segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Amor Não é...


O AMOR NÃO É...

O Facebook é mais uma das coisas na minha lista de coisas novas na internet que eu disse que nunca iria usar. Mais uma modinha que eu não iria aderir e que, para alegria da minha amiga Red Daughter, sempre acontece de eu não cumprir minha palavra. Mas isso é antigo, eu já era assim na época que surgiu o blog, dizendo que nunca iria aderir, e estou aqui há quase 9 anos.

Pois bem, tendo aderido ao Facebook já há uns dias, eis que me adiciona ontem, minha amiga de Twitter, sumida, Mariana Schneider. Ela entra num post meu que faz alusão à moda de dizer que "o amor não é tal coisa,. Tal coisa é isso. O amor é outra coisa". Não sei se isso começou no Twitter, nem sei se foi no Facebook, só sei que é divertido e eu escrevi alguns da minha própria autonomia, e a Mariana aceitou o desafio de me desafiar sem eu ter desafiado ela. E gerou centenas. Vou colocar aqui os melhores, começando com um inédito, exclusivo para o blog:

- O amor não é uma coisa que explode dentro do seu peito. O nome disso é alien. O amor é outra coisa! (Não vour por essa frase final nos outros porque fica cansativo e repetitivo).

- O amor não te liberta e te faz sentir um homem livre. O nome disso é alvará de soltura. (MS)

- O amor não é algo que te faz ver estrelas durante o dia. O nome disso é Mike Tyson.

- O amor não é aquela coisa que nunca sai de sua cabeça. O nome disso é caspa.

- O amor não faz brotar uma energia desconhecida dentro de você. O nome disso é Haddouken. (MS)

- O amor não é algo que te deixa impotente perante uma situação. O nome disso é chute nas bolas. (MS)

- O amor não é algo que te fortifica mais. O nome disso é Biotônico Fontoura.

- O amor não é algo que você guarda num lugar secreto que só você sabe onde está. Não, o nome disso é vibrador. (MS)

- O amor não é algo que te faz querer enferntar a tudo e a todos. O nome disso é cachaça.

- O amor não é algo que te faz sorrir o tempo todo. O nome disso é Botox. (MS)

- O amor não é algo que te faz subir pelas paredes. O nome disso é exorcismo.

- O amor não é algo que te faz andar com a outra pessoa o tempo todo na cabeça. Não, o nome disso é artista de circo.

- O amor não é algo com que você pode sempre contar. O nome disso é dedo.

- O amor não é algo que te faz sentir que encontrou o que precisava na sua vida. O nome disso é Google.

- O amor não é algo que se guarda de mais preciso. O nome disso é Smeagol. (MS)

- O amor não é algo que entra em você inesperadamente. O nome disso é garras de adamantium.

- O amor não é algo que te faz ver as coisas de modo totalmente fora do comum. Não, o nome disso é Rob Liefeld.

- O amor não é algo que te pega de jeito e te deixa elétrico. Não, o nome disso é Blanka (MS).

- O amor não é algo que te faz querer ser uma pessoa totalmente diferente do que você é. O nome disso é feiúra.

- O amor não é algo que vale mais do que dinheiro. Não, o nome disso é barra de ouro. (MS)

- O amor não é algo que te deixa grudado à outra pessoa. Não, o nome disso é Super Bonder. (MS0

- O amor não é algo que vem e toma teu coração de repente. Não, o nome disso é traficante de órgãos.

- O amor não é algo que te deixa se sentindo mais leve. Não, o nome disso é operação de redução do estômago.

- O amor não é algo que te faz superar as barreiras. Não, o nome disso é escada.

- O amor não é algo que te mata aos pouquinhos. Não, o nome disso é serial killler.

- O amor não é algo que te faz sentir moleque outra vez. Não, o nome disso é Capitão Nascimento.

- O amor não é algo que penetra em seu interior. Não, o nome disso é O.B. (MS)

- O amor não é algo que vira sua cabeça de uma hora pra outra. Não, o nome disso é Pazuzu.

- O amor não é algo que te faz sentir como se estivesse vivo novamente. Não, o nome disso é Apocalipse Zumbi.

- O amor não é algo que te deixa sem chão de repente. Não, o nome disso é verme maldito.

- O amor não é algo que enlouquece as mulheres. Não, o nome disso é Avassaladores (dig din dig din) MS

- O amor não é algo que te deixa suspirando o tempo todo. O nome disso é asma.

- O amor não é algo que te leva pra um lugar desconhecido. Não, o nome disso é balões levando padre embora.

- O amor não é algo que te faz ver tudo mais nitidamente. Não, o nome disso é sinal de HDTV.



