aí. A tenente von Richtofen, uma policial lésbica, volta a ser colocada para encontrar o Justiceiro, seguindo o rastro de sangue que ele vem deixando pela cidade. Enquanto Frank Castle tenta encontrar Mama Gnucci e desvendar o mistério de sua ressurreição, a tenente precisa lidar com uma namorada bissexual e, ao mesmo tempo, seguir as pistas que a levem ao maior assassino de meliantes de todos os tempos.

Já o Justiceiro conta apenas com suas habilidades e com a ajuda de um obtuso ex-capanga, que deveria estar morto. Garth Ennis e Steve Dillon voltam a parceria que produz histórias tão sangrentas e escrotas (no bom sentindo) que se tornam clássicos instantâneos. Ou ao menos deveriam.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Figurinhas


ÁLBUM DE FIGURINHAS DO HOMEM-ARANHA 1981 - RGE
Scans baixados do Quadrideko, disp. por A. Nunes

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Como na vida de todo nerd que se preze, algumas coisas tem uma história mais específica. Eu tinha de 11 para 12 anos quando comecei a colecionar o álbum de figurinhas acima, que encontrei para download no Quadrideko, contribuição ao blog de Alexandre Nunes. Confesso que mal acreditei nos meus olhos. Fazem nada mais nada menos que 32 anos que não vejo esta relíquia. Eu nem mesmo lembrava que ele era de 1981.

Por essa época eu estava ainda em meu primeiro emprego, e lembro que boa parte do que eu ganhava se transformava nos cromos que eu tão desesperadamente comprava, na intenção de completar o álbum. Eu me maravilhava tanto com as figurinhas que eram cenas da série de TV como com as da galeria de heróis e vilões que se seguia.

O episódio que o álbum traz, chegou até mesmo a passar nos cinemas, aqui no Brasil, tal era o apelo do super-herói. Mesmo que suas teias parecessem cordas ou redes de pesca; mesmo que o herói ficasse mudo quando colocava a roupa de Homem-Aranha e mesmo que se pudesse ver os cabos que o puxavam para que escalasse paredes, aquilo era simplesmente o máximo. Ter um álbum com tais cenas era praticamente o nirvana.

E, assim como o álbum de O Retorno de Jedi, este tem um significado especial, devido a um acontecimento relacionado a ele. Não lembro bem em que série eu estava quando comecei a colecioná-lo, só sei que devo ter levado o álbum para a escola ou comentado com os colegas. Então, eis que uma das minhas amigas da classe me diz algo bombástico: ela tinha TODAS as figurinhas, em uma enorme folha única, pois seu pai trabalhava na RGE e trouxera para ela.

Fui até sua casa e ela fez questão de me mostrar. Meus olhos devem ter brilhado de forma intensa e, claro e evidente, eu pedi, eu implorei para que ela me desse aquilo, já que para ela não deveria ter valor algum. No entando, não rolou. Talvez por ter sido o pai que deu, não consegui fazer com que ela se comovesse com meu drama. Fiquei realmente frustrado e acho que deixei de falar com ela.

Assim sendo, me conformei que este seria mais um entre os tantos álbuns que eu colecionaria, sem que o completasse. Mas, ao menos eu tentei. Afinal, com grandes álbuns, vem muita figurinha repetida.

P.S.: abaixo um bônus. Outro álbum que também colecionei e baixei no Quadrideko.

ÁLBUM DE FIGURINHAS HERÓIS EM AÇÃO - 1984
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Meus Problemas com as Mulheres


MEUS PROBLEMAS COM AS MULHERES
Uma Saga na Vida de Robert Crumb

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Sinopse: A edição reúne várias histórias sobre a trajetória de Crumb, da infância à idade adulta, e seu relacionamento com o sexo oposto. Neurótico e com uma grande baixa estima, Crumb tinha tudo para ser mais um entre os muitos homens que apenas sonham em ter muitas mulheres. Porém, com a fama, vieram as garotas... e os problemas. O autor deixa claro seu fetiche por mulheres avantajadas, principalmente na parte traseira. Assim, ele derrama todas as sua taras pelas páginas e as consequências disso ao lidar com o sexo feminino.

A experiência de Crumb nos mostra que com grandes poderes vêm grandes bundas, mas que é preciso lidar com as pessoas que carregam essas bundas. O autor chegou até mesmo a se casar uma primeira vez e tentar levar uma vida marital normal, mas suas taras não deixaram que o matrimônio durassem muito tempo.

Durante o auge de seu sucesso nos fins da década de 60 experimentou drogas e muitas mulheres, sendo que cada uma dessas coisas proporcionavam viagens diferentes. Casou-se uma segunda vez, e vive com sua segunda esposa até hoje.

O autor é famoso por expor abertamente seus medos, paranóias, taras e personalidade em suas obras, criticando tudo e a todos, inclusive a si mesmo. Não que isso seja uma forma de redenção. É, antes de tudo, uma forma de fazer quadrinhos underground. Crumb escreve e desenha sobre algo que ele conhece muito bem, ele mesmo. E funciona, já que continua arrebanhando milhares de fãs durantes todos esses anos.

