quinta-feira, 24 de maio de 2012

Facebook ou Artbook?


FACEBOOK OU ARTBOOK
Compartilhando a paixão pela (pop) arte


Image and video hosting by TinyPic
Do artista Chris Achilleos

Muitas vezes volto no tempo e me pego sentado à mesa na sala da casa da minha avó paterna, Nenzinha. E lá estou eu folheando o livro - que hoje eu sei se chamar "artbook" - de Chris Achilléos, pertencente ao meu tio Sálvio, o caçula dos tios. Numa época sem internet, este era o meio que eu tinha para curtir a arte de um dos grandes ilustradores modernos que, inclusive, ilustrou muitas capas da revista em quadrinhos Heavy Metal. Eu não sabia de nada disso na época, apenas me extasiava com as muitas belas ilustrações daquele livro que eu folheava vez após vez, ao visitar minha avó e tios. Eu poderia me distrair jogando sinuca com meu avô ou "pescando" na velha cisterna abandonada, ou mesmo indo andar pelos trilhos de trem logo atrás da casa, mas sempre voltava ao livro. Era, até então, minha única janela para este mundo fantástico. E foi assim por muito tempo.

Dando meia volta no DeLorean chegamos ao presente e ao modo internético de se viver. Um mundo onde não faltam imagens, onde a mesa da sala é o Google e o livro é a tela do computador. Nesta era, encontrar o que tantas vezes folheei na casa de minha avó não leva mais que dois toques e Chris Acchileos está logo aqui. Mas ele se perde em meio a um mar de informação, de imagens, fotos, ilustrações e etc. Praticamente nada, neste meio, está fora do alcance. Seja o antigo ou o novo. Seja o clássico ou o comtemporêneo. Seja o Leonardo Da Vinci ou Jack Kirby.

E, por esse caminhos virtuais, eu acabei por chegar aqui. Sim, neste blog. Por ele já passou muita coisa, inclusive muitos quadrinhos digitalizados, que ficam agora por conta do Onomatopéia Digital. A minha paixão pela arte, no caso aqui a Nona Arte e o gosto por compartilhar fez com que o Rapadura Açucarada acontecesse. Depois que o blog diversificou eu passava a colocar imagens pura e simplesmente. Fossem ilustrações ou simplesmente as "belas nuas" que, de certa forma, também é arte, dependendo do modo que se vê. Porém, carregar o blog com muitas imagens sempre o deixava muito lento para os visitantes, principalmente numa época em que banda larga ainda era mais conhecida apenas como um grupo musical com muitos componentes. Então foi algo que abandonei com o tempo, deixando mais espaço para textos.

Porém, a aventura virtual nunca acaba. A cada dia surge uma novidade e, querendo ou não, uma certa metamorfose acaba acontecendo. Novas redes sociais surgiam e até mesmo "morriam", como estrelas cadentes a quem ninguém fazia mais desejos. Me filiei ao Orkut, por um curto período de tempo (que me pareceu longo, pela tortura que foi), depois ao Twitter, onde acabei percebendo que 140 caracteres eram pouco para alguém como eu.

A próxima opção, o Facebook, me era totalmente fora de questão. Eu, com minha mania de detestar coisas que entram em uma espécie de modismo desenfreado, não queria ser mais um entre "eles". Mas, isso já aconteceu outras vezes. A primeira vez foi com a onda dos blogs e vejam onde estou até hoje. Então, era inevitável que eu pulasse do Twitter para o Facebook, querendo ou não.

Os primeiros dias foram meio modorrentos (sério, isso é efeito colateral de ter lido Harry Potter). O que notei logo de saída era que os parentes todos estavam lá, ao contrário do Twitter, onde ninguém da minha família nunca apareceu. Tias, tios, primas e primos, estavam todos lá, ou então logo me encontravam. Até aí tudo bem. Eu não sabia muito para que usar, já que pouco conversava. Muitos dos que me seguiam no Twitter, me encontraram lá também, geralmente para perguntar por que saí do Twitter!

Com o passar do tempo vi as diferenças básicas entre um e outro, sendo que a maior delas era poder colocar as imagens diretamente no (meu) Facebook. Não apenas "fotinhas" como no Orkut, onde o costume era esse, mas qualquer tipo de imagem que eu quisesse (menos as pornográficas, ou as que o Facebook assim as considerasse).