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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Lembranças Mais Antigas


MINHAS LEMBRANÇAS MAIS ANTIGAS
Até onde minhas memórias vão



Sim, o invocadinho aí de cima sou eu. Essa é a foto mais antiga deste ser que vos escreve. Me lembrei dela quando resolvi escrever sobre minhas memórias mais antigas. E isso aconteceu devido a uma conversa que tive com a senhora que atende na banca de jornal onde costumo ir:

Perguntando sobre o neto recém-nascido dela, ela respondeu que estava bem, pois leva uma vida boa, já que é apenas um bebê. Pra completar eu disse, pena que não lembramos dessa parte de nossa vida, e disse também que minha lembrança mais antiga é essa da foto acima, eu num velocípede (parece nome de dinossauro). O assunto continuou e ela disse que sua lembrança mais antiga era o velório de seu pai. Teríamos continuado naquela conversa sobre antigas memórias se os fregueses não tivessem interrompido. Vendo que eu estava atrapalhando, me despedi e fui pra casa.

Agora a noite, pensando no que escrever aqui no blog, me peguei imaginando que escrever sobre minhas memórias mais remotas seria bem interessante. Minhas lembranças do tempo em que esta foto foi tirada, parecem se relacionar mais com o velho velocípede (ou velotrol). Lembro muito pouco de outras coisas mais. Se bem que, como se pode ver pelas pernas na foto, eu estava sempre rodeado por tios e tias e sim, lembro bastante deles, nessa época.

Algumas memórias ficam gravadas tão fortemente que posso dizer exatamente o que aconteceu, tim tim por tim tim. Uma dessas é, justamente, envolvendo meus tios. O que é hoje conhecido como "trollar", na internet, era o esporte favorito dos meus tios, no mundo real, com os sobrinhos, ou seja, nós. E nós caíamos nas pegadinhas vez após vez. Uma das preferidas deles (não lembro exatamente qual tio, são muitos), gostava de dar algo embrulhado em papel de "presente". Quando abríamos, dois pedaços de madeira pregados a um pedaço de borracha e dobrados sobre si, pulavam na nossa cara. Era uma versão caseira da caixa de onde pula cobrinhas ou um palhaço.

Pois bem, certo dia, um dos meus tios veio me entregar um presente, embrulhado mais ou menos da mesma forma. Eu, finalmente, havia aprendido e lição, e não o abri. O que fiz foi arremessar o que ele me deu tão longe quanto possível e só escutei o barulho de algo se quebrando. Não entendi como madeira e borracha podiam fazer aquele barulho e então vi que tinha feito besteira. Dessa vez era realmente um presente. Um trem movido a pilha muito bacana. Ou pelo menos era bacana, antes de eu esborrachá-lo no chão.

Outra memória envolve minhas tias - sim, eu era cobaia de todo mundo - e não sei porque, eu nunca esqueço disso. Era carnaval e onde morávamos sempre era uma festa, com as pessoas desfilando por toda a avenida do bairro Lote XV. Era muito mais que um simples bloco de rua, era algo até assustador de tão grande. Ou pelo menos era assim que parecia para uma criança.

Quando eu ia, apenas andava pra lá e pra cá, admirando toda aquela balburdia. Mas, naquele ano, minhas tias cismaram que eu ia fantasiado. Não lembro se eu tinha a roupa, mas a cara eu lembro bem, me pintaram de palhaço. Tiveram um longo trabalho me pintando e, pelo pouco que lembro, cheguei até mesmo a gostar. Ficou muito legal! Mas, algumas complicações complicaram a coisa toda.

Eu fui para a festa, todo feliz, pois estava no clima, era um deles. Porém, fazia um calor desgraçado e já era noite e, com a noite, vieram os mosquitos. Eu suava embaixo da maquiagem e os mosquitos faziam seu trabalho. Eu tentava não me coçar, mas não tinha jeito. Aquilo foi me dando uma agonia. A maquiagem foi borrando cada vez mais e mais, e minhas mãos ficavam cada vez mais sujas. A próxima coisa que me lembro, sou eu correndo pra cara e retirando desesperadamente a minha maquiagem de palhaço.

Uma outra lembrança, tão remota que parece sonho, é de minha mãe me levando para visitar minha irmã caçula que estava internada, com pneumonia, ou algo parecido. Não faço a mínima idéia do porque minha mãe me levava junto, já que não levava meus outros irmãos. Talvez por eu ser o mais velho, não sei. O que sei é que a experiência era traumática. Hospitais são lugares deprimentes e, até mesmo a viagem até lá me era incômoda. Passando por linhas de trem, entrando em lugares de Duque de Caxias que eu nunca vira antes. E, para o grand finale, o hospital, com aquele seu cheiro característico. Algo que não lembro bem é se eu entrava no quarto onde minha irmã estava. Mas, se entrava, devo ter apagado isso da memória.