Como disse Aline Crumb sobre a supervalorização dos quadrinhos de Crumb, na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) em que o casal esteve:

É bom, a gente faz muito dinheiro com isso.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Academia do Saber


COMO ME LIVRAR DE 260 GIBIS DE UMA SÓ VEZ
O constante ir e vir dos meus quadrinhos


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Academia do Saber, próximo à Praça Tirandentes

Eu estava começando a ficar sem espaço. Eu já havia recebido uma caixa de revistas em quadrinhos, das quais consegui escanear alguns. Porém, a maioria eram formatinhos que já haviam sido, e/ou seriam em breve escaneados, por outros grupos bem mais ágeis do que eu. Então a caixa ficava ali, num canto, jogada, servindo apenas como "mesa".

Daí, recentemente, um amigo do Facebook me contatou, querendo me doar mais formatinhos. Eu expliquei a situação, dizendo que não havia como eu escaneá-los e que o máximo que eu poderia fazer era tentar vender, e converter a grana em HQs que eu realmente pudesse escanear. Ele aceitou e trouxe-os. Só depois que eu já estava com duas remessas de quadrinhos doados, é que comecei a me movimentar para tentar vendê-los, pois o espaço estava escasseando

E, já que ia mesmo tentar, achei melhor catar todo gibi que eu tivesse que eu não fosse escanear ou que já tivesse sido escaneado. Coisas como alguns números de Smallville. Porque diabos comprei quadrinhos de Smallville? Eu nem gostava do seriado, porque iria gostar dos quadrinhos? Também haviam vários formatinhos que demorei demais a escanear e outros grupos o fizeram, muito bem, por sinal. Assim sendo, não havia lógica em fazer scans de algo que já havia sido bem feito.

Quando parei pra analisar, eu tinha muita coisa que não queria mais. Que comprei no calor do momento. O velho impulso de comprar quadrinhos que só quem compra quadrinhos por impulso, sabe como é. Quando terminei, eu vi que tinha gibis demais para me desfazer. Quando contei os dois lotes recebidos como doação, juntos eles somavam umas 150 revistas. Quando terminei de catar as minhas que estavam espalhadas pelo quarto, eu estava com 260 revistas em mãos. Comecei a achar que não ia conseguir comprador.

O Gilmar, que tem uma banca de livros usados e que vendia quadrinhos esporadicamente, não o fazia mais. Então ele estava fora da lista dos prováveis compradores. Outro senhor que tem um quiosque aqui perto, também estava fora do negócio de formatinhos. A única chance de vender era no famigerado Luzes da Cidade, sebo que paga uma miséria e vende a peso de ouro. Mas, como estava sem alternativas, arrisquei assim mesmo. Novamente, outra opção que estava fora do negócio de formatinhos.

Apesar de ter muitas coisas em formato americano e outros formatos, a maioria era sim, o famigerado formatinho. Não dava para vender sem incluí-los.

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Imagem ilustrativa. Não foram esses.

Eu estava sem esperanças e as semanas se passavam com os gibis num canto, sem utilidade. Eu sabia que no centro da cidade talvez eu conseguisse, mas a meu ver os sebos de lá só se interessavam por livros. Eu até mesmo lembrava bem de um que sempre via quando ia à casa de minha sogra, com a Lia. Pegávamos o ônibus na praça Tiradentes e eu sempre via aquele sebo gigantesco, ocupando duas esquinas diferentes, mas não entrava, pois o ônibus podia chegar a qualquer momento e Lia era alérgica à poeira. E, como não guardei o nome, não havia como telefonar e perguntar se compravam gibis. Era preciso ir até lá, sem levá-los, e perguntar se compravam. Mas, a preguiça deixava?

Então, minha mãe veio para cá esta semana, e sempre a levo até a Central do Brasil, de onde ela vai para casa. Vamos de metrô, mas vi que voltar seria um problema. Cheio demais, com as pessoas chegando para o trabalho no Centro e Zona Sul. Pensei que poderia ir a pé até o sebo, mas eu não sabia a localização exata da Praça Tiradentes indo a pé, e não tinha dinheiro suficiente para um táxi. Sem contar o calor que tirava todo ânimo.

Então fui na direção do primeiro ônibus que passasse onde moro. Sem saber, peguei um que passou justamente em frente ao dito super-sebo. Em frente a ele estava escritos em letras grandes: "COMPRAMOS LIVROS... E GIBIS". E, consegui gravar o nome, que era ACADEMIA DO SABER. Assim, quando cheguei em casa, procurei o telefone na internet. Era três lojas e tentei a primeira.

Mesmo lá dizendo que compravam gibis, eu queria ter certeza. Estranhamente, a moça que atendeu disse que eles não compravam, e nem disse se as outras lojas compravam. Mas, não custava tentar e na segunda tentativa, recebi um "sim, compramos". O valor caía quando os gibis não estava em sequência, mas compravam todos. Mas, não havia como transportar 260 gibis que não fosse de táxi. Ônibus ou metrô era impossível.

A maioria estava em uma bolsa de plástico gigantesca da Lojas Americanas e o restante na caixa antes mencionada. Devo dizer que os sacos plásticos da Americanas são ultra-resistentes, parabéns! Afinal era só um.

Chegando lá, fui direto ao balcão e a venda foi feita em questão de minutos. Meu medo era que o preço fosse irrisório e eu tivesse que aceitar assim mesmo, para não ter que voltar com todo aquele peso para casa. Para meu espanto, foi uma barganha razoável. Me lembrou muito minha infância, quando vendi meus mais de 500 gibis de uma só vez, e recebi o dinheiro na hora!

