sábado, 28 de julho de 2012

Planetary


PLANETARY: QUADRINHOS QUE PRECISAM SER LIDOS 
É um Mundo Estranho, Vamos Mantê-lo Assim

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Para baixar a série completa, aqui

Eu estava um tanto quanto afastado dos quadrinhos há um bom tempo. Meu mundo se tornara outro na década de 90 e eu não lia nem comprava HQs. Não era algo que eu fazia por querer, não estava no comando completo da minha própria vontade. Em 1997 tudo voltou ao normal, e eu voltei a ler, mesmo que esporadicamente, alguns gibis. Voltei das trevas para a luz no mesmo ano do lançamento de Reino do Amanhã, de Mark Waid e Alex Ross. Foi um ótimo recomeço. Mas, eu ainda não era aquele Eudes de antes. Faltava alguma coisa.

Poucos anos depois comecei a acessar a internet e, logo em seguida, me casei. Quadrinhos pareciam uma coisa muito secundária ainda em minha vida. Mas, era algo adormecido, prestes a acordar, faltando apenas a motivação correta.

Ela chegou na forma dos scans. Anos depois de ter voltado a ler quadrinhos, eu descobri que podia compartilhá-los via internet. Uma nova era em termos de leitura se abria para mim e para muitos. Um novo modo de ler quadrinhos. Mas, não apenas de ler, como também de levá-los a outras pessoas. Era como se emprestar e/ou trocar gibis, assumisse uma nova forma, muito mais ampla, muito mais abrangente.

Para colocar os quadrinhos na rede eu precisava tê-los. Passei a comprar mais quadrinhos que em todos os anos anteriores ao meu retorno. Frequentava tanto as bancas de jornais quanto sebos e comic shops. Assim, acabei adquirindo revistas que me marcaram naquela época: Gerações, de John Byrne; Marvel Boy, de Grant Morrison; as minisséries Inumanos e O Sentinela, ambas de Paul Jenkins e com arte de Jae Lee. Porém, foi em maio de 2003 que eu me vi frente a frente com algo novo em matéria de quadrinhos de super-heróis.

Quando fui à banca de jornal, uma nova revista havia sido lançada. Na verdade duas revistas em uma: The Authority e Planetary. Era em formato americano (ou quase) e um título de cada lado. Não sei bem o nome deste formato, acho que é flip ou algo assim.

Os dois títulos eram escritos por Warren Ellis, que eu pouco conhecia. Mas, com certeza iria querer conhecer mais, depois daquelas edições. The Authority já mostrava a que veio. Era uma formação nova e com novo nome de um grupo de heróis da editora Wildstorm, que se não me engano, na época estava ligada à Image. O grupo era o Stormwatch, que tinha lá suas histórias bem dentro do contexto dos anos 90, onde os heróis eram músculos e roteiros ruins. The Authority mudava isso. Super-heróis que tomavam as rédeas da situação, atacando os vilões de forma dura e mortal. Nada mais de levar para prisões e/ou asilos de onde escapariam a cada nova edição. Mas, mesmo sendo muito bom, não foi Authority quem mais me empolgou, foi Planetary.

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Planetary #0, não publicado aqui, na época

Planetary era sobre um grupo de super-heróis que, na verdade, não pareciam super-heróis. Só podiam ser considerados como tais porque tinham superpoderes. Mas, se auto-intitulavam os Arqueólogos do Impossível. O grupo era composto por quatro pessoas, sendo que a edição #01 começa com a busca por um novo membro, pois estão desfalcados. Como isso acontece só será mostrado vários números a frente. No momento Jakita Snow (que tem superforça e uma razoável supervelocidade) vai em busca do solitário e misterioso Elijah Snow (que controla o frio) para recrutá-lo para o Planetary, que precisa sempre ter quatro componentes. O líder do grupo não participa da ação e mantém sua identidade em segredo. O último a fazer parte deste inusitado rol de heróis é Batera, um jovem que se comunica com qualquer aparelho eletrônico. Juntos precisam desvendar os segredos do século XX.

Tudo isso porém é a mínima ponta do iceberg de uma série que durou 27 números e ainda revelou um dos melhores desenhistas da atualidade: John Cassaday. O artista evolui a cada número e parece brincar de dar vida aos roteiros mirabolantes de Ellis. Os dois concebem uma obra que muitas pessoas ainda não conhecem, pelo simples fato de que sua publicação foi feita de maneira apropriada. Imagine então em 2003.

A Editora Pandora, que não era muito famosa pela qualidade e constãncia de seus títulos, logo o cancelou na terceira edição. Ao menos tiveram a decência de publicar o quarto número de The Autority, fechando o arco que haviam começado, mas sem Planetary acompanhando. As edições era histórias fechadas. Ou assim pareciam ser. O que eu só perceberia mais tarde era que Planetary era uma grande e única saga, montada de uma forma extraordinária por Warren Ellis, com várias peças de referências à cultura pop. Tudo isso formando um grande e único quadro. Mas, parecia tudo perdido quando o quarto número não veio.