Mas, minha mãe sabia compensar as coisas. Uma das minhas lembranças que guardo com mais carinho é a do primeiro gibi que eu me lembro dela ter me dado. Se houve outros antes, não me lembro. Esse é o que lembro, como se fosse hoje. Eu estava em casa, quando ela chegou do trabalho e começou a tirar coisas de dentro de sua bolsa, que mais parecia a do Gato Félix, de onde saiam mais coisas do que parecia caber lá dentro. Então, de repente ela puxou um gibi e me deu. Não sei se minha mãe sabia do que eu gostava, ou se foi ela quem moldou o meu gosto, mesmo sem querer. Era um gibi d'O Mestre do Kung Fu, publicado pela Editora Vecchi, se não me engano. Quase posso lembrar das histórias que li nele.

Algumas lembranças são tão longínquas que parecem apenas um sonho que eu nunca esqueci. Uma delas é do meu pai fazendo waffles. Pelo amor de Deus, waffles? Eu comia o troço e não fazia idéia do nome, e duvido que eu conseguisse pronunciar. Mas eles estão lá, no passado, E eu lembro até mesmo do que se colocava como cobertura, era algo parecido com mel, e a marca do troço era Karo (sim, acabei de olhar na internet pra ver se o troço existiu mesmo). Lembro também do bagulho que era usado pra se fazer o tal waffle. Pra se ter uma idéia, desde aquele tempo, eu nunca mais comi esse troço. Nunca! Não lembro nem como seja o gosto, mas nunca esqueci de como meu pai sempre fazia aquilo pra nós.

Por fim, minha lembrança mais remota com relação a garotas é de minha primeira paixonite (de que tenho lembrança). Eu estudava na escolinha da Dona Osana. Não me lembro das aulas em si, me lembro apenas de sempre estarmos brincando. Quem sabe nem tínhamos aula de verdade. E havia ela. Ela a qual não lembro o nome nem o rosto, só lembro que ela era alta, muito alta. Em minhas memórias, era como se ela fosse adulta e eu criança. Mas, isso era impossível, pois ela estudava lá, comigo. Ela tinha de ser criança também. Mas, a impressão que dava era essa, de que ela era tão alta que, na verdade, era uma adulta entre nós. E eu ficava lá, apaixonado, sem saber exatamente o que era aquilo que estava acontecendo comigo, já que não fazia a mínima idéia do que era estar apaixonado.

E as lembranças são muitas. Muitas. Grande parte delas já escrevi aqui nesse blog que já dura quase nove anos. Então, imagina, são nove anos escrevendo sobre mim. Mas, muitas mereciam ser reescritas. Ou não. Me lembro vividamente da separação de meus pais, da minha primeira paixão correspondida, do primeiro beijo, de tantas e tantas coisas. E penso nas coisas que estão perdidas nas brumas do tempo (uia, em breve comentários perguntando se sou gay, por causa dessa última parte). Tantas coisas que não consigo lembrar e que, imagino, sejam algo que valeria a pena ter de volta e colocar aqui.

Mas, não devemos lamentar, e sim fabricar novas memórias pra daqui a 20, 30 anos escrever sobre elas. Portanto, deixa eu ir ali fazer algo interessante que valha a pena lembrar, como por exemplo, comer torta de chocolate com maracujá. Até mais.



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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Grandes Furadas


GRANDES FURADAS DO RAPADURA AÇUCARADA
A Action Figure Dada Não se Olha os Dentes



Ao longo dos anos como blogueiro, aqui no Rapadura Açucarada, eu adquiri alguns fãs, mesmo que eu não curta muito esse termo. Prefiro ver as pessoas que gostam do blog pelo que já foi e é, apenas como pessoas que gostam do que eu fiz (no caso dos scans) e do que faço (no caso dos textos). Ao longo dos anos também acumulei muitos causos e histórias que me furtava de contar por que, justamente, envolvia alguns desses admiradores. Porém, existem histórias que merecem ser contadas.

Provavelemente o protagonista deste evento lerá o que será escrito aqui, então quero dizer que, ao menos, vou considerar que foi tudo uma questão de boa vontade e zelo mal direcionado. Pelo menos é o que eu quero acreditar. Ainda acho que o ser humano tem salvação. Mas, vamos ao nosso conto de humor, mesmo que na época, eu nao tenha achado tanta graça:

Um desse amigos que seguiam o blog acabou sendo adicionado ao meu MSN e eu conversava com ele por várias vezes. Na época eu usava bastante o Messenger, diferente de hoje em dia e, consequentemente, adicionava várias pessoas, muitas delas para me ajudar com os scans e para fazer amizade, pura e simplesmente. Assim, meu amigo, a quem vou chamar de Senhor X, um dia me mostrou fotos de sua vasta coleção de action figures. Eu mesmo não sou um colecionador, mas como todo nerd gibimaníaco, também gosto.