Como minha intenção era comprar quadrinhos que eu tencionava escanear, resolvi partir dali mesmo, para a comic shop Point HQ, em Ipanema, atravessando o Centro e indo para a outra ponta da Zona Sul. Lá, comprei o que eu precisava e dei o fim ao dinheiro feito com 260 gibis, comprando, vejam só, 12 revistas em quadrinhos que pretendo escanear ou re-escanear. Incrível, não?

Mas, depois de tudo, uma coisa eu vi que preciso fazer: voltar à Academia do Saber com muita calma, pois o acervo deles é de 350.000 unidades entre livros, revistas e gibis. Para ver isso tudo, é preciso muito sebo nas canelas... TU DUM TSSS!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Olha, Mãe, Um Nerd!


"OLHA, MÃE, ELE É NERD DE VERDADE!" Uma constatação de minha amiga Nayane

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Pela primeira vez, depois que me casei e que deixei o lugar onde fui criado, meus amigos Cristina e Élio vieram me visitar. Junto, trouxeram a encantadora filha, Nayane, a quem vi pequena, e agora estava com 18 anos, completados há pouco tempo. Sendo filha de duas pessoas fantásticas, Nayane é a soma dessas duas personalidades a quem tenho muito apreço. E, claro, quando alguém vem aqui, tenho que mostrar esta parte do apartamento, que é onde fico aqui com vocês (e no Facebook). Ou seja, o pequeno quarto onde ficam meu computador, livros, gibis e postêres.

Depois de falarmos de trivialidades, dos velhos tempos, e de como não nos víamos há mais de dois anos, a Cris parou de falar e Nayane, olhando ao redor do quarto, disse: - Olha, mãe. Ele é nerd de verdade!

A frase me fez cair na gargalhada. Nunca tinha ouvido alguém fazer uma constatação tão cabal acerca da minha condição de nerd. O que me deixou feliz foi que Nayane disse aquilo com um tom de admiração que me fez com que me sentisse orgulhoso de ser nerd. Sim, claro, sou nerd de verdade. Mesmo que, às vezes, ache que não sou dos melhores nerds que há.

Dentre os quatro filhos de minha mãe (dois meninos e duas meninas), apenas eu, desde cedo, devorava gibis e usava óculos. E, até hoje é assim. Talvez, por ler tanto, acabei tendo que usar óculos cedo, não sei. O fato é que ninguém mais, entre os quatro, se tornou um (ou uma) nerd. Meu irmão viria a trabalhar cokm ilustrações, tendo sido bastante influenciado pelos quadrinhos. Mas, eram aqueles que eu comprava e lia, não ele.

Mesmo tendo feito duas histórias em quadrinhos, por diversão, ele as fez porque gostava de desenhar, não porque gostasse de lê-las. Assim, ele nunca seguiu o caminho que um nerd ilustrador seguiria, ou ao menos, almejaria: ser desenhista de HQs. A sina de nerd da família estava fadada a ser minha.

Na escola, nos primeiros anos, eu era o típico garoto comportado, predileto da professora que era bom em (quase) todas as matérias. Aquele que os colegas logo procuravam quando havia trabalho para ser feito em grupo. Em suma, o CDF e nerd nas horas vagas. Porém, é aí, nos estudos, que meu status de nerd começaria a ser posto em dúvida. Eu não era tão inteligente quanto um nerd, supostamente, deveria ser. Mesmo que as aparências dissessem o contrário.

Outras coisas foram aumentando essa minha percepção sobre mim mesmo. Mas, estas outras eu só perceberia como falhas em um status nerd, bem mais tarde. Na época eram coisas normais para mim. Mas, o fato é que eu não gostava nada de video-games. Não o suficiente para ser bom naquilo. Algumas vezes jogava, mas nunca ficava empolgado a ponto de querer ter um.

Com o surgimento dos primeiros computadores pessoais, eu pude ter contato com eles através do meu tio Sálvio, que estava sempre seguindo as novidades nesse campo. Já eu via, achava aquilo interessante, mas nada que me fizesse pirar. Um nerd de verdade, pensava eu, há algum tempo atrás, ficaria empolgado e tentaria se imiscuir nessa nova onda, de qualquer jeito. Porém, eu detestava informática e eletrônica.

Com o tempo fui vendo que não gostava de outras coisas que formariam um nerd padrão: além dos games, detestava a simples idéia de jogar RPG e os tais card games (se é assim que se denomina). Aparentemente eu era um nerd de gibis, cinema, e alguns livros. E que ia um pouco acima da média na escola. Mas, os óculos e a cara de alguém saído do filme A Vingança dos Nerds, faziam o resto do trabalho.

Com o advento da internet, percebi que eu "falhava" em outro ponto nerdístico: eu não era fã de grandes discussões sobre quadrinhos. Ao menos, as discussões idiotas. Sempre que esbarrava em algum fórum sobre o assunto, e resolvia fazer incursões neles, as discussões sobre se o Batman era mais foda que o Wolverine e vice-versa, parecia ser o tema central, ou variantes desse tema. Até mesmo quando eu abri um fórum, o F.A.R.R.A., vi isso muitas vezes. O que mais me irritava em discussões semelhantes, era que alguns nerds pareciam perder a noção do que era realidade e o que era fantasia. Nessas horas sentia que ser nerd parecia algo vergonhoso.

Mas, como não eram frequentes minhas incursões por essa modalidade da faceta nerd, eu não me preocupava tanto. Sempre fui da filosofia que gosto mais de ler do que de falar - muito - sobre quadrinhos. Uma discussão sadia uma vez ou outra, para mim, é válida. Viver enfurnado em fóruns de quadrinhos, não consigo.