Mas, eu já estava cativado. Minha reentrada ao mundo dos quadrinhos estava completa, e era um caminho sem volta. Aqueles três únicos números fizeram com que eu quisesse mais, muito mais. O número um trazia referências explícitas ao velhos pulps, onde nasceram personagens como Doc Savage e O Sombra. Em poucas páginas, Ellis faz uma analogia de como os super-heróis tomaram o lugar dessa forma de literatura, "matando-a" de forma repentina. Era só o começo.

O segundo número faz uma improvável ida dos pulps para os seriados japoneses de monstros, fazendo referência a Mothra e Godzilla. Claro, tudo isso dentro de um contexto bem mais "realista". Os mistérios vão se aprofundando, a cada passo. O terceiro número continua pelos lado do Oriente quando traz uma história praticamente saída dos filmes de John Woo. Coisas tão díspares como pulp fiction, monstros japoneses e filmes de ação são entrelaçadas de forma que só os Arqueólogos do Impossível poderiam fazer. E assim terminou. Ou parecia ter terminado
.

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Edição #3: John Woo

Naquele ano de 2003 os scans se limitavam a edições em papel que eram digitalizadas. Eu o fiz com as únicas três Planetary que a Pandora lançou. Mas, e daí em diante? Na época eu participava do Grupo de Cinema UOL, onde falávamos de tudo menos cinema. Foi lá que nasceu o Rapadura Açucarada. Eu o acessava através do Outlook. Mais tarde se tornaram independentes do UOL e fundaram a Trollnet. Antes disso, me ajudaram a ver que era possível continuar Planetary, bastava traduzir os scans americanos e letreirá-los em português.

Assim como eu nunca havia feito scans antes, também nunca fizera isso que estava sendo proposto. Fora o fato de meu inglês não ser suficiente para traduzir uma HQ coerentemente. Mas, novamente, os amigos se colocaram a disposição. Também me ajudaram a encontrar os tais scans, coisa que, na época, eu não fazia a mínima idéia de onde procurar. Assim, começamos a fazer não apenas Planetary, mas The Authority, também. O xodó no entanto eram os Arqueólogos do Impossível. Assim como a iniciativa de digitalizar HQ animou outras pessoas a fazer o mesmo, traduzir e letreirar também gerou novos adeptos. Logo visitantes do RA começaram a montar seu próprios blogs de tradução de HQs que não saíam por aqui.

Os números de Planetary que meus amigos traduziam, eu revisava e letreirava. Na verdade, fazia as duas coisas ao mesmo tempo. Isso fazia com que eu me aprofundasse bem mais nos detalhes da série, lendo e relendo, analisando os detalhes para entender o contexto de alguma frase a ser corrigida. Era o mesmo com The Authority, mas com Planetary isso era mais apreciado por mim.

Logo fizemos Planetary #0, que havia sido injustamente ignorado. Em uma história curta, mas contundente, Ellis nos apresenta a um general que conta sua estranha história acerca de um acidente em que um de seus cientistas se torna um monstro incrivelmente forte e violento. A referência é óbvia e Ellis dá a sua solução para tal infortúnio.

Em seguida fomos para o trabalho pesado, que era traduzir todas as edições publicadas até então. Não lembro em que edição se encontrava na época, mas já haviam muitas. A edição quatro era uma referência incrível ao Capitão Marvel (Shazam) e mais dos segredos de Planetary eram revelados. Na edição cinco, Doc Brass (referência a Doc Savage) que apareceu no primeiro número, reaparece para detalhar tudo sobre seu passado e seus amigos heróis daquela época.

O número seis é um baque para os leitores. Descobrimos contra quem o Planetary realmente luta, quem são seus verdadeiros inimigos. Para evitar estragar a surpresa de quem ainda não leu, só se posso dizer que é uma referência a uma das grandes criações de Stan Lee e Jack Kirby, colocados aqui como o nêmesis dos nossos heróis. Warren Ellis constrói uma versão tão maligna e tão mais poderosa desta criação de Lee e Kirby que a homenagem tem um gosto amargo, no bom sentido.

Daí para diante os números são feitos quase numa enxurrada, ate o #15, quando tive de parar por motivos de força maior. Porém, a tradução não parou. Os varios grupos que nasceram quase que a partir desse primeiro projeto, fizeram os números seguintes até o último. As referências pop são tantas que é quase uma loucura pensar que aquilo tudo seja, na verdade, uma única história.

Warren Ellis faz homenagens a Alan Moore, Neil Gaiman, John Constantine, filme de ficção-científica da década de 50, Marilyn Monroe, Matrix, Liga da Justiça, Jim Steranko, Nick Fury, James Bond, Tarza, Drácula, Frankenstein, Sherlock Holmes, Thor, O Tigre e o Dragão, Cavaleiro Solitário, Julio Verne, Galactus, e tudo isso embalado em fractais e dimensões paralelas. São tantas referências que algumas eu mesmo sei a que são.