Provavelmente o Senhor X notou meu entusiasmo com sua coleção e, do nada, perguntou se eu gostaria que ele me enviasse, de presente, algumas de suas action figures. Bom, o que você responderia se fosse um nerd como eu sou? Óbvio que sim, não é? Foi o que eu respondi, já visualizando meu quarto aqui repleto de incríveis action figures. E, assim sendo, o Senhor X ficou de enviar pelo correio, com todas as despesas pagas, o tal presente.

Talvez, se eu tivesse raciocinado um pouco mais, teria visto que era muito bom para ser verdade. Deveria ter pensado mais antes de dizer sim. Afinal, quem diabos sai dando parte de sua coleção para alguém apenas pelo seus belos olhos, ou no caso aqui, scans. Não era como se fossem revistas que a pessoa não queria mais, como aconteceu recentemente e recebi de bom grado, sabendo o que viria e como estariam. Neste caso aqui, era um tiro no escuro.

Como era uma encomenda comum - pois ficaria caro demais Sedex - demorou bastante para chegar, aumentando assim a minha ansiedade. Eu praticamente sonhava com as action figures (ou bonequinhos, como queira) chegando e eu extasiado. Mas a demora continuava. Depois de algumas semanas (talvez um mês, não lembro) acabou chegando a bendita caixa e meu coração estava aos pulos.

Cabe aqui dizer que de action figure, a única coisa que tive na infância, foi uma motocicleta do Capitão América, movida a fricção. Quando adulto nunca comprei devido aos preço exorbitantes, mas sempre ficava admirando nas lojas especializadas as que eram vendidas ali. Mas, comprar mesmo, só um Shrek de capacete e espada, que não lembro bem porque diabos comprei.

Uma vez ganhei uma estátua (outra variação dos action figures) do Predador. Muito bem feita, por sinal e pesada que só o inferno. Meu irmão me deu, creio que porque ele não gostava tanto assim dela. E, apesar de gostar muito do personagem, a estátua também não me agradava, não sei exatamente o porque. Acabei me desfazendo.

Assim, a chegada da caixa, fazia parecer que uma nova era no que dizia respeito às action figures havia começado. Era o início de uma coleção. Ou era o que eu pensava, até o momento em que abri a caixa.

Pisquei algumas vezes, meio incrédulo, achando que estava vendo coisas. Dentro da caixa havia um emaranhado de bonecos velhos, meio sujos, e alguns faltando partes, como um dragão, pelo que me lembro. O que mais me chamava a atenção era a quantidade. Eram muitos, mas todos partecendo prontos para ir pro lixo. A Lia olhou aquilo e caiu na gargalhada. Ela me escutou falar do bonecos o tempo todo, até a chegada dos mesmos. Quando os viu, só pôde rir mesmo. Até hoje ela me sacaneia com isso.

Depois de me recuperar, só pude deduzir uma coisa: não era que ele quisesse me dar parte de sua coleção, mas queria se desfazer do que ia jogar fora e, já que iria fazê-lo mesmo, melhor dar pra alguém que queria, como eu, por exemplo. Os detalhes eu descobriria na entrega, como aconteceu. Para não ser uma perda total, dei para Lia distribuir entre seus alunos, que não eram tão exisgentes quanto eu. Mas, ainda sobrou, e o técnico de computadores que nos atendia na época viu e quis levar para seu filho. Eu não me fiz de rogado e empurrei mais alguns pra ele.

No fim, sobrou apenas um Hellboy, que me esforcei muito em ficar. Mas o aspecto envelhecido e uma certa sujeira entranhada fazia com que o boneco apenas me irritasse. Sem falar que ele era uma lembrança constante daquela história. No fim das contas ele desapareceu por si mesmo e nunca mais o encontrei. Deve ter ido embora, voltado para o dono original, não sei.

Ah, e o Senhor X? Claro, pelo Messenger ele me perguntou o que eu achei, e eu não tinha coragem de dizer a verdade, então, sem muito entusiasmo, disse que eram lindos e maravilhosos. Não sei se ele teria percebido meu tom, mas não demorou muito e ele disse que ia comprar uma action figure do Robocop. Na verdade duas, uma pra ele e uma pra mim. Bom, eu concordei, dessa vez sem esperar nada. E, claro, não estou esperando até hoje.

Bom, talvez isso soe meio mal agradecido, mas o fato é que eu devia ter pedido mais detalhes sobre o estado dos bonecos, me aprofundado mais. Mas, quem, em sã consciência consegue raciocinar direito quando lhe é oferecido algo de graça? Quando você vai ver já está lá, aquela enorme injeção fincada bem no meio da sua testa!