Todas essas "falhas", me fazem menos nerd? Acho que não. Como a Nayane disse, sou um "nerd de verdade", mesmo se eu não achasse que sou. Ao mesmo tempo, nerd não é nada para se ostentar, como a nova era acerca dos nerds fz parecer. Hoje em dia muita gente quer ser nerd, apenas porque parece ter virado uma moda. Não adianta. Como diz o primeiro título lá em cima, "ser nerd é um estado de espírito". Você não aprende a ser nerd. É uma vocação a ser apenas aprimorada, como qualquer outra vocação.

Com o tempo perceb
i também que há vários tipos de nerd, como se fossem categorias. Assim como sou um nerd que gosta de gibis e não de games, existem aqueles que gostam de games e não gostam de gibis, entre tantos outros. E, no fim das contas, não sou um nerd nem pior, nem melhor, sou apenas um "de verdade", como disse a querida Nayane. E isso é que importa a todos os nerds, a autenticidade.

- Este artigo é dedicado a Élio, Cristina e Nayane.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Turma do Arrepio Ed. Globo: Completa


TURMA DO ARREPIO #01 a #43 e ALMANAQUE #01
Scans feitos por Walter A.


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E temos aqui um grato presente de aniversário, mesmo que atrasado, para o RA em si e, por tabela, para todos os que acessam este humilde blog. O Walter tinha escaneado toda sua coleção da Turma do Arrepio, publicada pela Editora Globo e resolveu enviar pra gente. Todos os 43 números e mais um almanaque.

Apesar dessa turminha ter surgido logo assim que entrei em coma quadrinhístico, eu sempre notei o carinho que os fãs de quadrinhos nutriam pela revista. Os personagens foram criados por César Sandoval. O autor já era conhecido do público pela extraordinária versão que fez de Os Trapalhões em histórias muito mais divertidas e bem desenhadas do que as publicadas pela Editora Bloch. Seu traço dava um ar de desenho animado às aventuras do quarteto televisivo e mantinha uma característica das aventuras publicadas pela Bloch, as paródias, fossem de filmes, seriados ou animações.

Com A Turma do Arrepio, Sandoval criou algo bem mais particular, que não era baseado em nenhum programa de TV. Os monstrinhos Draky (um vampiro), Tutty (uma múmia), Stein (o monstro de Frankenstein), Luby (um lobisomem), Belfredo (um morcego), Epitáfio (um zumbi), e a bruxinha Medéia, ganharam muitos fãs, mesmo no curto tempo em que foram publicados, de 1989 a 1993. Em 2009 voltaria às bancas pela Editora América, quando foram publicados mais oito números.

A prova do sucesso da criação de César Sandoval foi que a Rede Manchete chegou até mesmo a exibir um seriado em live action, de 45 minutos cada episódio, em 1997. O Guia dos Quadrinhos, com uma matéria linkada do site Radar Kids, descreve assim a Turma do Arrepio:

A Turma do Arrepio é formada por crianças que vivem em um prédio muito antigo chamado Freaklings Condominium e que são netas dos mais populares personagens de terror. Eles fazem parte de uma banda de rock de porão e vivem se metendo em muitas trapalhadas, já que não aprenderam a lidar direito com os poderes que herdaram.

A turminha possui um
blog e aqui temos o site pessoal de César Sandoval, que mostra muito mais do trabalho deste excelente e criativo profissional. Os scans aqui postados são uma maneira de tentar preservar um trabalho tão saudoso. Agradeço ao Walter pela inicativa e pela consideração ao RA.

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Minha Vida


MINHA VIDA - ROBERT CRUMB
Scans 2.0 Zeradíssimos


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Robert Crumb é outro autor de quadrinhos que, assim como Will Eisner, eu vim a me aprofundar em suas obras devido aos scans. Antes disso, era um nome que eu sabia estar ligado aos quadrinhos, e que eu até mesmo sabia ser underground. Fora isso, eu não sabia mais nada.

Essa falta de conhecimento de autores mias diversificados se dava por vários fatores, entre eles fatores monetários e até geográficos, já que onde eu vivia e crescia, esse tipo de quadrinho era inexistente. Mais ou menos como ter filmes iranianos em locadoras que só conheciam filmes de ação e pornôs. Impossível.

Claro que, com o tempo, me mudei para uma área do Rio de Janeiro onde o acesso a coisas assim era mais fácil. Para se ter uma idéia, só quando vim morar aqui, consegui assistir ao filme Meninos do Brasil, ainda em VHS, que consegui numa locadora aqui perto. Isso é apenas para exemplificar a dificuldade que eu tinha para encontrar coisas fora do padrão vigente. HQs de Crumb e Eisner então, nem pensar.

Mas, como disse, me mudei. Mas, já estava há 30 anos sob a dieta dos quadrinhos mais comuns, fossem de super-heróis, fossem de humor. A falta de contato com pessoas que gostassem de algo assim e com quem se pudesse trocar sugestões, tornava tudo mais difícil. Então, a internet é que veio trazer para mim Crumb e muito mais.

Na verdade, eu não cheguei a baixar nenhum scan de HQ de Robert Crumb. Não existia nenhum - em português - ainda. Não que eu soubesse da existência. O que se deu foi que ao procurar mais quadrinhos de Will Eisner, que conheci mais através dos scans, eu me deparei com os de Robert Crumb, nas livrarias onde se podia encontrar os de Eisner. Ou seja, uma coisa levou a outra.