Além disso, Planetary teve três edições de crossovers, que fizemos todas: Planetary vs The Authority; Planetary vs. Liga da justiça (o grupo de Ellis eram vilões nessa edição); e Planetary vs. Batman, que é simplesmente o melhor, além de ser o único dos três com a arte genial de John Cassaday.

A série demorou a ser completada pelos criadores, mesmo tendo apenas 27 números. Assumindo outros compromissos, tanto Ellis quando Cassaday não conseguiam concluir a série e os fãs ficavam impacientes. Assim sendo a série, com seus 27 números (e especiais) levou incriveis 10 anos para ser concluída, indo de abril de 1999 a dezembro de 2009.

Dois anos depois que se começou a traduzir os scans, em 2005, a Devir lançou um encadernado com os primeiros quatro números e mais o #0. Chegou a lançar mais um encadernado, mas a troca de editora começou a bagunçar a publicação do título por aqui. Os direitos passaram para a Pixel, que publicou um terceiro encadernado, englobando no total 18 números. Depois a Pixel perdeu os direitos, que passaram para a Panini e não tivemos mais Planetary até o presente momento.

Eu sempre digo que Planetary é uma série que todo fã de quadrinhos e cultura pop deve ler. Vou mais longe, até mesmo quem nunca leu quadrinhos deveria ler, pois creio que tomaria gosto pela coisa. Mas, se não for publicada em encadernados acessíveis (sem isso de capa dura que os encarece), muitos não poderão ler essa incrível HQ. Fica aqui meu apelo à editora Panini: que a publique da maneira que já faz com grandes obras como Y: O Último Homem, Fábulas, 100 Balas e outros.

Scans são ótimos para um acesso rápido aos quadrinhos, para um tour por esse mundo fantástico. Mas, não é a mesma coisa que termos em mãos, ler e enfeitarmos nossa estante com eles. Creio que ainda vá demorar umas boas décadas até que as pessoas se contentem em ler quadrinhos em seus iPads. Até lá precisamos manter esse mundo estranho, onde gostamos de tocar e cheirar nossos gibis. Não que eu faça isso, claro. Eu sou normal.

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O Batman de Planetary

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A Banca de Jornal


UMA ÚNICA BANCA, UMA ÚNICA PAIXÃO Ou, Como Era Ter o Poder de Abrir Pacotes de Gibis

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Acordo às 5 da manhã em ponto. É quase sobrenatural a capacidade que tenho de acordar sem precisar de despertador ou mesmo que a mãe me chame. Dessa vez talvez tenha sido culpa do sonho estranho que tive, eu sentado em frente a um computador - coisa que nem existe na casa das pessoas - conversando com pessoas estranhas ou escrevendo. Escrevendo, até parece. Uma das coisas que mais detesto. Parecia coisa de ficção-científica, mas sem ação alguma.

O sol lá fora surge preguiçoso, ainda frio. Sua luz parece nem ter força para atravessar a velha telha de vidro que meu pai colocou sobre o banheiro. Talvez seja ela que me acorda sempre na hora. Nunca tinha parado para pensar, mas nunca vi uma telha de vidro na casa de mais ninguém. Coisa estranha.

Meu irmão continua dormindo, e também a mãe e as meninas. Apenas eu ando pela casa, indo ao banheiro, me vestindo e me preparando para ir trabalhar. Tento não pensar em como ainda é cedo e em como ainda estou com sono. Tento não pensar também em como será aturar o Seu Fausto em mais um dia tedioso naquela padaria sem movimento, onde só eu e ele somos suficientes para atender o público. Ao menos, nem tudo é perdido, tenho os gibis.

Nem parece que já fiz 13 anos e que estou lá há mais de um ano. O tempo voa. A salvação é a banca de jornal e os gibis. Por isso sempre acordo mais cedo do que realmente é necessário. Então desço as escadas que dão para a rua, tentando não tropeçar e rolar por elas, devido ao sono. O frio se faz sentir mais forte aqui fora.

Cruzo toda a Rua José Ferreira, como faço todo dia e vou andando na direção do Lote XV, onde trabalho e onde fica a banca de jornal. Vou num passo apressado, mania que peguei por andar tanto, todos os dias. Quem me ve andando assim, deve pensar que vou tirar o pai da forca. Mas, é só mania, não consigo evitar. Ao menos chego mais rápido a todo lugar que vou.

Passo ao largo dos campos de futebol onde o pessoal joga pelada todos os fins de semana. Acho que são dois ou três campos. Os morros de barro cor de rosa ao fundo me trazem algum tipo de lembrança enevoada, da infância, como se eu já tivesse estado lá, entre aquele sulcos que a chuva abriu. Mas se estive, foi numa idade tão remota, que não consigo dizer com certeza.

Passo pelo pequeno boteco solitário que fica a um canto dos campos. Estou quase chegando.

Quando a padaria se aproxima, atravesso a pista que me acompanha todo o caminho, e fico o mais longe possível da visão do Seu Fausto. Ainda não é o meu horário e preciso chegar à banca antes que eles já tenham começado a trabalhar. Gosto de ser o primeiro a saber o que foi lançado hoje. Saber quais revistas vou comprar para minha coleção que já deve ter umas 200 edições e só aumenta, para desespero da mãe.