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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Carros


CARROS, AUTOMÓVEIS E VEÍCULOS DE QUATRO RODAS

Lá pelos meus 20 e poucos anos eu estava trabalhando em uma serralheria, temporariamente. Era eu e um camarada um tanto quanto gordo. A serralheria ficava em uma, digamos assim, ribanceira. Na ribanceira, ele estacionava sua Kombi, virada para a descida. Não lembro bem qual era o problema com o veículo, provavelmente o freio de mão. Só sei que tínhamos de colocar um paralelepípedo para que a Kombi não descesse morro abaixo.

Lembro menos ainda o motivo que levou aos acontecimentos subsequentes. Só lembro que, por algum motivo, o dono da Kombi, meu patrão, me mandou tirar o paralelepípedo de debaixo da roda da Kombi. Tenho a mais absoluta certeza de que não faria isso se soubesse o que ia acontecer em seguida. Então, só pode ter sido uma ordem direta. Claro que já sabem o que aconteceu: a Kombi começou a descer o morro.

Fiquei olhando para aquilo, atônito. Ela foi lentamente ganhando velocidade. Eu me virei pra serralheria e o cara estava lá, distraído. Eu só disse: "ei!", e apontei pra Kombi que ia descendo. Claro que isso tudo foi mais rápido do que parece aqui. Agora, pense num gordo correndo como ele nunca correu em sua vida. Foi a coisa mais incrível que já vi na minha vida. Ela devia ter descido uns 10 metros e ele a alcançou, abriu a porta e pulou dentro, parando a Kombi. Até hoje não lembro exatamente o porque dele não me despedir.

Essa foi a única vez que pus um carro em movimento. Não sei dirigir e, para todos os efeitos, eu detesto carros. Sim, é esse o tema deste texto. Não gosto absolutamente nada de carros. São um mal necessário e, me pergunto, se tão necessários assim. Mas, coitados, os carros não são os culpados, evidentemente. Sozinhos eles não podem fazer nada. Acho que deveria dizer que odeio carros com pessoas dentro. Odeio o trãnsito, odeio motoristas e suas atitudes arrogantes, como se dirigir um carro fosse um atestado de liberdade para fazer merda.

Já fui fascinado por carros, quando garoto, como todo garoto é. O primeiro carro que lembro de ter entrado foi em uma Variant, de cor laranja, se não me engano. A Variant do Tio Jorge, ou o carro do Tio Jorge, como chamávamos. O carro parecia combinar com ele, por mais estranho que pareça. Uma Variant, naquela época, mesmo de trocentésima mão, e no lugar onde morávamos, era um sinal de status. Ao menos era assim que meu cérebro de criança pensava.

Era só o Tio Jorge apontar com a Variant e dizer que íamos sair que, num piscar de olhos, já estávamos lá dentro. Não importava o lugar para onde ir, mas sim a viagem. Eu nem mesmo saía do carro, esperando Tio Jorge voltar. Queria desfrutar de cada segundo dentro daquele troço mágico chamado carro. Assim eu me sentia em relação aos automóveis, mas apenas quando garoto. Conforme fui crescendo e tendo de enfrentar o trãnsito dentro dos ônibus, ou atravessando sinais, me dei conta de que carro é um grande pé no saco.

As notícias sobre desavenças no trãnsito, chegando mesmo ás vias de fato, ou sobre acidentes causados por pessoas embriagadas que dirigem, me deixa ainda mais convicto de que carro, para mim, não serve para nada. Infelizmente, como já disse, a necessidade de locomoção para todos, faz esse mal cada vez mais necessário. As soluções para que o trânsito seja menos problemático parecem muito distantes.

Eu nunca pensei em aprender a dirigir pelo simples fato de que, por mais que eu respeitasse as leis do trãnsito, os outros ao meu redor, poderiam não respeitar. E, mesmo um pedestre pode não saber atravessar uma rua no momento certo, como já vi acontecer. É uma série de coisas que podem dar errado. Também, meus nervos que vivem à flor da pele, não me deixariam ser um motorista tranquilo. Mas, novamente isso não é culpa dos carros em si.

Aqui em Botafogo, abriu-se uma nova rua, há algum tempo. Nela não colocaram sinal de trânsito, mas pintaram as faixas no asfalto e colocaram uma placa dizendo que a preferência é do pedestre. Que eu saiba, esse tipo de coisa não é comum por aqui. Ou seja, nossos motoristas super educados não estão acostumados a esse tipo de cortesia e, como não poderia deixar de ser, atravessar a rua é um exercício de paciência digno do Dalai Lama. E não importa se é idoso, mulher com carrinho de bebê, ou qualquer coisa do tipo. É sempre uma dificuldade. Poucos são os motoristas que param e esperam, com calma, que todos atravessem.