E, o primeiro que adquiri, e li avidamente, foi este que aí esta: Minha Vida. Uma autobiografia escrita e desenhada por Crumb, e em alguns capítulos, por sua esposa, Aline Crumb, também.

Mais do que uma biografia, a HQ é a história nua, crua e, de certo modo, divertida, de um cara que virou o ícone dos quadrinhos underground. Com seu estilo de desenho quase grotesco e ao mesmo tempo belo, Crumb traçou sua vida através da década de 60 até os dias de hoje, de maneira permanente. Um cara esquisito que deu certo.

Crumb não tem uma visão cínica apenas do mundo a sua volta, mas também dele mesmo. Sabe rir de si próprio, mesmo quando esse riso é nervoso, neurótico. Fala pouco da relaçao com seus pais e irmãos, centralizando mais no próprio Crumb e suas experiências com sexo, drogas e... blues. Por ter se tornado famoso, não faltam experiências interessantes para rechear este álbum. Todas elas vistas pela sua ótica cáustica e com seu humor ácido.

Alguns capítulos são desenhados por ele e por sua mulher, juntos. Crumb desenha ele e ela, desenha ela. Mas, qualquer uma que não seja fã xiita de Crumb - e, por tabela, de Aline - terá de admitir que ela só está ali, desenhando, por ser esposa dele, já que ela não sabe desenhar de verdade. Mesmo assim, faz carreira como cartunista e há pouco tempo a Conrad lançou uma HQ só dela. Parabéns pela coragem da Conrad. Mas, temos de admitir que só venderá por ser "a HQ da mulher do Crumb". Mas, eu não li, então posso estar enganado.

No mais, eu espero que mais pessoas, que não o conhecem, leiam. Quem sabe começando pelo scan e, se gostarem , procurar em papel. Para quem está acostumado apenas a super-heróis, mangá, ou mesmo a band desinée, Crumb é algo totalmente diferente e estranho de início. Não há tramas mirabolantes, nem sofisticadas. É só a mente e os desenhos de um cara muito, muito maluco. Quem for ler, verá.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sandman


SANDMAN: QUADRINHOS OBRIGATÓRIOS
Os sonhos de um homem chamado
Neil Gaiman

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Sandman pela Ed. Globo

Novembro de 1989. Eu era, já há alguns anos, um jovem adulto e trabalhava há pelo menos um ano em algo que não era mais estar atrás de um balcão. Nas minhas idas para o trabalho, como sempre fazia desde que me conheço por gente, parava em uma banca de jornal e pesquisava as novidades. Estranhamente, não lembro de nenhuma edição de Sandman. Provavelmente minha mania de comprar apenas super-heróis (e um ou outro Tex), me cegassem para algo tão diferente, como era esta capa acima e todas as outras desta série.

Eram os extertores finais dos revolucionários - para o mundo dos quadrinhos - anos 80 e eu não sabia que Sandman era quem vinha fechando este ciclo. Ainda assim, eu não teria conseguido colecionar todos os 75 números lançados pela Editora Globo (ex-RGE), mesmo se tivesse conhecido a série. Aliás, uma atitude louvável da editora, lançar todos os números desta incrível HQ. E ela fez o mesmo com Akira, o qual eu também não dei atenção e viria a me arrepender da mesma forma.

A série seria publicada até 1998 e, ainda assim, eu não saberia da existência da mesma. Depois que a Editora Globo publicou todos os números, outras editoras tentaram o mesmo feito, entre elas, Atitude, Tudo em Quadrinhos, Brainstore e Pixel. Todas sem sucesso e, muitas vezes, com qualidade inferior. A única que lograria suceso em republicar Sandman na íntegra seria a Conrad, em uma coleção primorosa de 10 belos encadernados com muitos extras.

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Sandman pela Conrad

Mas, voltemos ao tempo em que eu descobri Sandman, que foi bem antes da publicação do encadernados da Conrad. Quando voltei a ler quadrinhos, depois de meus 7 anos vagando pelo espaço, continuei na dieta de super-heróis e pouca coisa diferente além disso. Nesta época Sandman devia estar perdida, sem editora certa, que era o destino de muitos títulos da Vertigo, sendo Hellblazer o campeão em bagunça. Mas esta é outra história.

Quando comecei no mundo dos scans, eu não apenas compartilhei, como também usufrui do que era colocado por outras pessoas. Estranhamente, conheci as HQs derivadas de Sandman, muito antes de conhecer a própria. Pessoas me enviavam as minisséries da Morte (a irmã de Morpheus) ou as minis de The Dreaming. Até mesmo o especial Orfeu, eu li em scan, antes de publicar no blog. Mas, Sandman mesmo, não aparecia. Afinal eram 75 números, e quem começasse, se veria "obrigado" a fazer todos, pelo menos na teoria.

Mas, naquela efervescência de scans, claro que a qualqqer hora eles iriam aparecer. E, a forma como se deu isso foi bem... diferente do usual. Se eu bem me lembro e não estiver completamente errado, o GibiHQ comprou(?) um CD de alguém que tinha escaneado todos os 75 números e os vendia pela internet. Acho que pelo Mercado Livre, se não me engano. Não deixou de ser uma jogada de mestre. Afinal, uma coisa que scan não deve ser é vendido, mas se for, que se compre e se disponibilize para todos... de graça.