De longe avisto a comoção que se faz quando estão distribuindo os jornais para cada garoto que trabalha para eles. Ali é a matriz e e as pequenas filiais se espalham por vários bairros. A maioria vende apenas jornal e, às vezes, um gibi ou outro, ou uma revista feminina aqui e outra ali. O objetivo maior é apenas vender jornal. Todo o resto se concentra ali, na matriz, que fica bem em frente à maior lanchonete do bairro Lote XV, a Maracanã. É um ponto estratégico.

Os donos da banca são três irmãos. Eles mesmo parecem saídos de alguma história do Thor. São grandes e metem medo. Mas são simpáticos e falantes, com excessão do terceiro que fica na banca no turno da tarde. É mais quieto e carrancudo e um tanto diferente fisicamente dos outros dois, apesar de também ser grande. Por sorte só venho no turno dos caras legais.

Já compro com eles há um bom tempo, desde que comecei a trabalhar aqui perto. Já estão acostumados à minha presença, quase como se eu fizesse parte da equipe. A Kombi branca também é uma parte de toda essa paisagem febril da manhã. Quando chego perto quase sou atropelado por garotos indo embora com sua remessa de jornais. Fico num canto esperando que tudo termine e eles comecem a arrumar o que tenha chegado de quadrinhos. Há dias que não chega nada, mas vale a pena estar ali naquele turbilhão. Porém, quando um dos irmãos me vê, olha pra mim e diz:

- Ainda vai demorar aqui, entra lá na Kombi e vê o que chegou!

Eu demoro a entender o que ele quis dizer com isso. A Kombi parece um território sagrado, onde não posso pisar. Sempre vejo os garotos pegando os fardos de jornal e separando, mas eles são da equipe e eu um mero observador. Ele vê minha indecisão e aponta para mim e para Kombi, como quem diz "vai logo, porra". Então eu aceito o desafio e entro no veículo. Lá dentro restam poucos jornais, mas há fardos amarrados com várias revistas, sejam elas de mulher pelada, de novelas e, entre elas, vejo os gibis. Está tudo amarrado tão fortemente que é impossível romper com as mãos. Além disso, estou tremendo.

Encontro uma tesoura jogada e uso-a para abrir os pacotes. Vou retirando as revistas que não me interessam. Ok, Playboy me interessa, mas se eu comprar uma não sobra grana para mais nada, e também não terei como esconder isso em casa. Portanto, vá para lá, Claudia Ohana. Quando penso que me enganei ao ver gibis, me deparo com a nova Heróis da TV e, procurando mais, vejo um Almanaque Disney e uma Espada Selvagem de Conan.

O movimento lá fora já cessou e os irmãos pegam as revistas que abri e levam para a banca. Eu seguro as três edições que encontrei, mas sei que só tenho dinheiro para duas delas. Escolher qual levar é a coisa mais complicada de se fazer. Saio da Kombi ainda indeciso e acho que um dos irmãos percebe isso, me olhando com uma cara engraçada.

- Vai acabar rompendo uma veia. Pode levar os três, depois você paga. Acho que tu já compra aqui a tempo suficiente para ter crédito.

Novamente pensei ter escutado mal. Tive de me controlar para não dar vexame. Disse apenas "valeu", e coloquei as revistas embaixo do braço e fui em direção ao trabalho. Já estava na minha hora. Quando atravessei a rua e estava perto da farmácia, olhei para trás, para a banca de jornal, naquele seu azul com faixas brancas pelo meio dela, e senti uma coisa estranha. Senti saudade, como se eu não tivesse atravessado apenas a rua, mas o próprio tempo, a olhasse para o passado, e soubesse que eu nunca mais teria nada igual aquilo.

Quando a sensação passou, eu funguei e pensei, que bobagem para se pensar. Mas, lembrei do sonho que tive esta noite, no qual eu escrevia em um computador que ficava em uma mesa. O que escrevia parecia ser tudo isso. Era como se o sonho se tornasse mais claro, e um dèja vu muito forte chegou a me deixar tonto. E olha que eu nem o que diabos seja um dèja vu.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Daniel HDR


"TODO MUNDO TEM SEU DIA DE FANBOY"
Ou, Daniel HDR in Rio


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A Liga Hanna-Barbera de Daniel HDR

Dois fatos acontecidos recentemente estavam prestes a colidir, como em uma grande saga quadrinhistíca. O primeiro deles foi o surgimento, aqui no bairro, de uma escola de quadrinhos da Impacto Quadrinhos. Criada em 1998 por Luke Ross, Klebs Jr. e outros, vem formando ilustradores de quadrinhos que desejam adentrar esse mundo emocionante da Nona Arte, ou morrer tentando. Foi uma surpresa estar indo em direção ao pet shop onde Lucy toma banho e me deparar com a escola bem ali, a duas quadras de onde moro. Surpresa sim, pois aqui no Rio de Janeiro parece não haver tanto investimento nessa área, seja em eventos ou escolas assim. A própria Rio ComiCon está de volta a dois anos, depois de 17 sem eventos dessa grandeza por essas bandas.

