sábado, 10 de dezembro de 2011

A Menina Que Não Gostava de Harry Potter


TINTIN E A MENINA QUE NÃO
GOSTAVA DE HARRY POTTER


Sempre que me dá na telha eu vou até ao que eu chamo de "sebo de luxo" que fica ali no cinema Estação Sesc Rio, o Luzes da Cidade. Não é meu lugar preferido para comprar livros ou gibis. São muito caros para produtos de segunda ou terceira mão. Também só vou na intenção de encontrar alguma HQ antiga, perdida, para que eu possa, quem sabe, escanear. Mas, esse é outro problema: são pouquíssimas e jogadas num canto. Mas, sempre se pode dar a sorte de ter chegado alguma coisa "nova". Então, quando tive de ir ao supermercado, resolvi passar por lá antes.

Já era noite e eu pensava em entrar, olhar e sair. Mas, isso nunca acontece. Sempre me demoro, olhando e olhando, como se, de repente, fossem brotar alguma HQ que eu não vi antes. Quando cheguei, a primeira coisa que notei foi que o volume de material estava bem menor que da última vez que estive lá. Isso é desanimador, pois mostra que eles não se importam muito com quadrinhos.

Muitas MAD em inglês, algumas HQ da EBAL, e um emaranhado de HQs de super-heróis sem muito valor. Quando levantei mais algumas, me deparei com uma meia dúzia de álbuns do Tintin, perdidos por ali. E, nesse momento, como num passe de mágica, materializou-se atrás de mim, uma menina de uns 8 anos de idade, de cabelos pretos e magra, falando uma mistura de português e francês. Ela se adiantou a mim e pegou os álbuns, dizendo: "Eu adoro tan tan" (a pronúncia francesa para Tintin).

Fiquei surpreso com o aparecimento dela e seu interesse nos gibis de Tintin. Mais pela sua idade que qualquer outra coisa. Ela mostrava os álbuns para a mãe e o pai, falando ora em português, ora em francês. Continuei agachado procurando alguma coisa para levar, mas sem muita esperança. Ela agachou ao meu lado e continuou procurando mais álbuns do aventureiro Tintin. Vendo que ela não tinha muita força para levantar os muitos volumes acumulados, retirei-os todos do lugar e procuramos juntos.

Muito comunicativa, ela dizia o quanto sua mãe gostava de Luke Lucky, quando avistou um dos álbuns dele. E, enquanto procurávamos os álbuns, de vez em quando ela soltava algumas frases que me faziam ficar mais admirado. Do nada ela dizia: "Eu não gosto de Harry Potter". A sua pronúncia de "Harry Potter" era divertida. Aquilo me deixou sem muito o que dizer, já que não sou uma das pessoas mais comunicativas do mundo quando pessoas que não conheço conversam comigo tão naturalmente. Só consegui dizer: "Isso é bem difícil de se ver".

O que mais eu admirava era como as coisas que ela dizia, não eram arrogantes, nem afetadas, como algumas crianças que gostam de parecer adultos em miniatura fazem. Ao dizer que não gostava de Harry Potter parecia alguém que diz que não gosta de sorvete de pistache, seja lá qual seja o gosto disso. Não era uma crítica em si, apenas uma constatação. Tanto que ela não se alongou nos motivos de não gostar.

Sua mãe via a atenção que ela me dava e parecia pedir desculpas com os olhos, como quem diz "ela faz isso o tempo todo", mas não disse nada como "deixe o moço em paz, querida".

Ela já estava com uns cinco ábuns de Tintin nos braços e parecia que não íamos encontrar mais nenhum. De repente, encontrei alguma coisa que eu poderia levar. Uma minissérie completa de Glory, uma heroína da Image. Quando peguei ela deu uma olhada e sentenciou, novamente fazendo apenas uma constatação: "É de garotos". Eu quase soltei uma gargalhada. Ela continuou olhando a capa e disse: "Que horrível", se referindo aos desenhos exagerados da Image. Tentei defender o meu gosto, dizendo:

- É, o desenho é feio mesmo, exagerado. Mas olha só esse aqui - e peguei uma Vertigo da Editora Abril, com um Jonah Hex sinistro, mas bem desenhado, na capa. A reação dela foi imediata: "Horrível, também". Se referindo mais à capa ser sinistra, do que ao desenho em si. Eu estava sem opções. Deixei de lado as HQs de "garotos" e perguntei se ela ia levar mesmo todos aqueles álbuns de Tintin. Ela nem piscou ao responder que sim. E arrematou: "Hoje é meu aniversário". Novamente fui pego de surpresa e não soube o que dizer. Ela dizia tudo de uma forma tão natural, como se não fosse realmente importante, que eu não sabia como responder. O máximo que eu disse foi um "que bom".

Quando peguei as minhas HQs, ela novamente me pegou em uma pergunta: "São para seus filhos?" Não pude deixar de rir antes de responder. Ela era uma dama e, diplomaticamente estava dizendo que eu era velho demais para ler aquelas coisas mal desenhadas! Ainda sorrindo, respondi: "Não, são pra mim mesmo. Eu leio desde que tinha a sua idade". Ela pareceu achar justo.

Quando levantei, minhas pernas doíam de tanto tempo agachado. Ela riu de minhas dores e disse que também estava sentindo, se solidarizando. A atenção dela voltou-se para os DVDs que estava empilhados acima dos quadrinhos e escolhia alguns aleatoriamente. Quando vi o "Diário de Uma Princesa", peguei e disse, "Talvez você goste desse". Por incrível que pareça, ela não conhecia o filme e o pegou, olhando com uma certa estranheza. Depois de examinar por alguns segundos, soltou um "é, quem sabe". E senti em sua resposta algo como se ela detestasse estar admitindo que pudesse gostar daquela coisa feita para "garotas". O que esperar de uma menina de 8 anos que lê Tintin, filha de uma senhora que adora Luke Lucky. Eu parecia estar em uma dimensão paralela.

Havia me esquecido completamente do supermercado e, mesmo a contragosto, paguei o que peguei e me preparei para ir embora. Porém, não pude deixar de me despedir dela, que pareceu surpresa. Apertei sua mão, a de sua mãe e de seu pai. Todos tão simpáticos quanto ela. Fui para o supermercado imaginando que se eu tivesse uma filha, gostaria que fosse exatamente igual a ela. Ou ao menos parecida.

Me peguei imaginando como seria compartilhar algo tão bom como a leitura com alguém tão próximo. Ensinar, aprendendo. Bom, ao menos aprendi algo hoje. Nem tudo está perdido. Por mais medíocre que o mundo esteja se tornando, ainda há uma resistência, mesmo que pequena, na figura dos pais dessa menina. Afinal, é como numa frase que li entre as muitas que aperecem no Facebook: se fala tanto em deixar um mundo melhor para os filhos, mas e quanto a deixar filhos melhores para nosso mundo?



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domingo, 20 de novembro de 2011

9 Anos de Rapadura


NOVE ANOS DE RAPADURA SENDO AÇUCARADA

Já passou de meia-noite, portanto já é dia 21 de novembro e fazem exatamente 9 anos que, em algum momento deste dia, lá naqueles idos, eu resolvi tentar o que seria meu segundo ou terceiro blog. Os outros foram deletados depois de alguns dias. Não havia a mínima expectativa quanto a este também. Mas, não custava tentar. Com o apoio de uma galera que hoje em dia se chama Trollnet, o Rapadura Açucarada teve visitas que me animaram a continuar, mesmo eu não sabendo o que postar. Até que, em algum momento de janeiro de 2003, eu passei a colocar scans. Foi então que o blog encontrou seu público e sobreviveu este tempo todo.E, este ano, vamos deixar extamanete este público falar, neste nono aniversário, o que pensam do RA. Rapaduristas, avante:
Luca Torelli: "Com certeza o período que mais me marcou na história do RA foi a Era de Ouro dos scans! Hoje parece algo banal baixar gibis escaneados, qualquer um pode baixar o "New 52" da DC no dia de seu lançamento (para no dia seguinte falar mal da revista). Mas no início do RA não era tão fácil encontrar scans - principalmente com boa qualidade de imagem. Quando eu descobri o blog, foi sensacional. Eu tinha a disposição vários clássicos que sempre disse que iria procurar em sebos ou gibitecas, mas nunca ia atrás. Vários deles eu ainda nem li (estão na lista de espera), mas muitos outros pude ler na tela do computador, como o Monstro do Pântano e Hellblaizer. Foi com este último, aliás, que comecei minha carreira de tradutor-pirata de scans, com o auxilio do Eudes na letragem.

Por tudo isso, parabéns RA!"