Com o trânsito intenso aqui da Zona Sul do Rio de Janeiro, desanimo até mesmo de tentar andar de bicicleta. Talvez, por isso, nunca fiz força para adquirir uma. E, digo, mesmo os ciclistas não são tão vítimas assim, como querem parecer. Lembro de certa vez estar indo na direção do Túnel Rebouças, a pé, e um ciclista trombou comigo, de lado. Ele caiu em cima de mim. Eu me firmei para não ser jogado ao chão e, com isso, acabei segurando-o também, que se ajeitou e foi embora pedalando, sem dizer uma única palavra, fosse ela qual fosse. Claro que, assim como os motoristas, não são todos assim.

Não gosto dos carros, não gosto do trânsito, não gosto dos motoristas e, para piorar, quando preciso me locomover, e não quero ir de ônibus, faço como a Angélica, vou de táxi, e isso, na maioria das vezes, me faz odiar os taxistas também. Muitos deles parecem simplesmente não conhecer o lugar onde trabalham, não sabem ainda o que é um GPS, ou simplesmente são trambiqueiros mesmo, fazendo percursos mais longos desnecessariamente.

Esses dias pedi que o taxista me deixasse "ao lado do Metrô", e ele passou direto da entrada que sairia lá. Pensei que ele estivesse distraído, e disse, era ali a entrada. E ele disse, "mas ali não sai no Metrô, onde você quer ficar". Eu disse, "eu não quero ficar no Metrô., Era só uma referência". O silêncio cai e você não pode fazer mais nada, a não ser que queira arrumar confusão. Já fui roubado por taxista, provavelmente ilegal; já peguei táxi dirigido por um cara de um braço só (e nem era do filme O Fugitivo), provavelmente ilegal; e já fui deixado a pé, tendo que pagar a corrida.

Mas, novamente, não são todos assim. Alguns rendem boas conversas, como o senhor que contou toda sua vida, desde que veio da Índia até suas viagens pelo Nordeste do Brasil e pelo Iraque, como professor de Arquitetura, que ao se aposentar, resolveu ser taxista. Uma vida inteira em uma corrida.

Mas, no geral, odeio carros. Porém, claro, há suas excessões. Eu teria um De Lorean, se pudesse, e ele nem precisaria voar. Provavelmente não o dirigiria, mas passaria boa parte do dia dentro dele, assistindo De Volta Para o Futuro.

Até mais, e boa viagem.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

James Cartago Estréia


JAMES CARTAGO: CRÔNICAS DE UM ESPAÇO VAZIO


James Cartago era um nômade. Alguns gostavam de designá-lo como um errático. Mas Cartago detestava este tipo de brincadeira. Vivendo no mundo e no tempo em que ele vivia, Cartago não gostava de ser como todas as outras pessoas. Afinal de contas, era o século XXVI. Ano 2577. Não havia porque se apegar a pessoas, coisas, ou lugares. O certo era estar sempre em movimento. E era isso que Cartago fazia.

Graças aos avanços tecnológicos, ele já contava 202 anos de idade, se é que sua memória não estava falhando. E, com essa idade, ele já vira quase tudo que havia pra se ver. Mas, Cartago sabia, o Universo estava sempre pronto a nos surpreender com alguma coisa nova, fosse ela boa ou má. Singela ou caótica. Bastava virar em um quasar diferente e tudo podia mudar, ser novo, assustador, estupefaciante, se é que existia tal palavra.

Era com estes pensamentos em sua mente arredia que James Cartago viajava pelos escombros tecnológicos de uma Cidade-Arquivo. As cidades-arquivo foram um idéia imbecil que, quando não deu certo, foram destruídas sem dó nem piedade. Pelo menos não morreu ninguém. Pelo menos ninguém que fizesse alguma diferença para a Humanidade em geral. Ninguém lamentou o fim das cidades-arquivo. Mas, cartago gostava delas. Conseguia boas coisas por lá, mesmo que, às vezes, tivesse que travar o bom combate com outros pilhadores, mesmo que ele não se denominasse como um. Cartago era um colecionador. Ou gostava de pensar em si mesmo desse modo.

Chovia fino, mas constante, dando um ar mais sombrio a todo aqueles prédios entulhados. Cartago deslizava serenamente com sua hoverbike, pouco se importando se estava molhado até os ossos. Gripes e resfriados já não existiam a pelo menos 86 anos. Coisinhas persistentes que eram. Nem o cãncer foi tão difícil de se erradicar. Na garupa da hover, Cartago levava seu fiel amigo Spike. Cabe aqui um adendo, cartago sabia que Spike era um nome óbvio demais para um cão, mas o diacho do cachorro tinha cara de Spike!

Ele parecia um pastor alemão, mas Cartago achava que ele era apenas um vira-lata metido a besta. E, talvez por isso, gostasse tanto daquele cão. Não importava o que você era na vida, ma o que você queria ser. Spike era assim. Um pastor alemão, o mundo querendo ou não. Suas pernas traseiras eram biônicas há um bom tempo, e Cartago detestava lembrar o acidente que o obrigou a colocá-las no cão. Na verdade, um dos olhos do cachorro também era biônico. Mas isso era comum. Os humanos e animais de estimação tinha mais partes mecânicas que um liquidificador. Aquelas coisas que trituravam comida. Lembra?