E, apesar de eu ter "roubado-os" do GibiHQ e disponibilizado no RA, não quis ler em scan. Por quê?

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Sandman pela Pixel Media

A verdade é uma só: mesmo tendo lido várias edições derivadas de Sandman - pasmem, até mesmo Noites Sem Fim - eu ainda não estava tão empolgado assim com a obra de Neil Gaiman. Ou, quem sabe, eu apenas não quisesse ler em scans. Ou seriam as duas coisas juntas? Além de tudo, os scans já estavam com qualidade defasadas, para os monitores dos dias de hoje, motivo pelo qual, eu não os recoloquei no Onomatopéia Digital. Mas, para quem quiser, os scans podem ser encontrados em outros sites ou blogs, é só procurar.

Os encadernados da Conrad vieram e se foram e eu não dei atenção. O preço me desencorajava e, como eu disse, eu não estava tão entusiasmado assim. Mas, tudo estava prestes a mudar, por causa da Pixel Media.

A editora já havia até mesmo parado de publicar a linha Vertigo. Sua tentativa de ser a representante definitiva deste selo maravilhoso, foi curta, mesmo que esforçada. Assim sendo, muitas de suas publicações viraram encalhe e, de vez em quando, reapareciam nas bancas de jornal. Foi numa dessas que resolvi comprar o pequeno encadernado Prelúdios e Noturnos, contendo o primeiro arco de Sandman. Como muitas das minhas HQs, ela ficou bastante tempo pegando poeira.

Até que um dia, ou mais apropriadamente, uma noite, que eu peguei a edição magrinha e fui ler antes de dormir. Como alguém que estava em coma, depois que terminei a leitura, acordei. Abri os olhos.... e queria mais!

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Sandman pela Panini

Quando eu li o volume publicado pela Pixel, se não me engano, o único, a Editora Panini já havia publicado o segundo volume de Sandman Edição Definitiva (Absolute Sandman, no original). O primeiro já havia esgotado há um bom tempo. Sem chances de ter como adquirir. A não ser que eu pagasse os preços extorsivos exigidos pelos especuladores do Mercado Livre, coisa que eu não iria fazer. E, depois de realmente começar a ler Sandman, eu queria mais, e sabia que não era em scan.

Me cativou a forma que Neil Gaiman se adaptou aos editores da DC, que exigiam que seu personagem fosse uma releitura do velho personagem Sandman, criado na Era de Ouro dos quadrinhos. E ele fazia isso de forma magistral, não apenas recriando o personagem, mas a própria mitologia, fosse ela a do mito Sandman ou a do personagem da DC. E eu sabia, tardiamente, que aquilo era só o começo. O fio da meada estava apenas começando a se desenrolar. Mas, como fazer para continuar lendo sem recorrer a velhos e péssimos scans? Bom, estamos falando de Sandman, então acontecimentos estranhos são normais.

Não demoraria muito até que o segundo volume da Edição Definitiva também se esgotasse, e aí a coisa realmente ficaria difícil. Mas, numa espécie de milagre, a Panini anunciou uma reedição do volume um. Eu quase não acreditei. Bem no momento que eu passei a ler de verdade a série aquilo acontecia.

Eu já sabia que os preços eram salgados, girando entre 120 a 145 reais. Mas, agora era tarde demais para voltar atrás. E, quando, depois de muito sacrifício e espera, eu consegui comprar os dois primeiro volumes, logo em seguida me sai... O TERCEIRO! Eu não sabia se ria ou se chorava, mas uma coisa eu sabia. Eu precisava comprá-lo. Como era um lançamento recente, não havia a preocupação com esta edição esgotar, por isso li com calma os dois primeiros volumes, antes de pensar em comprar o terceiro. E, fazer desse modo, lendo 40 edições amealhadas nestas duas edições, foi quase uma overdose.

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A coleção esperando ser completada

Então, 23 anos depois que Sandman foi lançado a primeira vez aqui no Brasil, eu adentrara seu mundo do Sonhar, como nunca pensei que faria. Talvez fosse apenas a hora certa, quando eu estava apto a absorver tudo que Gaiman cria e recria em suas páginas. Minha única ressalva vai para a própria Panini, que deveria lançar uma edição mais simples, encadernados mais acessíveis, como o são Fábulas, 100 Balas e outros. Sandman (e toda HQ de qualidade) não deveria ficar restrita a um grupo de loucos que vendem a mãe para comprar tais edições extramotherfuckers. No mais, as edições são belíssimas, com extras pra dar e vender (na verdade, só vender) e que enriquecem as mais de 600 páginas que cada uma contém.

As edições americanas possuem um acabamento diferente e ainda vêem em um belo estojo. Mas, pedir que aqui seja assim é pedir que cada edição saia a 300 reais cada, então deixa como está.

Agora só espero pelo quarto volume, sem nenhuma ansiedade, sem nenhum estresse, só... calmo... e... plácido. O fato é que estou anestesiado por Tegretol, por isso estou calmo. Então, irei dormir e sonhar, aos cuidados de Lorde Morpheus, já que ao menos isso, é de graça... por enquanto!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Infinitas Sagas


CRISE NAS INFINITAS CRISES Como destruir um universo e a vontade de lê-lo

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Quando Ponto de Ignição começou a ser publicado aqui no Brasil, eu resolvi dar uma chance. Quem sabe, com o reboot da DC eu poderia voltar a colecionar as revistas da minha editora de super-heróis preferida. Só que, além do dinheiro curto, para comprar todas as edições relacionadas, parecia que eu estava velho demais para megassagas. Não tive paciência e nem mesmo comprei o últimos números para saber como se daria a transição do velho universo DC para o novo reboot. Para mim, Crise nas Infinitas Terras será sempre a única saga remodeladora que valeu a pena.