O segundo evento aconteceu meses depois, quando estava eu no Facebook e fui verificar os pedidos para adicionar e dei de cara com um pedido de
Daniel HDR. Ilustrador da "terceira geração de desenhistas" que começara a trabalhar no mercado americado, segundo suas próprias palavras. Trabalha para as grandes Editoras DC Marvel, Dark Horse e outras. Dono do Dínamo Estudio e professor de quadrinhos na PUCRS e, provavelmente, deve ser super-herói nas horas vagas, mas mantém a identidade secreta.



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Daniel HDR desenhando e autografando

Sim, por mais blasé que eu quisesse parecer com esse acontecimento, não teria como. Não é todo dia que alguém que trabalha com aquilo que você gosta desde criança, que se tornou criador junto com outros grandes nomes, vem e envia uma solicitação no Facebook. Eles é que recebem isso... todo dia! O meu perfil se tornou bastante conhecido por causa do compartilhamento de muitas imagens e alguns artistas andavam me adicionando para poder usar as imagens como referência. Ainda assim, foi uma surpresa.

Além de tudo o HDR interagia, coisa que mesmo pessoas que conheço há anos no mundo real não fazem. Ele agradecia quando eu compartilhava alguma arte sua ou os podcasts do qual ele participa, coisa que nem precisava. Mas, enfim, ele já se mostrava ser aquele tipo de pessoa que conhecemos vulgarmente como "gente fina".

Pois bem, esses dois acontecimentos colidiram semana passada. O Daniel já tinha me avisado, via Facebook, que ele viria ao Rio de Janeiro (ele é do Rio Grande do Sul) para um workshop na escola Impacto Quadrinhos e que em seguida ele faria uma sessão de autógrafos. O que ele autografaria? Entre outras coisas uma edição limitada de 50 unidade do pôster acima, colorido. Uma homenagem de HDR à capa clássica da Liga da Justiça de Giffen e Maguire. Bom, se eu tinha dúvidas se iria, elas acabaram ali. Eu precisava do pôster!

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Daniel HDR e um extraterrestre

Então o sábado (14/07) chegou e eu me arranquei para a General Polidoro. Subi as escadas da Impacto e me vi em uma sala de aulas sobre quadrinhos. A voz do Daniel HDR (que eu já conhecia dos podcasts) vinha do outro lado, onde várias pessoas prestavam ateção à sua palestra. Mais umas duas ou três pessoas esperavam, assim como eu, pela sessão de autógrafos. Vi que além dos posteres da Liga, haviam outros do Batman, Batgirl, Vingadores e algumas HQs. Por um momento pensei que haveria pouca gente, me esquecendo que o pessoal que assistia à palastra TAMBÉM estaria na seção de autógrafos. E, é claro, foi assim que se deu. Se bobeio ficava sem o poster.

Uma erro enorme que cometi foi não comprar o sketchbook que, só depois que a sessão começou, percebi que ganhava um desenho ali, na hora, exclusivo, feito pelo artista. Coisas de novato nessa área.

Terminado o workshop, HDR apareceu e me cumprimentou, como se já fôssemos velhos amigos e percebi que isso era apenas o jeito dele mesmo. Algo que já faz parte da sua índole, essa camaradagem. Não entrei na fila para os autógrafos, em vez disso me sentei na outra ponta da mesa e fiquei por lá, observando, escutando e conversando.

As dicas que ele dava ao alunos eram sinceras e sem se preocupar com o tempo ou com fila. Do mesmo modo os desenhos exclusivos que ele fazia em cada sketchbook eram sem pressa, com a consideração necessária para com cada fã. E eu sem o meu. Aliás, falando em sketch book, quando eu estava comprando o poster, escutava o pessoal que atendia dizer: "Quem vendeu um disquete? Quantos disquetes foram vendidos? Alguém mais quer disquete?" E eu pensando, mas que porra é essa, por que diabos estão vendendo disquetes? Aí me liguei que era o "sketch" de sketch book.

Uma coisa que ficou patente ao conhecer o HDR é como ele não é apenas o ilustrador de HQs da Marvel, DC e outras editoras de super-heróis, mas como ele ainda é leitor das mesmas. Um fã de quadrinhos exatamente igual àqueles caras que estão pegando seu autógrafo. Talvez seja pelo fato de essa ser a primeira vez que tenho um contato direto com alguém desse meio e não me dê conta de que todos os outros talvez possam ser assim também. Mas, ser desenhista e fã de quadrinhos não é garantia nenhuma de simpatia e de saber lidar com o público.

A mesa de autógrafos se transformou também em uma mesa de bate papo onde falávamos de John Byrne; de como a Estelar foi criada para despertar a libido dos leitores e depois, só de sacanagem colocaram ela para namorar o Robin; Cavaleiro das Trevas (a HQ de Frank Miller); o que se ler hoje em dia; Ponto de Ignição; cosplay; de como o volume 3 de Gerações de John Byrne publicado aqui pela Mythos fedia a merda, entre outras coisas legais que fogem à memória agora.