João Lúcio: "Já fazem 9 anos? Parece que foi ontem, pelos meados de 2006 quando conheci o RA. E foi por meio dele que descobri o maravilhoso (e obscuro) mundo dos scans (Junto com o VertigemHQ) e consequentemente o maravilhoso mundo dos quadrinhos. Eu era estudante, 16 anos e não tinha um puto no bolso pra comprar quadrinhos então comecei a baixar e viajar. Por intermédio do RA conheci Alan Moore, Frank Miller, Neil Gaiman e todos os titãs dos quadrinhos que hoje tenho orgulho de exibir na minha prateleira (21 anos na fuça, mais que na hora de trabalhar!). E como disse uma vez: Sou um fã (não mais) anônimo do blog. E esse é meu primeiro comentário no blog depois de 5 anos, já tava mais do que na hora de dar as caras.

Sem mais delongas, parabéns ao Rapadura Açucarada e para todas as pessoas que ao longo de todos esses anos acompanham o blog. Inclusive vocês, leitores anônimos."

Rodrigo Aú: "Caraca! Acho que era 2003 ou antes, eu não sabia nem o que era blog direito. mas tava lá do trabalho na época era atendente do Velox e deixei muito cliente na linha, pra ler os scans mais acessados da rede. Era uma doideira. Acho que foi isso. O meu blog ainda continua sendo o Clube da Luta, lembra? Agora lá no blog assino como M4C4C0, mas você é de casa pode me chamar de Rodrigo qualquer dia agente se esbarra em Botafogo. Um abraço e obrigado."

David Silva: "Oi, Eudes seu blog é muito bom. Sua iniciativa permitiu a quem não teve acesso as HQ impressas, conhecer e desfrutar um pouco mais. Parabéns! e longa vida."

Nitro: "O que dizer: foi inspirado no RA que eu me aventurei nos blogs, criando o Nitroglicerina. Isso no tempo em que o RA tinha muitos scans e algumas mulheres peladas. Bons tempos! Aliás, todas as fases do RA tem o meu carinho, sempre estou aqui acompanhando. Eu invejo o tempo que tu tens pra cuidar dos blogs, eu queria ter tanto tempo assim também. Me lembro que uma vez eu postei no Nitroglicerina que tu deve possuir algum super-poder, tipo algo de parar o tempo pra poder cuidar de tudo.

Parabéns Eudes, que possamos comentar nos 20, 30, 40 anos do blog. "

Fie: "Ah, eu não lembro exatamente como conheci o Rapadura. Eu lembro de quando ele era azul (?), acho, e tinha apenas um agregado de HDs Virtuais pra HQs. Isso tem anos. Lmbro também que no meu primeiro encontro com o Rapadura eu estava exatamente procurando uma HQ (dã!), mas nem lembro qual. CHO que era Batman - Ego. Exemplar que eu tinha, mas perdi *sad*... (acho que ficou com algum amigo).

Fiquei alguns anos sem frequentar o Rapadura por que tinha me desligado das HQs, depois descobri o F.A.R.R.A e me acabei delirando de quanta coisa o povo tinha reunido. Mesmo assim não me tornei um frequentador muito ativo (menos ainda participador do fórum, nem lembro de ter feito alguma participação em tópico. ) Mais um tempo distante e quando volto descubro que o fórum foi disseminado, mas gerou vários outros blogs que frequento sem que saibam *stalker*.

Eu só queria ter participado mais de quando teve o fórum e queria ter ânimo pra entrar no novo, mas a falta costume com fóruns e de tempo é um empecilho. =) O blog atualmente ta ótimo em nível cultural. Sempre que tenho tempo eu passo pra ler as postagens. Não comento por preguiça e por que meu nível cultural em relação a livros anda muito em baixa, mas tomo nota de cada título que passa por aqui e me cativa pensando: "Quero ler esse um dia!".

Bom, não sei se tenho mais o que dizer, só posso desejar parabéns ao blog agora e esperar que ele viva mais e traga mais postagens maravilhosas pra net. Pelo menos sempre teremos um cantinho com cultura decente, né? ^^"

Questão: "Rapaz, uma das maiores emoções que tive aqui foi quando o Eudes colocou o fanfilm que coloquei no F.AR.R..A. do Questão e o fanfic escrito por mim há muitos séculos atrás, nos tempos dos downloads. Mas o mais marcate foi descobrir aqui as maravilhas e insanidades dos scans. Parabéns e muito obrigado."

Vicente Andrade: Faz tempo que curto o Rapadura, seja me deleitando com os scan (onde eu praticamente comecei a ler as revistas na web) ou curtindo os posts e textos do Eudes. Show de bola! Parabéns, Eudes. Parabéns Rapadura. Sou seu fã!"

Anônimo: "Vou te falar que eu fiquei uns 4 anos sem aparecer no RA. Agora, só tenho um comentário negativo a fazer. Você lê e lê, então lê mais um tanto, passa o dia lendo e praticando a escrita de várias formas... e ainda não aprendeu a escrever. Ainda não sabe separar sentenças, não sabe o que é uma crase, ainda erra horrivelmente palavras simples. Escuta, prezado Eudes, não dá pra finalmente se tocar?? Se você quer que alguém leia, faça um texto melhor.

Aquila Chrysaetos: "Não gosto de aparecer na net. Ponto. Mas não podia deixar de fazer meu comentário. Acompanho o blog há MUITO tempo (mais menos de 9 anos) e PARABÉNS! Como fã doente de quadrinhos, este blog é um porto seguro na minha busca de sanidade. T++"

Rhafa: "Parabéns! Acho que já faz uns 6 anos ou mais que visito o blog (na verdade aho que faz mais tempo), e descobri ele por causa dos scans que disponibilizavam. Bem antes de Jerusalem Jones. Tomara que continue por muito tempo. Valeu."

Calango 74: "Parabéns pela longevidade do Rapadura Açucarada. Só posso dizer uma coisa: a Toca do Calango nasceu inspirada no RA. Embora não tenha mantido um produção profícua de scans como você, lhe devo muito. Até hoje é o blog que mais gera visitas para a Toca. "

Merlinus: "Parabéns, Eudes. Eu acompanhava o blog no tempo que ele tinha mulher pelada e HQs. Descobri grandes HQs por aqui. Foi graças a você que descobri que existiam revistinhas para adultos. Me viciei em Sandman, Hellblazer entre outras. Depois veio a colocar filmes e foi onde consegui achar BONS filmes. Alguns inclusive que tinha desistido de achar no mundo real. Acabei me afastando um pouco daqui, se bem que visito muito o Supersônico a carvao. Mas tenho certeza que se não fosse você minha vida não seria a mesma.

Sabino: "Olá amigo Eudes, Meu nome é Sabino (o meu registro do F.A.R.R.A é Fantasma Negro, pseudonimo que você me arranjou, porque eu não conseguia fazer o registro e você me deu um help). Acompanho o Rapadura desde o começo, e foi através dele que conheci e consegui os meus primeiros scans. Sempre gostei do blog, mas a melhor fase para mim foi a do FARRA. Ali tivemos uma quantidade imensa de scans.

Mas acredito que é a sua simplicidade e seu modo de ser que mais me convence a acompanhar o blog diariamente. Você foi uma boa inspiração para toda esta geração de blogueiros que estão ai postando scans e traduzindo revistas, eu mesmo fui uma das vitima, e hoje tenho um blog (o Fantasma Brasil), pois além de baixar scans quis também dar a minha contribuição.

Parabéns pelo seu belo trabalho no Rapadura, e para mim não tem uma fase melhor. Acredito que o Rapadura teve como tudo nesta vida uma evolução e uma transformação natural. Grande abraço, e "VIDA LONGA AO RAPADURA AÇUCARADA!!!"

Senhor Fodão: "Acompanho esse blog desde os 16 anos de idade, o que significa que leio as doideiras do Eudes faz 7 anos. Uau, como o tempo voa. Posso dizer que se não fosse a existência do Rapadura Açucarada, eu não renovaria meu contato com os quadrinhos, que tinha perdido aos meus 12 anos e voltei com força total (sim, graças aos scans) aos 16.

Sem esse blog eu não saberia quem é Alan Moore, Grant Morrison, Warren Ellis e Garth Ennis, meus escritores favoritos. Na verdade, eu nem teria como comparar a qualidade deles. Ah, sem falar que os contos de ficção científica e do Jerusalem Jones são histórias que eu curto bastante também. O Eudes realmente tem um talento pra coisa. As vezes me pego lembrando de como foi legal acompanhar diariamente a evolução das traduções de Preacher nos tempos de colégio... bons tempos.