Eu já usava o Tumblr para estocar todo tipo de imagem que eu queria, sem restrição a pornografia. Lá a pessoa constrói um blog que, na teoria, deveria ser como qualquer outro blog. Porém, os usuários o transformaram em uma rede social de imagens, assim como o YouTube é uma rede social de vídeos. Uma das principais fontes de imagens para o Tumblr, principalmente ilustrações de artistas profissionais e amadores, é o DevianArt
, uma rede social para os artistas e aspirantes. Eu nunca tive uma conta no segundo, mas sempre acompanhei o que lá era postado, através do Tumblr. Sendo que a vantagem do Tumblr é que ele não se limita a arte publicada no DevianArt.

Mas, a desvantagem dessas duas redes sociais é que elas estão limitadas a um número bem menor de pessoas se comparadas a um Facebook da vida. A interação também é menor, ao menos no Tumblr. No DevianArt nem tanto, mas a interação se dá mais entre as pessoas que entendem os meandros do mundo da ilustração, fotografia, escultura e etc. Não é uma obrigação, mas a pessoa entenderá melhor o que ali é dito. A vantagem disso, é que provavelmente uma "orkutização" nessas duas redes sociais não acontecerá tão cedo.

Eu já estava me acostumando ao fato de que não teria muita utilidade para o Facebook, a não ser trocar algumas palavras com amigos que conhecia do Twitter, divulgar uns scans e falar com minhas irmãs e irmãos. Nada de muito emocionante. Até o momento que pensei, "bom, por que eu não pego o que está sendo postado no Tumblr e até mesmo o que já postei, e coloco no Facebook?" Obviamente, pela liberdade que havia no Tumblr, eu teria que escolher a dedo o que poderia ir para o Facebook. E foi o que eu fiz, causando uma reação que eu não esperava mesmo.

O funcionamento do facebook é conhecido pela maioria, pelo menos os que lá tem uma conta. Mas, para quem não conhece, é simples: se você coloca um texto ou uma imagem no seu perfil e uma pessoa gosta, ela pode "curtir", que é apenas dar um clique e pronto, seu post foi curtido" e também pode ser "compartilhado", ou seja, seu post agora é visto pelas pessoas que integram (ou que seguem) a pessoa que compartilhou e assim por diante, exponencialmente. Quando comecei a colocar as ilustrações que vinham do Tumblr, isso começou a acontecer mais rapidamente. E as pessoas que viam aquelas imagens pediam para que eu as adiocnasse ao meu perfil, para poderem já estar na fonte das mesmas. Não seria nada demais até aí.

O que aconteceu, que considerei algo exdtraordinário foi que artistas em busca de imagens para referências ou inspiração, começaram a me adicionar também. Alguns eu creio que já estavam lá antes mesmo desse "boom", mas eu simplesmente não sabia que eram ilustradores, como no caso de Silvio Spotti, desenhista que trabalha para a Marvel, DC, Boom Comics e outras editoras, ilustrando desde um prequel do filme Lanterna Verde, até quadrinhos Disney. E, assim como no caso do Sílvio, eu conversava com outras pessoas sem saber que eram artistas daquilo que mais gosto de ler, quadrinhos. No caso, o divertido Alan Yango, que depois de muita distração, descobri que era autor da revista em quadrinhos O Poderoso Maximus, a qual a capa está abaixo.

Image and video hosting by TinyPic
O Poderoso Maximus, de Alan Yango

Image and video hosting by TinyPic
Prof. Pardal por Silvio Spotti

E a coisa toda não queria parar, como eu colocava (e coloco) imagens diariamente, uma verdadeira teia estava sendo montada, onde mais e mais pessoas, em pontos cada vez mais distantes, estavam acessando meu perfil. Até mesmo roteiristas consagrados vieram parar ali, como Ataíde Braz e Gian Danton, autores de quadrinhos como Mulher-Diaba no Rastro de Lampião e Exploradores do Desconhecido, respectivamente.

Pessoas que também compartilhavam imagens do mesmo modo que eu, passaram a me adicionar também. Entre elas está Jussara Lanzelotti, cartunista cujo pai foi um grande ilustrador e quadrinista, José Lanzellotti, especialista em quadrinizar romances e a vida de personagens da história brasileira. E mais e mais pessoas iam chegando. Logo também me dei conta de que amigos virtuais meus, de longa data, eram ilsutradores e eu nunca tinha prestado a atenção merecida. Estavam todos ali, como por exemplo, Léo Gonçalves, Léo Duarte, Jardel Cruz, Akemy Hayashi e sabe-se lá quantos outros minha memória está deixando de lado.