Cartago mesmo tinha o braço direito biônico e 3 dedos da mão esquerda. Esses membros não davam superforça, como nos hiperfilmes que se fazia aos montes. Não que não existissem, mas apenas a polícia e outros agentes da lei podiam usufruir de tais tecnologias. Ah, e claro, alguns criminosos. Mas a falta de conhecimento sobre como utilizar tais coisas, levava geralmente um criminoso a acabar arrancando algum outro membro do corpo, geralmente algum não-recuperável. Cartago não dava a mínima para superforça, ele sabia se virar bem. Armas não rastreáveis, era tudo de que precisava.

Estacionou próximo ao prédio onde lembrava de ter visto o que estava precisando. Deixou Spike vigiando a hoverbike, que ganiu, meio insatisfeito. Spike ganiu, não a hoverbike. Cartago subiu os degraus - era bem estranho existir lugares que ainda tinham degraus - pois não queria gastar energia do e-Teleporte. Nem energia, nem pulsos. Era caro se teleportar pela interweb.

Claro que ao chegar ao andar certo, 16 andares acima, Cartago parecia ter 300 quilos em cada perna. O ruim de tanta tecnologia é que você esquece que seu corpo ainda precisa se movimentar constantemente. Mesmo Cartago, que fazia isso, sentia o peso do Admirável Mundo Novo, em cada uma das pernas. Sem pensar muito ele entrou pela porta arrombada e começou a olhar pela grande sala, onde havia todo tipo de bugiganga. As cidades-arquivo bem poderiam se chamar cidades-museu. Ali estava guardado quase tudo de quase todos os tempos passados. Mas, as pessoas não estavam nem aí para o passado. Na verdade, faziam de tudo para esquecê-lo.

Cartago conhecia pelo menos uns 15 idiomas. Uns 3 desses estava esquecidos há alguns séculos. Era o caso do português. Cartago estudou o idioma para um trabalho que precisou fazer e conseguiu reter a maior parte do que aprendeu. Quando estava fazendo a entrega de uma peça a um comprador, um dos amigos do fulano perguntou casualmente se Cartago conseguia músicas. Ele disse que isso era bem difícil. Quase impossível. Nem as cidades-arquivo continham mais esse tipo de material. Ainda mais se fosse tão antiga quanto ele imaginava que alguém daquele circulo de amizades de fulano, poderia estar querendo. Então, só para desencargo de consciência, Cartago perguntou qual era a música que ele estava querendo.

Quando o homem disse, Cartago sentiu um estranho dèja vu. O título era de uma música em português. Provavelmente do Brasil, hoje conhecido como Ágravar e que, há muito tempo, não falava português. Ele lembrou de alguma coisa. Algo que viu numa das cidades-arquivo. Não pode ter sido a música. Ninguém vê música. Mas foi algo que Cartago viu! Algo a ver com o título da música que o estranho homem velho queria.

Cartago não prometeu nada, mas disse que entraria em contato. Deixou o assunto de lado por vários meses, até que se viu indo na direção da mesma cidade-arquivo relacionada ao dèja vu. Chegando lá foi como se soubesse todo o caminho de cor. Através de toda aquela bagunça, de toda aquela quinquilharia, depois de tudo aquilo, do outro lado da enorme sala, havia uma outra porta. Na porta estava gravado o título, em português, da música que o homem velho queria.

Cartago não entendeu bem, mas foi até lá, e examinou a porta. Não havia tranca. Não havia modo de abrir. Era hermeticamente fechada. Ele a olhou por um bom tempo. Nesse momento desejou que seu braço biônico tivesse superforça. A porta não era nada frágil. Também pensava que entre ele e os 300 mil créditos prometidos pelo homem velho, estava aquela maldita porta.

Depois de refletir um pouco e de ver que apenas o título da música era o que estava na porta e mais nada, Cartago imaginou algo e resolveu pôr em prática: falou em voz alta o título: Naquela Mesa! A porta se abriu. Cartago piscou várias vezes. Várias pessoas reunidas ao redor de uma mesa, com instrumentos antiquíssimos, cantavam a tal música:

Naquela mesa ele sentava sempre
e me dizia sempre o que é viver melhor

Naquela mesa ele contava histórias
que hoje na memória eu guardo e sei de cor

Naquela mesa ele juntava gente
e contava contente o que fez de manhã
e nos seus olhos era tanto brilho
que mais que seu filho
eu fiquei seu fã

Eu não sabia que doía tanto
uma mesa num canto, uma casa e um jardim

Se eu soubesse o quanto dói a vida
essa dor tão doída, não doía assim

Agora resta uma mesa na sala
e hoje ninguém mais fala do seu bandolim
naquela mesa ta faltando ele
e a saudade dele ta doendo em mim .