Abraços Eudes, e obrigado cara, esse blog é demais. Que venham mais 50 anos dessa maluquice! "

Ricardo: "Acho que o Rapadura foi o primeiro blog que acompanhei na internet. Uma das melhores coisas que aprendi com ele foi que, tendo qualidade, as pessoas procuram participar e ajudar. O F.AR.R.A. foi e ainda é o espaço onde amigos podem falar de coisas que gostam divergir e ainda assim manterem o respeito. É o melhor exemplo de como a internet deve ser. "

Satanika: "Agora que você deixou a gente falar, a gente fala ué! Faz muito tempo que não comento aqui, mas o RA é um blog que mora no meu coração. Os scans abriram portas para um modo de disseminar cultura que muita menina desinformada acha uma bobagem! As HQs do Sandman, Preacher, Fábulas e tantas outras marcaram os felizes anos nerds de minha vida! O RA é um marco para muita gente, e mesmo que você, caro Eudes, adoreeeeei a polêmica de resolver "fechar o blog". Jamais faça isso, o sonho não pode acabar! Estaremos por aqui nos próximos anos! Beijos a todos os amigos e ao grande mentor Eudes! ;D"

Então, é isso. Mais um aniversário, e espero estar aqui por muito tempo ainda. O RA é parte de mim e não posso negar isso. Espero que eu não tenha extraviado nenhum comentário, mas, se aconteceu. me desculpe a vítima. Uma boa noite e uma ótima segunda-feira a todos (na medida do possível, claro).

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Mês de Aniversário do RA...


E QUEM FAZ O POST É VOCÊ!

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Dia 21 o Rapadura Açucarada faz incríveis 9 anos de idade. E, sei que se eu contar mais uma vez a origem de tudo, serei fuzilado. Assim sendo, quem fará o post de aniversário do RA serão vocês. Explicando melhor:

Podem mandar comentários para este post, dando suas impressões sobre o blog desde que o conheceram. Como o blog teve muitas fases, podem comentar a fase que mais gostaram ou fazer como bem desejarem. O comentário não pode ser muito extenso para que eu possa tentar colocar todos os que forem enviados. Isso, supondo-se que serão uma quantidade razoável. Vai que apareçam apenas três.

Estes comentários enviados não serão publicados neste post aqui, mas guardados para o post do dia 21. Só será publicado neste post se o comentário não for enviado com a intenção de ser publicado no aniversário. Conte alguma experiência que teve com o blog, se ele o fez encontrar o sentido da vida, se você se casou por causa do blog, se se separou também, etc. Novamente, peço que sejam suncintos.

Se alguém preferir, também pode mandar para meu e-mail, em vez de para os comentários: eudes_norato@yahoo.com.br

P.S.: Mesmo as más impressões serão publicadas, desde que não venham recheadas de ofensas e palavrões.




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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Hipnotista


O HIPNOTISTA - LARS KEPLER
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A certa altura de O Hipnotista, as pistas sobre um sequestro tem a ver com Pokemón e sua mitologia. Sim, pode acreditar. E um livro que pega uma porcaria como Pokemón e torna uma coisa interessante, merece ser lido. Porém, antes mesmo de chegar a esse episódio do livro, eu já estava totalmente imerso na trama engendrada por Lars Kepler que, na verdade, é o pseudônimo de um casal de escritores e este é seu primeiro livro escrito em parceria.

Assim como Harry Potter trouxe atenção aos livros de fantasia infanto-juvenil; assim como Código Da Vinci trouxe atenção aos livros de conspiração envolvendo algum elemento religioso; e assim como Crepúsculo (para o bem ou para o mal) trouxe novamente os refletores para os livros de vampiros, O Hipnotista provavelmente só está entre nós graças à Trilogia Millenium, do sueco Stieg Larsson. E graças a Deus por isso.

Só um livro muito bom para fazer com que eu escreva sobre ele, logo após um post sobre livro, no caso, Eu Sou Deus. Coincidentemente, O Hipnotista é da mesma editora, a Intrínseca. Eu só notei isso depois que já havia começado a ler. E, digamos assim, o italiano Giorgio Faletti tem muito que aprender com o sueco fictício Lars Kepler.

Um livro de suspense policial é realmente bom quando ele é perturbador. Quando faz o leitor se sentir incomodado, nervoso. E O Hipnotista faz isso, quase o tempo todo! A trama começa aparentemente simples: Um homem é assassinado longe de casa e sua família també é morta. Sua esposa e uma filha pequena são trucidadas. Porém, seu filho de 15 anos, milagrosamente, sobrevive, apesar das centenas de facadas que levou.

Entra em cena o detetive da polícia, Joona Linna, que descobre existir ainda uma filha mais velha, que não estava no local. Desconfiado de que alguém quer matar a família inteira, Linna quer que o menino ferido seja hipnotizado e diga o que aconteceu na casa, tentando assim conseguir uma pista de quem seja o assassino e evitar que a filha mais velha seja assassinada. Para isso ele chama o psiquiatra Erik Maria Bark.

Porém, Bark se recusa. Devido a problemas passados ele não usa a hipnose há mais de 10 anos. No entanto, Linna é insistente e convence Bark a hipnotizar o garoto e é aí que todos os problemas de Erik Maria Bark começam. Ou, quem sabe, recomeçam.

A história do assassinato da família de Josef Ek, em si, já é assustadora. O desenrolar dela mais ainda. Mas, a hipnose do menino é o gatilho para uma trama que abrange a maior parte do livro e esta é de fundo mais pessoal para Erik Maria Bark, o hipnotista. Sem saber, ele dá início a uma busca por vingança que está ligada a seu passado. Revelar mais do que isso estragaria a leitura.

É incrível como os autores nos levam por um labirinto de tramas e personagens em que ficamos nos perguntando, como diabos eles vão costurar isso tudo para que faça sentido. Mas, uma confiança implícita permanece, já que a qualidade do livro deixa claro que certamente todo aquele emaranhado terá um desfecho coerente. E tem.

Por alguns momentos, no início prolongado do livro, parece que o hipnotista não será uma figura tão importante assim no livro em que o título leva o seu "nome". Mas, ao prosseguir a leitura nos damos conta de que tudo tem realmente a ver com ele e com o fato de a hipnose ter sido o fator principal para colocar sua vida de cabeça para baixo.

O Hipnotista é um livro que comecei a ler tranquilamente, até que, de repente, eu não queria mais largar. Queria virar a noite lendo, mas o sono me vencia. Queria logo saber tudo sobre aquela história tão incrivelmente intrincada. Podemos dizer que o livro me... hipnotizou!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Eu Sou Deus


EU SOU DEUS - GIORGIO FALETTI

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Eu gosto de literatura fast food. Muito mesmo. Gosto de Michael Crichton e seus dinossauros impossíveis de acontecerem; gosto de Dan Brown e seus delírios simbologistas. Em resumo, gosto de me divertir lendo. Uma vertente desse tipo de literatura são os livros de suspense policial. Neles, em geral, um serial killer, ou algum outro tipo de assassino, precisa ser encontrado antes que continue matando e, geralmente, é sempre uma grande surpresa a identidade do meliante. Mais ou menos o que Agatha Christie fazia, só que com mais elegância e maestria.

Entre os vários autores desse tipo de livro, temos o italiano Girogio Faletti. Já tivemos aqui, como se pode ver na capa de Eu Sou Deus, um livro seu já publicado no Brasil: Eu Mato. E.... eu li. E posso dizer, comprar Eu Sou Deus foi um ato de muita confiança, ou melhor dizendo de loucura, levando-se em conta o que achei de Eu Mato, depois que passei da metade. Vou tentar explicar melhor.

Faletti é um excelente escritor. Sua prosa é ótima e seus personagens consistentes, profundos. Em Eu Mato, ele constrói um assassino tão perfeito, que parece impossível que os heróis do livro conseguirão capturá-lo. Ele sempre está um passo...um passo, não, dois, três, a frente dos investigadores. Ele executa os assassinatos com uma incrível habilidade e técnica. Algumas das mortes nos vemos até mesmo compactuando com ele. Porém, o nosso serial killer gosta de anunciar seus crimes em uma rádio. É aí que começa todo o problema do livro.

Quando estou lá pela metade, já sei quem é o assassino e o método que ele usa para anunciar seus crimes. E, daí pra diante, a coisa só piora. É quase como se uma segunda pessoa, e não Faletti, tivesse terminado de escrever o livro. A coisa descamba para um final piegas e cheio de vergonha alheia, com um assassino frio, calculista e cruel se tornando um verdadeiro maricas, depois que é descoberto. Por isso tudo é que digo no primeiro título que Faletti é um fanfarrão.

Assim sendo, comprar Eu Sou Deus era praticamente um ato de consumismo vazio. Mas, se fosse isso, eu apenas deixaria o livro em algum canto e esqueceria dele. Mas, não, eu queria ler. Queria dar uma segunda chance a Faletti. E, posso dizer que valeu a pena. Porém, há ressalvas.

Pelo título dos dois livros podemos ver que Faleeti parece gostar de um certo padrão. Não seria nada demais, se parasse por aí. Afinal, é outro livro sobre serial killer, com um título na primeira pessoa e, bom, é do Faletti.