Além disso tudo estava acontecendo muito rápido. Uma inundação de pessoas de outros países, fossem artistas amadores ou não. Me adicionavam pessoas da Índia, Irã, Egito, México, Filipinas, Estados Unidos, e tantos outros que não há como listar ou saber exatamente. E, outro efeito colateral estava acontecendo por causa das imagens: muitas pessoas me adicionavam achando que eu era o ilustrador das mesmas. Algumas me pediam dicas de como melhorar seu desempenho, como fez uma garota mexicana, outras me pediam para ajudar a escolher uma ilustração para uma tatuagem e outros queriam até emprego! Chegava a ser engraçado.

Continuo colocando imagens quase todos os dias. Apenas quando o Facebook me põe de castigo por causa de uma imagem mais sensual é que fico mais quieto. Mas não paro. É difícil ser obediente a certas regras estreitas do mundo virtual. Mas a gente tenta. Gosto de como tudo ganhou essa dimensão. De que as pessoas com talento gostem de acompanhar o que compartilho, e gosto de estar "perto" de pessoas que fazem aquilo que mais gosto, arte, principalmente se for quadrinhos. As surpresas são boas também.

Duas das maiores foi quando o desenhista Daniel HDR que, além de ilustrador de HQs nas principais editoras americanas é professor no Estudio Dinamo me adicionou. E outra foi quando o desenhista italiano Roberto Zaghi, que ilustra as aventuras do fumetti Julia Kendall, fez o mesmo. Não deixa de ser algo interessante, vir de um tempo em que eu apenas podia folhear um livro de ilustrações, em uma mesa na sala da casa de minha avó, para um tempo em que não apenas vejo as ilustrações dos artistas, mas posso conversar com algum deles. Vai que o Chris Achilléos resolva aparecer e eu acabe contando essa história para ele?

Image and video hosting by TinyPic
Ilustração de Daniel HDR

Image and video hosting by TinyPic
Julia Kendal de Roberto Zaghi

Image and video hosting by TinyPic
Ilustração da querida amiga, Akemy Hayashi

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Bebel


A HISTÓRIA DE BEBEL, E COMO
SE TORNOU NOSSA HISTÓRIA


Image and video hosting by TinyPic

A história de Bebel começa há oito anos atrás, quando ela foi levada, ainda novinha, para a escola onde minha esposa trabalha como professora. Somo casados há um pouco mais que isso e eu nunca havia ouvido falar em Bebel alguma. Até este ano.

Quando adquirimos Lucy, nossa cachorrinha, foi a primeira vez que resolvemos ter um bichinho de estimação. Em boa parte por insistência da Lia, minha esposa. Como eu já disse aqui, quando contei a história de Lucy, quando minha patroa coloca alguma coisa na cabeça, não tira até realizar. Foi assim no caso de Lucy. De repente ela cismou que queria um cachorrinho. E não parou até conseguir. Quem lê o blog sabe que me afeiçoei a Lucy talvez até mais do que a própria Lia. Não que eu não gostasse antes, apenas achava que, morando em apartamento, seria complicado ter um bichinho assim. Mas, tudo deu certo e todos ficamos felizes e assunto encerrado. Ou, ao menos, era o que eu pensava.

Já temos Lucy a dois anos, que é sua idade, e nos adaptamos a ela. Ela nos dá alegria e parece ser muito feliz conosco. Tudo estava bem tranquilo, até o momento em que ouvi pela primeira vez a frase:

- Bebel não pode me ver que vem correndo para mim.

- Hã?! Bebel? É alguma aluna? - perguntei eu.

- Não, uma gata que mora na escola.

- Mas você nem gosta de gatos, Lia!

- Mas é a Bebel!!!

Era o começo. Era onde a história de Bebel começou a ser a nossa, também. Eu já conhecia aquele jeito da Lia. Se durante oito anos eu nunca tinha ouvido falar em Bebel, nos meses seguintes isso seria sanado. Eu ouvia falar de Bebel todo santo dia. E, a cada dia, o assunto ia na direção em que eu mais temia: que devíamos trazer Bebel para morar conosco.