Eu teria ficado até o fim, mas já havia passado da hora que eu disse que voltaria pra casa e minha esposa poderia pensar que tudo que eu disse tinha sido desculpa pra dar uma escapulida. Então me despedi do camarada Daniel HDR e fui para casa. Chegando em casa, minha esposa estava jogando sinuca no Facebook, e nem moveu a cabeça quando cheguei. Não, ela não estava preocupada. Ela sabe que eu sou nerd até o último fio de cabelo.

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quarta-feira, 11 de julho de 2012

História e Glória da Dinastia Pato


HISTÓRIA E GLÓRIA DA DINASTIA PATO Ou, Como a Censura Não Poupava Nem Walt Disney

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Desde muito pequeno eu li as história em quadrinhos Disney e, desde muito pequeno, eu sabia que nem todas as histórias eram produzidas lá, nos Estados Unidos, país de Walt Disney. Por alguns códigos que a editora Abril colocava no canto da primeira página, com uma inicial e alguns números, deduzi que haviam histórias feitas no Brasil, Holanda e... Itália, entre outros países. Isso e o estilo de cada país faziam com que eu tivesse os meus preferidos, sendo os dois primeiro lugares ocupados por Brasil e Itália.

Gostava das histórias produzidas no Brasil principalmente por causa do senso de humor mais aguçado, mais nosso. O estilo de desenho também me agradava. Também havia os personagens criados apenas para nosso consumo, como o Morcego Vermelho, Biquinho (o sobrinho do Peninha) e outros que me fogem agora. Personagens como Zé Carioca e sua turma eram, obviamente, os mais produzidos por essas bandas e os mais engraçados. Havia a possibilidade de expor toda a nossa brasilidade neles.

Já os italianos me agradavam pela ação e aventura. Hoje em dia percebo que isso é herdado do pai dos patos, Carl Barks. Porém, o traço era diferente, tanto do de Carl Barks (mesmo que se percebesse uma certa influência) quanto do traço brasileiro. Havia uma certa "elasticidade", como se fossem não apenas histórias em quadrinhos, mas desenhos animados. Mesmo tão pequeno, eu saltava as páginas dos gibis Disney e ia em busca das histórias brasileiras e italianas. Algumas vezes deixando de ler as de países dos quais eu não era tão fã.

No auge da minha fissura por quadrinhos, em que eu colecionava quase tudo que saía nas bancas, adquiri a Disney Especial #100, com a compilação de História e Glória da Dinastia Pato. Era uma saga toda produzida na Itália, contando o passado glorioso dos patos mais famosos do mundo. Na época eu não me dei conta, mas havia, no meio daquilo tudo, uma história produzida no Brasil, um capítulo que parecia não bater com todo o restante. Mas isso será explicado mais adiante.

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Eu também não sabia, naquela época, e na verdade só descobri há pouco tempo, é que a saga História e Glória da Dinastia Pato estava totalmente desfigurada e mutilada graças à censura vigente desde que o Brasil vivia sob uma ditadura que vigiava tudo no que diz respeito à imprensa e tudo mais que fosse publicado por aqui, mesmo que isso viesse de outros países e não tivesse sido escrito (e/ou ilustrado) com intuito de ir contra o sistema governamental brasileiro da época.

Que isso era algo já do cotidiano gráfico pode ser constatado no livro Maria Erótica e o Clçamor do Sexo, do jornalista Gonçalo Júnior. O livro narra as dificuldade de autores brasileiros de publicar HQs num período onde o Brasil não tinha liberdade alguma. No entanto, nada se diz sobre quadrinhos estrangeiros e, além de tudo, infanto-juvenis.

Comprei os dois volumes que republicavam História e Glória da Dinastia Pato em 2009. Mas, como muita coisa que tenho, ficou guardado e só li a obra este ano. Li e fiquei estupefacto com as informações adicionais que desta vez acompanhavam a história.

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Batedor de tapete apagado. Donald não
podia bater nos sobrinhos, mas no
mundo real torturar podia

A saga produzida pelos italianos foi publicada no Brasil pela primeira vez na década de 70, espalhada pelas principais revistas mensais Disney. As informações na excelente republicação de 2009 dão conta das muitas mutilações, entre alterações de quadrinhos, cortes dos mesmo e páginas e mais páginas suprimidas. Tantas que só mesmo a ignorância de um tempo sem internet para fazer com que os leitores comprassem e lessem como se fosse algo imaculado. Afinal, que criança imaginaria que seus sireitos estariam sendo estropiados. Além do mais, para todos os efeitos, era só uma revista infantil. Porém, reflete bem a paranóia de um governo obsoleto.