Não posso negar que a história é instigante. Mas, até aí, Eu Mato também era, até destrambelhar tudo. Aqui, o serial killer é, na verdade, um assassino em massa. Não posso dizer como ele mata, pois estragaria a leitura, já que a primeira parte do livro se demora bastante na história que dará origem ao assassino. Aliás, de maneira bem curiosa e inventiva, diga-se de passagem.

Faletti nos leva até a época da guerra do Vietnã e nos apresenta um amargurado soldado coberto de queimaduras, que agora é nada mais que um veterano de guerra. A história por trás de suas queimaduras, e algumas injustiças que sofreu, moldarão a sua personalidade, tornando-o um homem ainda mais amargurado e vingativo. Mas, se passarão muitos anos até que isso venha a tona. E, quando começa, entram em cena a policial Vivien Light e o fotógrafo Russell Wade. Uma improvável parceria.

Light e Wade acabam trabalhando no caso juntos devido ao fato de Wade, por um golpe do destino, acabar de posse de pistas importantes, e faz um acordo com o Capitão de polícia, para que ele acompanhe as investigações, ou ele entregará as pistas aos jornais. Começa então uma caçada pela cidade de Nova York, para encontrar alguém que resolveu se vingar de uma maneira catastrófica.

As diferenças deste para Eu Mato são importantes. Faletti não se detém tanto no assassino e ficamos mais concentrados na dupla protagonista e em seus problemas pessoais. Light tem uma irmã com Alzheimer, e uma sobrinha que está em uma instituição que ajuda viciados em drogas. Wade é um perdedor, que vive á sombra do irmão falecido, e que não consegue estar a sua altura, para ele mesmo, ou para seus pais.

Mas, é nas semelhanças com Eu Mato que Eu Sou Deus decepciona um pouco. E, o que vou dizer agora, é um spoiler se a pessoa já leu Eu Mato e não leu Eu Sou Deus: novamente consigo descobrir quem é o assassino e o porque disso evoca muito o método de Eu Mato. É igual, mesmo sendo diferente.

Porém, o assassino aqui é mais humano, e não super-humano, como o de Eu Mato, que depois se torna um banana! Assim sendo não ficamos com aquela expectativa exagerada. No fim das contas, é quase irrelevante quem seja o assassino, já que o livro é muito mais denso que isso. Engloba muito mais coisas. Mesmo assim, fica dificil de entender como Faletti é um campeão de vendas, com essas falhas. Seu próximo livro bem podia se chamar, Eu Sou Um Fanfarrão.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Zombie Walk Cpacabana


KEEP ZOMBIE WALKING EM COPACABANA

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O Apocalipse Zumbi começa no Metrô

Depois que a Dani Oliveira me lembrou, via Facebook, que a Zombie Walk/RJ era hoje, me animei em ir ao meu primeiro evento zumbapocalíptico. E queria levar minha mãe. Fui perguntar se ela estava a fim, já achando que ela diria "que diabo é isso?", mas me enganei e ela topou sem nem piscar. Vamos, sim, onde é? Foi a resposta rápida e rasteira da Dona Tiana. Como a Lia ainda está com dificuldade para longas caminhadas, teria de ser a mama mesmo a me acompanhar.

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Zumbi gatinha e Charlie Sheen Zumbi do lado esquerdo

Seguimos para Copacabana - o local do evento - de Metrô e já nos vagões os zumbis começavam a aparecer, mesmo que alguns deles estivessem se transformando durante a viagem. Ainda me aproximei deles e perguntei de onde seria a saída e me disseram que seria do Copacabana Palace. Ah, se estão se perguntando se fui caracterizado de zumbi, devo responder que não, não fui. Ainda não tenho esse desprendimento todo, ou simplesmente não tinha o material necessário. Vai saber.

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Minha mãe, uma zumbi e um matador de zumbis

Saímos na estação Siqueira Campos e o lugar estava repleto de mortos-vivos. Minha mãe, sem muita cerimônia, foi se aproximando de alguns para posar para fotos. A maioria do pessoal muito simpático e se divertindo bastante. Alguns já vieram maquiados, outros estavam terminando no caminho e alguns outros estavam fazendo ali mesmo, com pessoas que aproveitavam pra ganhar uma grana e estavam fazendo maquiagens no local. Como não levei dinheiro, nem se eu quisesse poderia me atrever a virar zumbi.

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Uma zumbi muito viva entre outras coisas

O dia estava ameno, e um vento frio soprava, vindo do mar. A caminhada era uma mistura de zumbis, pessoas que vieram apenas ver e tirar fotos (como eu), pessoas que sempre estão ali em Copacabana, crianças, cães, bicicletas e skates. Como chegamos bem no horário, seguimos com os zumbis, caminhando e nos admirando com algumas maquiagens e lamentando por outras.

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Um Stormtrooper invade a Zombie Walker

Minha mãe não se melindrava em parar um Stormtrooper e dizer (não pedir) que ia tirar uma foto com ele. Acho que se ele se negasse ela ia acabar usando A Força. Mas, tudo certo, ele topou e não aconteceu nenhum incidente jedi. Continuamos andando até onde nossas pernas aguentaram depois começamos o caminho de volta, notando que todos os zumbis da caminhada pareciam já ter chegado e não havia muitos mais chegando.

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Essa fantasia custou o olho da cara... tu dum tss

Fomos pra casa, andando, com minha mãe me contando umas histórias um tanto quanto fantásticas sobre meus bisavós. Sempre me surpreendo em como o tempo passa e eu nunca sei tudo sobre minha mãe, avós, bisavós e antepassados em geral. Mas, essa é uma outra história. Fui embora satisfeito em ter me divertido em um feriado de (quase) sol, com minha mãe, que topa qualquer parada e vendo zumbis por todo lado na minha primeira Zombie Walk, depois de tantas que já tivemos aqui no Rio. Na próxima estou lá.

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Rei do Futebol


PELEZINHO ESPECIAL: 50 ANOS DE PELÉ
Scans by Onomatopéia Digital


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Para baixar, clique aqui


Quadrinho difícil de se conseguir pra escanear são as revistas do Pelezinho. Complicado mesmo. Também não lembro se já vi alguma revista em scan durante as minhas andanças pela internet. Talvez até tenha por aí e eu apenas não tenha ido aos lugares certos. O fato é que eu mesmo nunca havia conseguido escanear nada dessa revista que fez a infância de muita gente mais feliz e mais divertida. Mesmo eu, que nem sou grande fã do jogador, gostava bastante da HQ baseada no mesmo.

Daí que, eis que estou a passear com Lucy, quando avisto, jogada entre outras tralhas, o especial aqui publicado. Era praticamente um erro na Matrix. A revista estava sendo vendida por um homem que costuma vender tudo quanto é objeto usado (muito usado), mas nunca vi nenhuma HQ. Não creio que seja sua especialidade. Desanimei um pouco ao notar que a revista estava num estado lamentável.

Peguei-a e folheei. Nem era tão antiga quanto aparentava. Apenas 21 anos. Mas pareciam 40, devido aos maus tratos recebidos. Capa amassada, algumas páginas rabiscadas a caneta esferográfica azul e muitas páginas de passatempo feitos a lápis. Ao menos eu não podia reclamar dos passatempos estarem feitos, eram pra isso mesmo. Fiquei seriamente tentado a esquecer essa bobagem de comprar e escanear. Seria um trabalho desgraçado. Mas, tudo bem, devia custar coisa de R$ 1,00 mesmo. Ou pelo menos foi o que eu pensei.

O que se espera desses vendedores de tralhas é que a tralha seja o preço de... tralha! Perguntei o preço a alguém que estava ali, na hora, mas que não era o dono. Só estava de bobeira, por ali, enquanto o dono deve ter ido mijar, ou algo assim. E ele, vendo aquele resto de revista, teve o mesmo pensamento que eu: - Deve ser R$ 1,00, isso aí. Mas, eis que chega o verdadeiro negociante, o dono do negócio e, ao ouvir seu amigo dizer o preço, logo corrige: Não é "dez real".

Eu pisquei algumas vezes, meio desnorteado. Fiquei ali por uns segundos, assimilando todas as possibilidades e, por fim, levei a revista assim mesmo, deixando os 5 reais que eu tinha comigo e disse que pagaria o restante quando passasse por ali de novo. E, sim, eu paguei. Eu sei, eu sei. Mas, não sou de pechinchar muito. Pelo que é vendido ali, imagino que os 5 reais deve ter sido o quanto ele arrecadou naquela semana.

Passada esta fase, vinha agora a mais difícil. Criar coragem para escanear 212 páginas de uma HQ enxovalhada pelo tempo e por crianças. Na verdade, escanear seria relativamente fácil, o que vem depois é que seria complicado: restaurar. Os rabiscos de caneta seriam os mais complicados. Porém, até que, levando-se em conta o estado da revista, não eram tantos quanto eu poderia esperar. Ainda assim seria trabalhoso.