Novamente eu fui contra, já que havia Lucy e fazer com que as duas convivessem juntas seria difícil. Além disso, a tia da Lia, que mora com a gente, também era do contra (como também foi contra termos um cachorro e adora Lucy, hoje em dia). Tudo isso fez com que a coisa toda fosse adiada por meses. Lia parecia aceitar que o lugar de Bebel era mesmo na escola, onde fora criada. Mas, é como eu digo, só termina, quando Lia diz que acabou.

A escola mudou de direção. A pessoa que levou Bebel para a escola foi transferida e quem podia assumir a responsabilidade, era alérgica a gatos. Ainda assim, Bebel não perturbava ninguém, ficando em seu cantinho, e andando pela escola apenas durante a noite. Mas, sem a proteção de quem cuidava dela, Bebel viu seu lar ameaçado. Em uma das reuniões de professores, entre um assunto e outro, deliberaram que precisavam se livrar da gata, fosse como fosse. Não havia mais como ela continuar lá, como se Bebel fosse um animal intratável, coisa que, ao conhecê-la, vi que nao era.

Lia chegou triste em casa, abalada até , com a decisão e com o fato de que não podia fazer nada. Por mim era só trazer, e dávamos um jeito com Lucy. Mas, sua tia ainda não queria, com medo de que o apartamento ficasse apertado demais para todos. Além, claro, com medo por Lucy, também.

No dia seguinte, Lia foi para a escola, e tentava encontrar alguém que ficasse com a gata, antes que a levassem embora, sabe-se lá para onde. De vez em quando ela ligava para mim, um pouco desesperada. Entre uma ligação e outra, eu notei que a tia também sentiu que a coisa estava ruim mesmo para a gatinha e disse "ah, se a Lia quiser trazer, ela que sabe". Eu aproveitei essa chance.

Estava na hora do intervalo na escola e eu sai a todo vapor, indo para lá. Traria Bebel para morar conosco. Quando cheguei lá, procurei Lia, que se espantou com minha chegada, e eu disse que a levaria. Ela foi dizendo que alguém já se dispunha e eu disse que esquecesse isso, ela era nossa. Já era quase da família, depois de tantos meses ouvindo Lia falar dela.

Encontrei a felina na sala dos professores, em uma estante. Dócil que só ela. Deixou que eu a pegasse no colo. Achei que seria fácil levá-la nos braços. Mas, ao chegar ao portão, ela entendeu que deixaria seu lar e fez de tudo para que eu a largasse, me arranhando, mas sem grandes danos. Segurei-a e voltei com ela para a sala dos professores. Precisava de uma caixa. Por incrível que pareça, não havia caixas vazias na escola. Depois de muito procurar , Lia me deu uma, que estava em mal estado, mas teria de ser ela mesma.

Coloquei Bebel nela e a caixa dentro de um saco plástico, pois o fundo estava aberto. Não fechei o saco. Segurei a tampa, sem fechar completamente. O caminho era curto, só que nunca o havia feito carregando uma gata que não queria ir embora. Demorei uma aternidade para chegar em casa. Bebel miava, mas sem escândalo. Apenas triste. Creio que os transeuntes deviam pensar que eu estava indo me livrar dela.

Ao chegar em casa a alojei no quarto do computador, onde fico. Arranjei um berço (de boneca) pra ela, até comprar uma casinha e a apresentei à Lucy que estranhou muito de início. Ainda estranha. Mas está se acostumando aos poucos. Cada uma tem seu território, por enquanto. Lucy fica entre o ciúme (principalmente se a pegamos no colo), a curiosidade e a vontade de brincar com ela. Só que ao tentar a assusta. Mas logo as duas estarão bem entrosadas.

Isso já faz uma semana. A tia da Lia, novamente, parece aquelas avós corujas, exatamente como é com Lucy. Outra coisa que me deixou feliz, foi o fato de que Bebel tenha sido adotada por nós, e não comprada. Desde que me apeguei a Lucy, comecei a sentir o drama dos animais abandonados e me sentia culpado por não "fazer a minha parte". Tendo adotado Bebel, isso diminui um pouco.

Bebel agora tem uma casa. Na verdade, várias. Pois mora aqui e em nossos corações.

Image and video hosting by TinyPic
Lucy curiosa, mas Bebel ainda está protegida
por duas torres de gibis

Business

category2