No entanto, uma coisa é mais triste. O texto dos volumes de 2009 deixa transparecer que a editora Abril se adiantava à censura, e ela mesma fazia os cortes, usando de uma censura interna, talvez por receio de ter seu material recolhido das bancas ou até mesmo de serem chamados para prestar explicações sobre o conteúdo "subversivo" das suas revistas Disney. Era a paranóia gerando paranóia. No quadrinho acima pode ser visto como "artistas brasileiros apagaram da mão do Donald o batedor de tapetes com o qual ele ameaçava espancar os sobrinhos", citando o texto da própria editora Abril.

Mais capítulos tiveram quadrinhos ou suprimidos ou modificados para não conter algum tipo de "violência excessiva", como quando um dos sobrinhos enfia um pergaminho na boca de um vilão e quando um antepassado de Donald tem as cordas de seu violão cortado por uma navalha por um antepassado de Gastão. Sem contar que o título da história O Grande Toureiro seria, originalmente, O Rei da Arena, mas teve de ser modificado pois "Arena" era a sigla de Aliança Renovadora Nacional, o partido da ditadura. Não seria de bom tom termos um pato sendo o rei do mesmo. Imagine a esculhambação!

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Quando publicado a primeira vez, este capítulo
teve oito páginas cortadas

O sétimo episódio quando publicado aqui pela primeira vez chamava-se apenas "No Mississipi", quando era na verdade "Os Canhões do Mississipi". Oito páginas foram cortadas e, sem mais nem menos, a história começa no quadrinho acima, depois de uma longa perseguição de barcos. Além disso, teve algumas sequências de quadrinhos suprimidas, tudo em nome da moral e dos bons costumes, evitando que as crianças tivessem contato com a falta de ética dos personagens e seus modos politicamente incorretos. Era bom para as crianças italianas, mas não para nós. Sem falar que o mesmo - ou pior - faziam o Pica Pau, Pernalonga e Tom e Jerry, na TV, diariamente.

Mas, o desastre da censura viria mesmo no último capítulo da saga. Na última história em que somos apresentados ao jovem Tio Patinhas, a editora teve que suprimir nada menos que 18 páginas! Mais um pouco e não haveria último capítulo. As rusgas entre o pai do Tio Patinhas e o Pai de Patacôncio são retiradas, assim como o modo desonesto com que o pai de Tio Patinhas ganha seu rico dinheirinho: vendendo cães que puxam trenós, que voltam para seu antigo dono, que os vende novamente. Que feio! Sem contar que o personagem também enrola sua amada em um noivado prolongado, coisa que as criancinhas não podiam ver de jeito nenhum. A história se torna uma ruína só.

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História adicional para completar tanto corte

Chegamos à década de 80 e a Abril relança toda a saga, agora na Disney Especial #100. Porém, ainda estamos vivendo os últimos momentos da censura no Brasil e todos os cortes permanecem. São tantas páginas faltando à obra original que simplesmente ela não alcança o número de páginas que compõe um Disney Especial. A solução dos editores foi criar uma história a mais, aqui mesmo, com o pessoal da Abril, para substituir tantas páginas suprimidas pela censura. A Quinta Mosqueteira é, assim, um "apócrifo" dentro de História e Glória da Dinastia Pato, não fazendo realmente parte dela. Foi o convencional "tapa-buraco".

Nos dois volumes de 2009 a saga é publicada na sua íntegra, sem corte algum e com as cores melhoradas. Além dos já citados textos complementares. Mas, assim como os brasileiros criaram uma história a mais, os italianos resolveram também acrescentar uma história "complementar", que achei totalmente desnecessária. A Quinta Mosqueteira não está nesta republicação por não fazer parte do material original, e isso era o certo a se fazer. Porém a história a mais produzida pelos italianos também não era necessária, já que não acrescenta nada e fica parecendo que foi apenas para terem páginas suficientes para desenvolver 2 volumes e não apenas um. Sem contar que o traço, mesmo ainda sendo no estilo italiano, difere muito do traço da década de 70.

Por fim, me pergunto quantas páginas eu deixei de ler por causa de cortes da censura. Como lia muito, isso pode ascender a milhares. E eu achando que o máximo de cortes que eu veria em histórias em quadrinhos seria o beijo de Tristã e Isolda em Camelot 3000, nos idos dos formatinhos de super-heróis. Mas nunca deixamos de nos surpreender com a ignorância humana ou, como diria o Pato Donald: - QUAAAAAC?!

sábado, 7 de julho de 2012

The Amazing Spider-Man


O ESPETÁCULO DO ARACNÍDEO:
PORQUE ÀS VEZES REBOOTAR É PRECISO

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O primeiro filme do Homem-Aranha dirigido por Sam Raimi marcou época. Era a primeira vez que o aracnídeo ia para a tela grande com toda pompa e circunstância. Não era apenas uma colagem de episódios de um seriado trash da década de 70, que tinha o seu charme do tipo "já que não tem tu, vai tu mesmo", e que foi lançado nos cinemas como sendo um longa-metragem do super-herói. Não, agora era pra valer.