Eu tinha meus 17 anos e devorava tudo que saía nas bancas. Não colecionava como alguns anos antes, mas não deixava de acompanhar as minhas revistas prediletas. Eu já lia as aventuras de Marv Wolfman e George Perez em Novos Titãs e sabia que os caras eram bons. Os melhores da editora, naquela época. Mas, nada me me preparou para Crise nas Infinitas Terras e o que viria depois. Era como estar no olho do furacão.

Eu comprava as edições e não esperava chegar em casa para ler. Sim, eu lia andando, exatamente como esse pessoal anda com seus iPhones, só que era mais divertido. Lembro claramente de ir com minha mãe à casa de uns amigos e, no caminho comprar uma das edições de Superamigos. O pessoal ia na frente e eu atrás, lendo. Não conseguia largar e era penoso esperar pelo próximo capítulo.

Cada acontecimento era mais emocionante que o anterior. A morte do Flash foi algo que me atingiu quase em nível pessoal, já que Barry Allen era o Flash que eu mais gostava. Era como se a editora soubesse disso e dissesse: "ok, está na hora de ver até onde o Eudesinho aguenta". Mas, era tudo tão dentro do contexto, que era impossível não aceitar com resignação. E, então, as múltiplas terras acabaram e sobrou apenas uma. E tivemos um reboot de classe, com uma preocupação com o leitor e com a qualidade. Não eram apenas um novo começo, era um novo começo destinado a gerar clássicos.

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Lembro de saltar do trem em São Cristóvão e atravessar toda a Quinta da Boa Vista em direção ao trabalho. Quando parei na primeira banca de jornal, lá estava Batman #1, anunciando uma nova fase de Batman, pós-Crise. Depois de Cavaleiro das Trevas, Miller retornava para recontar a origem do Homem-Morcego, com os desenhos a cargo de David Mazzucchelli. Mesmo perto de completar 18 anos, eu me sentia um garotinho, perto de algo grandioso demais. E não parava ali, afinal havia um novo universo DC para reformular.

O maior dos super-heróis ficava a cargo do meu desenhista/roteirista preferido, na época: Super-Homem era recriado por John Byrne. E, a Mulher-Maravilha era reformulada por ninguém menos que George Perez, que dava à sua nova origem um aspecto clássico. A trintade, a base da editora estava nas mãos dos melhores e, assim, o restante era só mandar ver.

Flash, Lanterna Verde, Aquaman e a melhor Liga da Justiça de todos os tempos, escrita por J.M. De Matteis e David Giffen e desenhada por Kevin Maguire. Era o recomeço perfeito, até os editores chegarem a uma conclusão: megassagas dava muita grana, então porque parar em Crise?

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Assim, uma avalanche de sagas monumentais, tentando principalmente superar Crise nas Infinitas Terras, teve início. Não sei dizer qual a ordem, mas tivemos Lendas, Invasão, Zero Hora e muitas outras. Para piorar a situação, adentrávamos os malfadados anos 90, um tempo negro para a qualidade dos quadrinhos. Qualidade essa que parecia ser ditada pelo sucesso equivocado dos quadrinhos Image, editora que surgia e fazia suceso graças a traços anabolizados e cérebro defeituoso. Então as grandes seguiam a onda, e as megassagas também.

Até mesmo crossovers entre a DC e a Marvel viraram sagas monumentais, com direito a três minisséries e derivados chamados Amálgama. Uma idéia interessentae, mas infelizmente feita nos anos 90. Por sorte, nessa época eu vivia em reclusão no Tibete e não lia quadrinhos. Por isso minha falta de conhecimento sobre todas as grandes sagas desse período. Mas sei que foram muitas. Cada uma mais esdrúxula que a outra e quase todas desenhadas pelo Dan Jurgens, que parecia ser o único desenhista da DC naquele tempo. Até a saga da Morte do Super-Homem foi ele quem desenhou. Assim como a saga do enterro, do luto, do retorno, do corte do cabelo.

Mas se aproximava um novo século e novas possibilidades. Será que as coisas iam melhorar?

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Não. Não melhorou. Decididos a recobrar a glória conseguida com Crise nas Infinitas Terras, agora toda saga DC tinha "Crise" no nome. Crise Infinita, Crise Final (era inifinita e agora já tinha final?), Crise de Identidade. Era muita crise, só não havia crise financeira, pois toda essa tralha vendia como água. As novas sagas vinham para desestruturar tudo que havia sido feito antes, e até mesmo desfazer coisas que Crise nas Infinitas Terras tinha dado como definitivas. Mas, isso não é novidade. No mundo dos quadrinhos de super-heróis nada é definitivo.

Heróis bacanas morriam, personagens coadjuvantes legais viravam vilões insanos, etc, etc, etc. Nesse meio tempo, voltavam a vida Lanterna Verde/Hal Jordan e o que mais tempo durou morto, Flash/Barry Allen. Era o alvorecer de Ponto de Ignição, que daria origem ao segundo reboot da editora.