Mas, eu não estava satisfeito com a pouca dificuldade: queria também apagar o que fora respondido a lápis, na sessão de passatempos, que era bem grande. Quase todos os Jogos de 7 Erros estavam respondidos. Havia cruzadas, caça-palavras, liga-pontos, e ufa, páginas para pintar que, por sorte, poucas estavam pintadas. Umas três, se não me engano. E de caneta hidrocor!

Bom, depois de 3 dias eu consegui terminar. Não ficou uma obra-prima de restauração, mas dá pro gasto. Era algo que eu precisava fazer. Afinal, depois de 8 anos fazendo scans não podia ficar com essa lacuna entre os quadrinhos que eu já havia escaneado. Pelezinho é um clássico eterno.

Para saber toda a história da publicação desta revista, leia a matéria no Universo HQ.


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sábado, 1 de outubro de 2011

A Escada Me Leva ao Topo


A ESCADA ME LEVA AO TOPO

Eu parei um instante e olhei para o horizonte. A fina chuva que caía fazia parecer que tudo dançava diante dos meus olhos. Eu sabia que não podia ficar ali parado muito tempo. Precisava continuar subindo as escadas, mesmo sem saber o que existia no fim e além dela. Quando a encontrei ali, parada no meio do nada, espiralada, subindo até onde a vista alcançava, eu tive que subir. A curiosidade humana. Agora não posso parar, nem voltar. Na verdade, não quero voltar.

Quando acordei aquela manhã, Adriana não estava mais ao meu lado. Fora embora. Esfreguei os olhos, me espreguicei. Escovei os dentes e, depois de molhar o rosto, me dei conta de que Adriana fora embora já havia mais de três anos. Mas, sempre parecia ser hoje. O passado e o presente se confundiam em minha mente. Eu não me tornara uma pessoa melhor, nem pior. Eu era a mesma pessoa, só que sem Adriana. Pensando bem, isso até que não era tão ruim assim. Sorri para o espelho e me senti um pouco idiota ao fazer isso.

Era um domingo e eu não tinha que me preocupar em ir trabalhar. Percebi que não precisava ir trabalhar quando já estava me vestindo para sair. E fiquei ali, de camisa social, cueca e meias, tentando entender o sentido da vida: café. Café era a resposta. Pelo menos era a resposta para mim. Em todas as ocasiões. Se a vida fazia algum sentido, esse sentido tinha de ser forte, como um soco de um pugilista zangado. E quente. Quente por si só. Quente por ser café. Sem pugilistas.

Afastei a cortina e uma chuva fina caía lá fora e, estranhamente parecia me convidar para segui-la. Um cheiro de terra subia, se misturando ao cheiro do café que eu estava fazendo. Aquilo me trouxe lembranças interessantes. Misturadas. Eu me via de volta a minha infância e, ao mesmo tempo, deitado de costas num gramado, com Adriana cochilando ao meu lado. Acho que ela me fazia voltar a ser criança. Talvez eu tenha sido criança demais. Ela se foi. Há três anos.

Procurei não saber se existiam motivos mais, digamos, profundos. Apenas aceitei. Sou bom em aceitar as coisas. Ela quase disse "não é você, sou eu", mas eu consegui impedi-la a tempo, dizendo que "sim, sou eu". Ela fez uma cara estranha e resolveu não discutir o assunto.

Tomei o café e prestava atenção à chuva fina, através da janela. Os pingos batiam na vidraça fazendo um barulho baixo, frequente, quase hipnotizante. A fumaça do café subia pelo meu rosto e tudo aquilo parecia meio surreal, mesmo tudo sendo tão trivial. Resolvi aceitar o convite da chuva e peguei uma jaqueta e um guarda chuva. Quem sabe andar um pouco melhorasse meu humor. Apesar de não me sentir realmente triste ou chateado, eu me sentia... diferente.

Tranquei a casa e saí. Abri o guarda chuva e uma lufada de vento repentina quase o arrancou das minhas mãos. O cheiro de terra molhada estava mais forte, como se a chuva tivesse começado naquele instante.

Fui em direção alguma. Não estava andando para ir a algum lugar, apenas queria sair um pouco, assim pensava eu. O barulho da chuva no guarda chuva parecia continuar a "conversar" comigo. Como se tentasse me dizer alguma coisa. Talvez me indicar algum caminho ou, quem sabe, me contar as novidades do dia. Sem me importar muito com aquilo, segui na direção de um descampado, onde ao longe avistei alguma coisa que eu nunca havia visto por ali antes. Não conseguia definir o que era, por isso me apressei para chegar até lá e quando cheguei mais perto, pude ver: era uma escada de ferro, em espiral, que subia ao que parecia ser o infinito.

Fiquei parado ali um instante, pensando. Devo ter passado muito tempo sem vir por estes lados e alguma empresa construiu essa escada, que não imagino realmente para que sirva, já que não há nada aqui por perto, a não ser algumas árvores. Estranhamente, sem parar para pensar, eu comecei a subir. Eu me espantei comigo mesmo por fazer aquilo. Um impuslo um tanto tolo.

E agora já devo ter subido dezenas, talvez centenas de quilômetros. Semanas? Meses? Anos? Não sei. Não senti fome, nem sede, nem necessidades de fazer um ou dois, ou qualquer número que fosse. A única necessidade, era subir.

Eu já estava até mesmo entre as próprias nuvens e, apesar de não conseguir tocá-las, podia senti-las. A chuva que me levara até ali parou durante a minha subida e reiniciou várias vezes. E ela estava aqui, novamente, agora. Uma revoada de pássaros passou por mim, e me perguntei se eles deveriam estar àquela altitude. O que me levou a próxima pergunta: por que eu não estava tendo dificuldades para respirar.

Comecei a pensar que estava num daqueles sonhos que parecem reais, em que eu costumo me questionar porque estou sonhando aquilo, como agora por exemplo. Lembro de certa vez sonhar que estava num lugar totalmente estranho para mim, com uma auto-estrada ao meu lado, na qual não passava veículo algum. Lembro de, de repente, tomar consciência de que estava num sonho. Aquilo me desesperou, pois eu não conseguia acordar. Me sentia preso, como se nunca mais fosse conseguir escapar daquele lugar estranho. Mas, não me sinto assim agora. Há uma certa paz nisso tudo.

A chuva parou, fechei o guarda chuva e continuei a subida. Não demorou muito para que, sem que eu esperasse, o fim chegasse. E foi com um certo espanto que vi que terminava sem um lugar para adentrar. Era só a escada, cortada, como que por uma lámina, ou algo parecido. Aquilo quase me fez rir. Sentei no último degrau (ou seria o primeiro?) e tentei encontrar uma solução que não fosse apenas descer tudo aquilo de volta.

Enquanto eu pensava, um certo tremor tomou conta da estrutura e, num piscar de olhos, ela começou a desabar. Tentei me segurar, só que não havia nada para isso. Assim, desabei junto com a escada. Metal e homem caindo. Era um descida longa, mas eu morreria com certeza. Se não fosse com a queda, seria com aquele monte de ferro que estava vindo na minha direção.

A força do vento, na minha descida, fazia com que meus olhos ardessem e eu não conseguia mantê-los abertos. Sentia um ou outro pedaço da estrutura me acertar e a dor parecia impedir que eu desmaiasse. E também me mostrava que aquilo era tudo real. Ao menos a dor era real.

Não sei por quanto tempo eu caí, só sei que antes que eu me estatelasse no chão, alguma coisa me agarrou e me colocou de volta ao solo. Esfreguei os olhos e tentei ver o que era, mas não havia nada em volta, a não ser pedaços da escada por todo canto. Nada fazia sentido. Então decidi apenas voltar para casa, sem questionar mais nada.

***

- Alô, senhora Adriana? Temos boas noticias. Seu marido, ele abriu os olhos, e falou algo sobre voltar para casa sem questionar mais nada. Ele saiu do coma. Sim, depois de 3 anos seu marido está de volta. A queda da escada foi muito grave, mas parece que depois de tudo, ele deve ficar bem. Sei que está emocionada, mas ele vai ficar bem.

- Doutor, eu nunca disse isso antes. Mas ele apenas impediu que eu caísse. Eu caí para trás, por cima dele quando subia a escada. Não era ele pra estar em coma, era eu.



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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Anno Dracula


ANNO DRACULA - KIM NEWMAN

Fiquei sabendo do livro Anno Dracula, de Kim Newman, devido a outro livro que comprei, com o mesmo tema: Dossiê Drácula de James Reese. Explico melhor. Quando comecei a ler Dossiê Drácula logo antipatizei com o livro que, apesar da boa premissa, mostrava-se muito burocrático pro meu gosto. A idéia de colocar Bram Stoker perseguindo Jack, O Estripador, era ótima, mas achei a narrativa extremamente chata e nem mesmo prossegui com a leitura.