O segundo filme veio ainda com mais força, superando - na opinião de muitos - o primeiro. Isso talvez tenha se dado pelo fato de o vilão ser bem mais próximo visualmente daquele dos quadrinhos do que o Duende Verde do primeiro filme que parecia ter saído diretamente dos Powers Rangers. Mas, ainda assim, era tudo alegria para os fãs, mesmo com seus poréns. Até que veio o terceiro filme e a escuridão caiu sobre a Terra. Peter Parker emo, vilões até dizer chega, um pior do que o outro. Enfim, a despedida amarga de Sam Raimi e dessa fase do herói no cinema.

Tudo parecia terminado, até que os boatos do reboot, com novo diretor e novo elenco, começaram. Não me agradei do ator escolhido, não achei Ema Stone a Gwen Stacy certa, apesar de gostar da atriz (mas ela não corresponde). Não conhecia o diretor, por isso não podia emitir uma opinião. Quanto ao vilão, bom, era a única opção se quiséssemos que o reboot não reprisasse de cara os vilões dos filmes anteriores. Mas, eu sou pessimista por natureza, embora soubesse que veria esse filme no cinema como vi o primeiro e como se FOSSE o primeiro, como um bom reboot requer. E eu vi...

O filme divide opiniões e muitos acharam um sacrilégio recomeçar a franquia. Dá pra sentir em alguma vozes quase um endeusamento ao trabalho de Sam Raimi, coisa que não é bem assim. Duende Verde dos Power Rangers, não esqueçam. Mas, recomeçar é a coisa mais natural no mundo dos quadrinhos. Contar e recontar a origem de um herói também. Isso não é nenhum fim do mundo. Ok, às vezes é o fim de vários universos e realidades paralelas, eu sei. Mas, novas equipes de criação retomam o trabalho deixado por outros. Um novo "diretor" (o roteirista") assume, um novo "elenco" (o novo desenhista que traz o seu estilo aos personagens quase como se fossem novos "atores") e, de tempos em tempos, a origem dos personagens são recontadas ( no caso dos personagens da DC, toda semana).

Por isso não vi nada demais em que a origem do Homem-Aranha fosse recontada. Se fosse com um péssimo roteiro sim, seria um desastre novamente. Um novo Homem-Aranha 3. Mas o filme é coerente nessa parte. Dá nova roupagem mantendo a idéia original: aranha+picada+Peter Parker=Homem-Aranha.

Terem trazido Gwen Stacy e o disparador de teias fez com que a coisa fosse muito mais diferenciada dos filmes anteriores. Alguns reclamaram do uniforme, mas eu achei ótimo. E não é bem o uniforme que pode estragar um filme. Vide a vestimenta de todos os Batmen desde Tim Burton. Os de Cristopher Nolan faz parece que a cabeça de Bruce Wayne está dentro de um Kinder Ovo, sem contar essa coisa de armadura que sempre detestei (e não, não adianta argumentarem que é mais realista, vou continuar detestando). E, no entanto, os filmes de Nolan são pra lá de excelentes, com Kinder Ovo e tudo.

O filme tem um Homem-Aranha com mais humor que os de Sam Raimi, apesar de eu ainda achar que as piadas do aracnídeo nas telas ainda não chegam aos pés daquelas dos quadrinhos. Precisamos um Aranha mais piadista e sarcástico, que usa isso praticamente como uma de suas armas contra os vilões. Se não pode derrotá-los, irrite-os.

Mas, eu sei, vocês querem saber o que eu achei do filme, e que eu pare de enrolar (se é que há algum "vocês" aí do outro lado). Eu simplesmente adorei o filme! Me senti exatamente como me senti em 2002, estupefato. Parecia que eu estava vendo o filme do Homem-Aranha pela primeira vez, novamente, na tela grande. E acho que esse é o objetivo de um reboot (recomeço de franquia). O filme tem seus defeitos, como os anteriores também o tiveram. Não gostei do Lagarto. Afinal em 1993 tivemos "lagartos" em Jurassic Park que pareciam bem mais reais que esse de 2012! Talvez o fato ser um homem-lagarto complique mais as coisas, não sei. Mas, para esse fato de um vilão mal feito só há 5 palavras a serem ditas: Duende Verde dos Power Rangers.

O outro porém e a falta daquilo que é como o juramento dos Lanternas Verdes para o Homem-Aranha, a frase "Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades". Por um momento eu pensei que a frase seria dita pelo tio Ben na mensagem gravada no celular. Seria no mínimo inusitado. Mas não rolou. Mas, fora isso, foi um grande filme.

Emma Stone É a Gwen Stacy. A atriz foi a escolha certa, com seu jeito meigo e tudo mais. Emma, me liga, vai! Andrew Garfield por vezes parece que foi desenhado pelo próprio Steve Ditko, desenhista que, junto com Stan Lee, criou o personagem.

Também houve reclamações sobre ser um filme para adolescentes. Bom, com tanto lixo sendo feito para essa turminha que apronta todas, que ao menos sejam feitos mais filmes para eles, como este O Espetacular Homem-Aranha. Menos Crepúsculos e mais super-heróis.


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