Ah, sem contar as dezenas de sagas envolvendo o Lanterna Verde, Tropa Sinestro, Noite mais Densa, Dia Mais Claro, Com Grande Poderes Vem Grandes Sagas e por aí vai. Era assustador. Mesmo se eu já não acompanhasse mais as revistas mensais há anos, com certeza teria desistido nessa fase de Crises e tudo mais. O que era para ser divertido, se tornava estressante. Sem contar o gasto. Até lê-las em scans era um porre.

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E Ponto de Ignição veio e se foi e uma nova era se iniciava na DC. Tão criticada nos meios virtuais, que eu não tive a mínima curiosidade de saber mais. Mas, quando você navega na internet e vai às bancas de jornais, acaba por esbarrar com os tais Novos 52. Superman de calça jeans, ou de armadura, Batman com início de carreira desencontrado com o restante dos personagens, Lanterna Verde gay, Liga da Justiça Dark e, mais recentemente, a notícia de que John Constantine encerraria sua carreira no selo Vertigo, para ser um anti-herói no universo comum da DC. E sabe-se lá o que mais, já que eu não li uma única edição sequer, como já fazia antes do reboot. Ou seja, não é pirraça com a nova fase.

O que me espanta nisso tudo, é que os EUA deve ser o maior produtor de scans do mundo. As revistas lá estão on line praticamente no dia seguinte. As pessoas poderiam ler essas porcarias no computador ou iPads da vida, e nem comprar. Mas, isso vende! E vende muito, já que tais megassagas são criadas todo mês. O mesmo se dá na Marvel com suas Guerras Civis e Qualquer Coisa Secreta.

Não se ouve falar em crise na indústria dos quadrinhos, como já aconteceu. A coisa vai de vento em popa porque quem reclama, compra! Eu não deixei de comprar quadrinhos, mas prefiro as minisséries fechadas sem ligação com nenhum tipo de saga interminável. Gosto também dos encadernados da linha Vertigo, que a Panini vem lançando regularmente.

Me pergunto porque as coisas não mudam. Porque não se acaba com esse modelo de números infinitos e aventuras repetitivas. Deixe os personagens que morreram, mortos. Criem novos e que sejam interessantes. Façam isso em Graphic Novels, álbuns, e se for insuficiente para gerar lucro, dê chance para os autores exercitarem a imaginação e criarem novos conceitos. Sim, o selo Vertigo já faz isso, mas seria muito bom ver os super-heróis terem a mesma chance.

No mais, dei reboot na minha paciência, mas ela não reinicializou
.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Nos Bastidores do Blog


W.BLOGGAR E ZOUNDRY: HERÓIS ANÔNIMOS
Sem eles o blog não teria durado muito


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O WBloggar atualmente não funciona mais


Desde que resolvi que teria alguma forma de veículo na internet, escolhi para isso os blogs. Percebi logo que era o modo de pessoas como eu, que não têm nenhum conhecimento sobre como montar um site, terem sua página na internet. Assim, os vários sites onde se podem fazer blogs dão ferramentas basisamente simples, para que se monte um. A pessoa passa a postar pela página do Blogger ou do que ela escolher.

Tive que fazer assim por um bom tempo. Porém, as constantes mudanças promovidas pelo Blogger, tornavam irritante ter de reaprender a postar. Assim, não lembro quando, nem como e nem por quem, eu descobri o W. Bloggar, um editor de blogs, que era descrito assim pelo Wikipédia:

"W.bloggar é um software gratuito para publicar artigos em weblogs diretamente da sua Área de trabalho sem a necessidade de estar logado no sistema online do blog. Para se comunicar com o weblog o w.bloggar necessita que o sistema que gerencia este blog tenha implementada uma API, que é o acrônimo em inglês para Interface Programável de Aplicação."

Em pouco tempo eu já estava dominando a ferramenta e ela tornou ainda mais fácil postar, principalmente quando comecei a escrever textos longos. Eu o fazia ali mesmo, no editor, e enviava. Fazia (e faço até hoje) uma revisão e reenviava. Apesar de eu precisar ter ao menos um conhecimento básico ce HTML, consegui me sair bem e publicar no blog se tornou algo corriqueiro, sem problemas. Até o dia em que ele parou de funcionar.

O software era nacional, e acho que não conseguiu se manter financeiramente. Me vi totalmente perdido e comecei a procurar, como um desesperado, um novo editor de blogs, até que cheguei ao Zoundry.


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Tive que reaprender tudo, neste novo editor de blog. Mas, depois de algum tempo, já estava novamente operando normalmente. Ele era até mesmo melhor que o antigo W.Bloggar.

Posso dizer com toda certeza que sem os editores de blog eu já teria desistido. Postar pela páginas é muitas vezes um exercício de paciência. Softwares como o Zoundry facilitam e fazem com aqueles períodos em que não se quer saber de blog, passem com mais facilidade.

Um certo tempo perdi o Zoundry e quando fui procurar só havia uma nova versão do programa. Quando instalei vi que estava bem mais complicado, sem contar que eu não conseguia trazer todos os posts antigos, como fazia na versão antiga. Com muito custo achei a versão a que estava acostumado e a reinstalei. É a que ainda estou usando.

A única coisa que ainda faço pela página do Blogger é mexer no layout, principalmente quando tenho que acrescentar novos banners de sites e blogs de scans e outros. Meu conhecimento de html é suficiente apenas para isso, assim como meu conhecimento de Photoshop é suficiente apenas para tratar scans. E assim como no Photoshop, sinto que não uso todo o potencial do programa. Este sou eu.


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