Tendo essa opinião, eu a expressei no Twitter e alguém - não lembro quem - me perguntou se eu já havia lido Anno Dracula. Me disseram que a idéia era mais ou menos parecida, só que melhor. Procurei mais informações e, realmente, parecia muito melhor. Porém, eu não encontrava o livro em lugar algum. Meio escaldado por Dossiê Drácula, não fiz questão de procurar em lojas on line. O dia que aperecesse na minha frente, eu o adquiriria. E, meses depois, isso aconteceu.

Talvez eu tenha que agradecer à descoberta de Anno Dracula a duas pessoas: quem me indicou o livro no Twitter e a Stephanie Meyer (a autora da famigerada Saga de Crepúsculo). Sim, você leu certo. Afinal, Anno Dracula é um livro publicado originalmente em 1992, publicado aqui no Brasil apenas em 2009. Só posso atribuir esse súbito interesse em publicar um livro tão esquecido à febre "crepuscular". Ou seja, tudo que se refere a vampiros começou a ser publicado. E, assim, pude ler essa obra prima da literatura de entretenimento.

As três palavras que Neil Gaiman usa para descrever o livro - "refinado, brilhante, único" - resume bem o que senti ao lê-lo. Anno Dracula é um livro que diverte de uma forma refinada. O escritor cria um universo paralelo usando personagens do livro de Bram Stoker e da literatura inglesa de uma forma impressionante. Chego a me perguntar se Alan Moore não se "inspirou" nas idéias de Newman para criar sua Liga Extraordinária. Afinal, Newman parece ter até mesmo uma certa ligação com os quadrinhistas ingleses, tendo trabalhado inclusive com Neil Gaiman em um livro escrito, conjuntamente.

Anno Dracula é, primeiramente, baseado em Dracula de Bram Stoker. Newman muda o destino do vampiro, colocando-o como marido da regente da Inglaterra, a Rainha Vitória. Com isso, vampiros e humanos convivem pacificamente, ao menos sob a superfície. Muitos humanos se transformaram em vampiros por vontade própria, alguns até mesmo pagando para isso. Agora há esta nova realidade onde "quentes" (os humanos) e "renascidos" (os vampiros) forma uma nova sociedade, onde Dracula agora é o Príncipe Consorte.

A nossa história se passa três anos depois dos eventos do livro de Bram Stoker. Nesta nova realidade alguém esta matando prostitutas-vampiras e as autoridades não conseguem capturar o assassino. Conhecido como "Faca de Prata" e depois como Jack, O Estripador, o assassino não é nenhum mistério para o leitor. Seu nome é revelado logo nas primeiras páginas e ele também vem das páginas do livro de Bram Stoker.

Neste cenário, uma vampira mais antiga que o próprio Drácula - Genevieve Dieudonné - trabalha em um hospital que atende tanto humanos como vampiros. Por seus conhecimentos em medicina ela é chamada pela polícia para ajudar no caso. Logo ela vai esbarrar em Charles Beauregard, investigador convocado por um tal Clube Diógenes, formado em sua maior parte por humanos. O Clube responde à Rainha Vitória.

Drácula é citado a maior parte do tempo, mas quase não aparece. A ação é centrada em Geneviéve e Charles e em tudo que acontece com os dois, separadamente ou quando estão juntos. As motivações do Estripador também nos são mostradas, sendo que esses capítulos são narrados na primeira pessoa.

Charles e Geneviéve são personagens originais de Kim Newman e são quase os únicos. Permeiam o livro personagens da literatura inglesa e também da vida real - como o próprio Jack, O Estripador -, com direito até a citação de personagens reais do Velho Oeste. O que poderia se transformar numa colcha de retalhos sem muito sentido, nas mãos de Newman se transforma em algo novo, exatamente como quando um humano se transforma em vampiro. O livro é um clássico por si só.

Desfilam pelas páginas de Anno Drácula, a esposa de Bram Stoker (Stoker é apenas citado, assim como Sherlock Holmes), Dr. Jekyll (seu alter-ego é citado, mas não aperece), Dr. Moreau (Jekyll e Moreau aparecem em uma "cena" juntos, conversando com os protagonistas), Fu Manchu, Graf Von Orlok (sim, do filme Nosferatu. Newman não se apega apenas à literatura), e muitos outros personagens que aparecem em ação ou são apenas citados.

Os personagens (tanto os originais, quanto aqueles retirados da literatura que têm uma grande participação) são profundos, e acompanhamos não apenas suas aventuras, como também seus dramas. Talvez a personagem mais intrigante seja Geneviéve Dieudonné, uma vampira com vários séculos de idade, que foi transformada aos 16 anos e que tem sua prórpia opinião sobre Drácula e seu reinado.

Trabalhando no hospital que fica nos arredores de onde acontecem os assassinatos, Dieudonné acompanha o drama dos novos "renascidos", inclusive de crianças transformadas em vampiras, que não sabem como usar seus poderes, tentando se transformar em outros animais, como o Príncipe das Trevas faz, sem muito sucesso. Um dos capítulos mais tocantes é de Dieudonné no hospital, com uma menina-vampira.

Newman dá sua própria interpretação para os mitos que envolvem os vampiros, como a Cruz, alho, entre outros. Mas não é nada bobo, e procura não tentar dar explicações para coisas como a falta de reflexo. Como diz Dieudonné a Charles: "Talvez haja um pouco de magia".

Por fim, Anno Dracula é diferente de muitos livros que tem a intenção de entreter. Alguns livros são como aquele vinho que você compra no supermercado para beber todo, de uma vez só, sem se importar com a marca, o ano ou seja lá o que for. Livros como Anno Dracula são como aquele vinho que você compra, escolhendo cuidadosamente, pagando um pouco mais, para saborear aos poucos, sentindo cada milímetro do que está bebendo.

A única decepção com Anno Dracula não é exatamente com o livro, mas com a Editora Aleph. Na orelha somos informados que o autor ainda escreveu mais dois livros, como continuação (The Bloody Red Baron e Dracula Cha Cha Cha) e, pelo andar da carruagem (Anno Dracula foi publicado aqui em 2009), não as teremos no Brasil, pelo menos não pela Editora Aleph. Provavelmente porquê ninguém no livro brilha.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

James Cartago: Pet Sematary, Inc.


AS AVENTURAS DE JAMES CARTAGO: PET SEMATARY INC.

Desde que conheço Jack Torto ele tem aquele gato. Quer dizer, tinha. O gato está morto e por isso estou aqui em seu bar. O Torto's. Sim, vocês podem pensar que Jack tem algum problema de coluna, devido a esse seu apelido, mas não é isso. Jack também sempre teve esse bar, muito antes de ganhar esse apelido e, evidentemente, o bar tinha outro nome que não faço idéia qual seja. No entanto, toda vez que um cliente arrumava problema dentro do território de Jack,o sujeito saía do bar... torto. Não demorou para que Jack Shognaghue se tornasse Jack Torto. E, convenhamos, é melhor que Shognaghue.

Mas, voltando ao problema do gato de Jack. Desde que o conheço, ele tem esse maldito gato, velho e fedido. E agora o gato morreu e Jack me chamou para ajudá-lo. Não, eu não tenho poderes sobrenaturais que me fazem um ressuscitador de gato, mas conheço gente que pode fazer isso. E Jack Torto sabe disso. Ele quer que eu leve Shimisu - o nome do gato - até a Pet Sematary Inc. Não me pergunte o porquê da grafia errada de "cemitério" pois é um mistério para mim também. Eu chamo o lugar apenas de "Cemitério Maldito". Faz mais sentido para mim.

Sentado a uma mesa do bar, converso com Jack sobre os problemas que fizeram com que a Pet Sematary Inc., se tornasse clandestina e, praticamente invisível, não fosse pela minha rede de contatos. Digo a Jack Torto que a empresa teve problemas sérios ao "ressuscitar" outros animais de estimação e, sim, óbvio que eles iriam fazer isso, alguns humanos. O fato é que todos eles voltaram meio, digamos, diferentes. Talvez paranóicos demais. Não reconheciam o dono e os humanos não reconheciam os familiares. Para piorar, o detalhe que fez com que o Cemitério Maldito fosse fechado: eles matavam qualquer um que atravessasse seu caminho.

Mas, o que jack não sabe, e eu não quero dizer isso a ele, pois as paredes têm ouvidos (e isso não é uma figura de linguagem), é que o Cemitério Maldito não ressuscita realmente nenhum animal ou ser humano. Eles apenas clonam os dito cujos e, mesmo aqui neste século super-avançado, isso ainda não funciona direito. Tá, mas você pode dizer, e as ovelhas lá do séuclo XXI (ou seria XX?, não lembro), elas foram clonadas e não matavam ninguém. Bom, o problema aqui é o aceleramento da idade para chegar à mesma aparência que o animal ou pessoa tinha quando morreu e a ilusão de ressureição ser perfeita. Acho que isso estopora os cérebro dos espécimes.