Cartago só voltou a piscar quando acabou. E, quando acabou, a cena ficou estática. As pessoas imóveis. Demorou alguns segundos para ele entender que era um holograma. Uma representação de uma cena antiga. Como ela foi capturada e colocada ali, ele só podia conjecturar. A tecnologia era inexistente naquela época, claro. O problema é que tudo estava tão real, quase palpável, que... oh, meu deus. Isso são memórias! Memórias de uma pessoa.

Ele andava por entre as pessoas da cena. No estabelecimento em que estavam se lia "Bar Carioca". Ele olhava os rostos, as roupas. As pessoas jovens ou de meia idade. As mulheres mais sensuais que propriamente lindas. Uma sensualidade recatada, estranha a Cartago. A música, os intrumentos, tudo parecia trazer uma energia que pairava sobre todos, mesmo com a cena estática. Era como se a música estivesse impregnada neles, e agora em Cartago.

Cartago teve um sobressalto ao ver que um dos homens, o que estava com o instrumento de cordas, lhe era familiar. Familiar demais. Mas, se fosse verdade, o cara teria pelo menos uns 600 anos, ou mais. Mas, Cartago não queria saber. Ainda ouvia a música tocar dentro de sua cabeça. A letra fazendo sentido a cada vez que relembrava. Lembrou de seu pai. Era estranho aquilo tudo. Precisava sair dali, mas tinha de levar a música, só não sabia como.

Aquilo tudo estava armazenado em algum lugar. A música e as imagens. O velho sabia que Cartago conseguiria não apenas a música, mas as memórias dele. Memórias perdidas a 600 anos. Cartago sentia uma vontade estranha de chorar. Detestava aquilo tudo. Queria sair dali. Mas tinha de completar seu trabalho. Precisava de dinheiro. Vasculhou todo o ambiente. A tecnologia ali era avançada, nem entendia porque estava ali, jogada às traças. Algumas coisas tinha até mesmo massa. Ele podia tocar o balcão, por exemplo. Droga, onde estaria o recipiente?

Cartago estava nervoso. O homem que cantou a música parecia acompanhá-lo com os olhos. Não fazia idéia de seu nome, nem queria saber. Ele parecia repreender Cartago, como se ele estivesse roubando. Certo, ele ele estava, mas ao menos era por uma boa causa. Memórias devolvidas. Por um preço, eu sei, mas devolvidas. Cartago esbarrou com a mão em um pino, embaixo do balcão, e empurrou. Um disco do tamanho de um anel caiu em sua mão. Então toda a cena se apagou. Era o recipiente. Respirou fundo e saiu dali.

Sua mente ainda lhe pregava peças. Antes da porta voltar a se fechar pensou ter visto a cena reiniciar, e pensou ter ouvido a música, que se repetia em sua cabeça, mesmo ele tendo a ouvido apenas uma vez. Cartago achava que nunca iria esquecê-la, pelo resto de sua vida. Desceu as escadas correndo e pulou na hoverbike. Spike acordou do cochilo, ganiu e depois voltou a se acomodar. Cartago partiu.

Ele entregou a mercadoria. Resolveu não fazer perguntas e o homem velho também não perguntou se era autêntico. Ele parecia já saber. Cartago também não perguntou como ele acessaria aqueles dados. Imaginou que o equipamento para isso custaria milhões de créditos. Mas, imaginou também que o homem tivesse esses milhões. Ele pagou sem pechinchar. Estava como que hipnotizado pelo pequeno disco.

Cartago se despediu, mas antes que saisse, o homem o chamou de volta. Deu-lhe algo embalado num recipiente que parecia couro, ou algo imitando. Era grande. Cheio de curvas. Lembrava algo. O homem não deixou Cartago abrir ali. Só disse, "é seu, vale mais pra mim do que o dinheiro que paguei. Se chama violão. Você vai gostar". Havia uma alça, e Cartago o pendurou nas costas e agradeceu, desconcertado.

Quando voltou ao hover, abriu. Era o instrumento que o homem tocava, na cena do bar. Estava novo. Se era o mesmo, Cartago não saberia dizer, mas parecia. Lembrou de como o homem usava, na cena e dedilhou. A música veio logo à mente, sem precisar se esforçar. Cartago não sabia tocar, mas o fez mesmo assim, e começou a cantar:

- Naquela mesa está faltando...

Spike começou a uivar muito, muito alto. Cartago parou, olhou para Spike e disse:

- Criticar todo mundo sabe.

Nota do autor: James Cartago é um personagem que nasceu inspirado em um calçado que comprei a umas semanas, da marca Cartago. Quando cheguei em casa só acrescentei o James.

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