Eu tento convencer Jack a comprar um holograma do gato, ou uma réplica andróide - que teria a vantagem de não feder tanto - mas ele não arreda pé da sua decisão. Diz que ouviu por aí que a Pet Sematary Inc. se recuperou e, mesmo clandestinamente, está funcionando cada vez melhor. Diz que o primo da irmã de um amigo de um cliente contou que sua sogra foi ressuscitada e passa bem. Eu quase abro a boca pra mostrar a falha crítica dessa história, mas desisto. Eu conheço Jack a tempo bastante para saber que ele não vai desistir até conseguir o que quer. Se ele não gastar seu dinheiro comigo, será com outro. Então eu aceito, sem saber exatamente no que isso vai dar.

Volto pra minha Ciclobyke levando o gato morto. Spyke rosna para o cadáver, mas logo para e começa a ganir, ao sentir o cheiro. Eu queria poder dizer a ele que não é o cheiro de cadáver, mas era o cheiro natural do maldito gato. Provavelmente ele federá menos ao se decompor.

Acesso os dados do ultramodem e traço uma rota até o "invisível" Cemitério Maldito. Devo chegar lá em alguns minutos. Até lá, vou praticando no instrumento quase medieval que ganhei do trabalho anterior. O tal do violão. Spyke cobre as orelhas e finge dormir.

... ...

O prédio não se parece com nada que eu já tenha visto antes. Creio que eles mudam a fachada de tempos em tempos. Ou, quem sabe, mudam o prédio inteiro. Tudo é possível. Entro carregando o cadáver dentro de um pequeno contâiner que Jack Torto pegou no bar. Não sei o quanto a Pet Sematary Inc., evoluiu, se é que evoluiu, mas tento pensar apenas na grana que vou conseguir com esse trabalho. Não imaginava que aquela espelunca rendesse tanto ao Jack. "Ressuscitar" os mortos não é barato.

Explico o que desejo à atendente-robô que diz para eu esperar que o Dr. King me atenderá em breve. Seguro uma risada quando a atendente diz "Doutor", com toda seriedade que sua programção permite. Um bando de nerds quase sem formação que se denominam "doutores", e esse King é o mais esquisito de todos. Nunca sei para onde ele está olhando. E, sim, não é a primeira vez que venho aqui. Preciso pagar as contas. Mas, para Jack eu não queria sso. Ele é meu amigo.

Me sento para esperar o tal doutor e dou uma olhada em holonotícias velhas. Mais sobre celebridades e suas futilidades que não me interessam. A demora já faz parte do atendimento aqui, mas começo a achar que está demorando muito e quando me levanto parar falar com a atendente-robô, um estrondo e um alarme começa a soar por todo o prédio, me ensurdecendo. Mais explosões vindas de algum lugar acima ou a frente, não sei. O prédio todo treme. A atendente-robô está desligada ou entrou em curto. Não sei o que está acontecendo e não sei se vou gostar de saber.

Puxo minhas armas que estavam escondidas no ciberespaço e me preparo pro que der e vier. As portas que levam ao interior do prédio estão sendo forçadas e logo o que quer que esteja acontecendo, estará bem à minha frente. E não demora muito.

Com um estrondo a porta é arrebentada e nenhum sistema de segurança está funcionando quando uma leva de homens nus, com cortes de cabelo militar, avançam na minha direção. Acerto os dois primeiros e os que vem atrás se dispersam pelos corredores adjacentes e sei que vão tentar ou sair do prédio, ou me emboscar por trás. Mas, não posso deixar isso acontecer. Escondo o contâiner com o gato em um canto qualquer e me preparo para mais. Munição eu tenho, mas sou apenas um. Onde diabos estarão os seguranças dessa joça? Algo me diz que sei a resposta.

Sinto uma mão me agarrar pelo pescoço e me puxar, então atiro para trás sem saber em que vou acertar, e a mão afrouxa e me larga. Mais um soldado morto. Outro vem logo atrás, eu atiro e outro e eu atiro. São fáceis de matar, mas são muitos. Eu aciono minhas botas e corro pelas paredes passando por cima de todos ele que, graças a Deus, não estão com suas botas militares. O andar é alto e me mantenho afastado de todos, e atirando. É uma multidão de mortos-vivos, todo andar está replet... mas que porr...?

Alguns deles estão subindo pelas paredes, usando apenas as mãos! Estão cravando os dedos na parede, que é de metal. Isso não é bom, isso não é bom. Os militares além de requisitarem o serviço clandestino do Cemitério Maldito, requisitaram também alguns aperfeiçoamentos como bônus. Supersoldados-zumbis. Que maravilha. E eu só queria um maldito gato.

Atiro nos escaladores e eles levam mais tempo e munição para serem mortos. Os que não sobem estão fazendo pilhas com os cadáveres e tentam me pegar. Morto, mas esperto. E a segurança do prédio deve ter sido mesmo exterminada. Oh, diabos, um dos soldados-zumbi achou o contâiner com o corpo do gato e está abrindo. Mas, que diacho, o gato está vivo?! Oh, droga, deve ter sido alarme falso. Agora só preciso me livrar disso aqui, pegar o gato e mentir para Jack dizendo que o gato ressusc... deixa pra lá. O soldado acaba de esmagar o gato. Filho da puta.

Eu o acerto com um disparo bem na cabeça. Esse foi com prazer. Mais escaladores. Eu corro pelas paredes, indo para o outro lado do andar. Os escaladores são lentos, mas outros me vêem por onde passo e começam a escalar também. Aparentemente eles estão presos aqui, comigo. Se tivessem conseguido romper as medidas de segurança da entrada, já teriam dado o fora. E, se saírem, será um massacre. Mas, pelo menos, serviria para alertar aos imbecis do exército, que já deveriam estar aqui pra limpar essa cagada. Mais três escaladores mortos e continuo correndo, minhas pernas doloridas devido a posição na parede.

Eu poderia tentar me webtransportar daqui, mas pra isso preciso ficar parado. Em movimento eu posso virar um feixe de dados corrompidos e nunca mais ser recuperado. E não posso parar, não daria tempo de carregar. Uploads lentos demais neste horário. Merda, um escalador quase me agarrou. Não sei mais para onde estou indo. Este andar é grande, mas deve ter um fim. E aí será o meu, também. Sinto saudades dos velhos tubos de ventilação. Eram de grande ajuda nessas horas.

Agora sim, o andar está terminando e do jeito que eu temia: num beco sem saída. E eles parecem estar me seguindo, todo o batalhão. Como se não tivessem nada melhor pra fazer, já que estão presos aqui. Acho que é o fim. Não me arrependo de nada. Tá, talvez de algumas coisas, como tatuagens em lugares inapropriados e dolorosas de serem retiradas.

Subo o máximo que posso e matenho meu corpo colado ao teto. Atiro em todos os escaladores que posso, mas essas pragas parecem estar se reproduzindo. Devem estar vindo lá de cima, em bandos. Quantos malditos soldados morreram e onde foi isso? De repente me dou conta. Todos são parecidos. São clones da mesma pessoa. Algum tipo de promoção, traga um e leve um milhão. Vou morrer nas mãos de uma tropa de clones. E Spyke será o próximo, quando esses desgraçados invadirem a garagem e... Spyke? Por todos os membros a mais da minha tia Coralina! Spyke tem um módulo de webtransporte, eu posso... eu posso saltar!

Quando o dois escaladores já estão em cima de mim, saltando para me agarrar, aperto o carregador e me faço um upload para o módulo de Spyke. A curta distãncia faz com que tudo aconteça muito rápido. Só resta lembrar que é a primeira vez que faço isso e não sei se vai funcionar como eu espero.

... ...

Sou praticamente cuspido do módulo no peito de Spyke em um download tão veloz que quase sou esmagado contra meu veículo. Caio no no chão e Spyke se assusta. Minha cabeça e meu corpo doem, como se eu tivesse sido esticado até o limite. E acho que foi isso mesmo que aconteceu, em teoria. Da garagem o trânsito é livre. Posso fugir e deixar esse problema para quem o causou: o exército. Faço uma chamada anônima que nem mesmo eles vão conseguir decodificar, informando o que está acontecendo. Estarão aqui em segundos, e eu fora daqui no mesmo tempo. Mas, antes, preciso passar em um lugar.

... ....

Depois de passar em um abrigo de animais, e ficar lá por algumas longas horas, me dirijo para o Bar de Jack Torto. Eu devia ter feito isso logo de cara, mas fui tentar dar uma de honesto e quase morro nas mãos de um bando de clones ensandecidos. O abrigo era grande e, mesmo trabalhando com alta tecologia, tive de procurar o animal a olho nu. Precisava que fosse perfeito. Alguns retoques finais no pêlo serviram para dar mais veracidade. Ah, sim, e o cheiro eu tive de sintetizar. E não foi fácil. Acho que aquele gato tinha um cheiro único.... e ruim demais. Mas, cheguei bem perto. É quase uma obra-prima. Sinto orgulho de mim mesmo.

O bicho é tão sem vida quanto o de Jack era. Parece estar morto, mesmo estando vivo. Não é de se mexer muito, mas acho que isso é típico dos gatos. Não reclama de ter sido tirado de seu habitat no abrigo e parece aceitar seu destino numa boa. Nem mesmo do cheiro ele reclama. Dinheiro fácil pro meu bolso.

Entro no bar e jack Torto corre em minha direção, e já entende que "consegui", e juro que vejo lágrimas nos olhos do grandalhão. É constrangedor. Entrego a mercadoria, ele abre o contâiner e aninha o gato nos braços. Espero mais um pouco até o momento de ternura passar e com um movimento de cabeça dou a entender que preciso ser pago. Jack saca seu passe-on e digita minha conta e a quantia exata. Recebo um alarme avisando que recebi. Todos felizes.

Me despeço e estou saindo do bar, quando ouço Jack chamar o gato pelo nome - Shimisu, meu lindo (aaargh!) - e escuto um rosnar e um grito. Olho para trás e vejo o gato voar do colo de Jack depois de ter arranhado seu rosto. Em seguida fica tudo escuro.

... ...

Alguns minutos depois estou em meu veículo, indo embora, sem meu dinheiro,e todo torto.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Clichês Marvel


SUPER CLICHÊS MARVEL


O Tocha Humana tem fogo no rabo
O Wolverine é osso duro de roer
O Hulk fica verde de inveja
O Homem Aranha tá subindo pelas paredes
O Dr. Fantástico esticou as canelas
A Mulher Invisível anda sumida
O Galactus está com a cabeça nas nuvens
O Justiceiro tá que é só a caveira
O Thor tá batendo pino
O Coisa só anda duro
O Motoqueiro Fantasma tem a cabeça quente (essa era óbvia)
O Homem de Ferro encontrou seu eu interior
O Mercúrio tá passando dos limites
O Demolidor não se enxerga
O Raio Negro entra mudo e sai calado
O Dr. Charles Xavier não vai bem das pernas
O Mestre do Kung Fu deu o golpe do baú
A Tempestade está elétrica
O Vigia anda no mundo da lua
O Noturno não tá nem aí
Nick Fury dorme com um olho aberto e o outro fechado
E O Colossus é o único que está brilhante



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sábado, 3 de setembro de 2011

Quando Mertiolate Ardia


NO TEMPO QUE MERTIOLATE ARDIA


No tempo que mertiolate ardia
Não existia bullying, mas a porrada comia
Não havia emo assim nas ruas, em plena luz do dia
E o que se sabia de rede era onde você dormia

No tempo que mertiolate fazia chorar
Não havia iPod, Ipad, nem essa coisas de twittar
Não havia facebook e você tinha de conversar
Não existia Restart tentando aprender a cantar

No tempo que mertiolate queimava
O Rubinho tava em casa e o Senna emocionava
E na Sessão da Tarde só filme bom passava
E até aquele locutor todo mundo aturava

No tempo que mertiolate era pra macho
Ninguém ficava on line com cara de tacho
Ia pra rua brincar e de noite via Cambalacho
E só pra ter como rimar, vou dizer o que eu acho

Que no tempo que mertiolate te faziar correr
Não tinha Wikipédia pra você não ter que ler
Nem Google pra te mostrar tudo que você não quer ver
Pois no tempo que mertiolate ardia, a coisa era pra valer
.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Amor Não é...


O AMOR NÃO É...

O Facebook é mais uma das coisas na minha lista de coisas novas na internet que eu disse que nunca iria usar. Mais uma modinha que eu não iria aderir e que, para alegria da minha amiga Red Daughter, sempre acontece de eu não cumprir minha palavra. Mas isso é antigo, eu já era assim na época que surgiu o blog, dizendo que nunca iria aderir, e estou aqui há quase 9 anos.

Pois bem, tendo aderido ao Facebook já há uns dias, eis que me adiciona ontem, minha amiga de Twitter, sumida, Mariana Schneider. Ela entra num post meu que faz alusão à moda de dizer que "o amor não é tal coisa,. Tal coisa é isso. O amor é outra coisa". Não sei se isso começou no Twitter, nem sei se foi no Facebook, só sei que é divertido e eu escrevi alguns da minha própria autonomia, e a Mariana aceitou o desafio de me desafiar sem eu ter desafiado ela. E gerou centenas. Vou colocar aqui os melhores, começando com um inédito, exclusivo para o blog:

- O amor não é uma coisa que explode dentro do seu peito. O nome disso é alien. O amor é outra coisa! (Não vour por essa frase final nos outros porque fica cansativo e repetitivo).

- O amor não te liberta e te faz sentir um homem livre. O nome disso é alvará de soltura. (MS)

- O amor não é algo que te faz ver estrelas durante o dia. O nome disso é Mike Tyson.

- O amor não é aquela coisa que nunca sai de sua cabeça. O nome disso é caspa.

- O amor não faz brotar uma energia desconhecida dentro de você. O nome disso é Haddouken. (MS)

- O amor não é algo que te deixa impotente perante uma situação. O nome disso é chute nas bolas. (MS)

- O amor não é algo que te fortifica mais. O nome disso é Biotônico Fontoura.

- O amor não é algo que você guarda num lugar secreto que só você sabe onde está. Não, o nome disso é vibrador. (MS)

- O amor não é algo que te faz querer enferntar a tudo e a todos. O nome disso é cachaça.

- O amor não é algo que te faz sorrir o tempo todo. O nome disso é Botox. (MS)

- O amor não é algo que te faz subir pelas paredes. O nome disso é exorcismo.

- O amor não é algo que te faz andar com a outra pessoa o tempo todo na cabeça. Não, o nome disso é artista de circo.

- O amor não é algo com que você pode sempre contar. O nome disso é dedo.

- O amor não é algo que te faz sentir que encontrou o que precisava na sua vida. O nome disso é Google.

- O amor não é algo que se guarda de mais preciso. O nome disso é Smeagol. (MS)

- O amor não é algo que entra em você inesperadamente. O nome disso é garras de adamantium.

- O amor não é algo que te faz ver as coisas de modo totalmente fora do comum. Não, o nome disso é Rob Liefeld.

- O amor não é algo que te pega de jeito e te deixa elétrico. Não, o nome disso é Blanka (MS).

- O amor não é algo que te faz querer ser uma pessoa totalmente diferente do que você é. O nome disso é feiúra.

- O amor não é algo que vale mais do que dinheiro. Não, o nome disso é barra de ouro. (MS)

- O amor não é algo que te deixa grudado à outra pessoa. Não, o nome disso é Super Bonder. (MS0

- O amor não é algo que vem e toma teu coração de repente. Não, o nome disso é traficante de órgãos.

- O amor não é algo que te deixa se sentindo mais leve. Não, o nome disso é operação de redução do estômago.

- O amor não é algo que te faz superar as barreiras. Não, o nome disso é escada.

- O amor não é algo que te mata aos pouquinhos. Não, o nome disso é serial killler.

- O amor não é algo que te faz sentir moleque outra vez. Não, o nome disso é Capitão Nascimento.

- O amor não é algo que penetra em seu interior. Não, o nome disso é O.B. (MS)

- O amor não é algo que vira sua cabeça de uma hora pra outra. Não, o nome disso é Pazuzu.

- O amor não é algo que te faz sentir como se estivesse vivo novamente. Não, o nome disso é Apocalipse Zumbi.

- O amor não é algo que te deixa sem chão de repente. Não, o nome disso é verme maldito.

- O amor não é algo que enlouquece as mulheres. Não, o nome disso é Avassaladores (dig din dig din) MS

- O amor não é algo que te deixa suspirando o tempo todo. O nome disso é asma.

- O amor não é algo que te leva pra um lugar desconhecido. Não, o nome disso é balões levando padre embora.

- O amor não é algo que te faz ver tudo mais nitidamente. Não, o nome disso é sinal de HDTV.



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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Lembranças Mais Antigas


MINHAS LEMBRANÇAS MAIS ANTIGAS
Até onde minhas memórias vão



Sim, o invocadinho aí de cima sou eu. Essa é a foto mais antiga deste ser que vos escreve. Me lembrei dela quando resolvi escrever sobre minhas memórias mais antigas. E isso aconteceu devido a uma conversa que tive com a senhora que atende na banca de jornal onde costumo ir:

Perguntando sobre o neto recém-nascido dela, ela respondeu que estava bem, pois leva uma vida boa, já que é apenas um bebê. Pra completar eu disse, pena que não lembramos dessa parte de nossa vida, e disse também que minha lembrança mais antiga é essa da foto acima, eu num velocípede (parece nome de dinossauro). O assunto continuou e ela disse que sua lembrança mais antiga era o velório de seu pai. Teríamos continuado naquela conversa sobre antigas memórias se os fregueses não tivessem interrompido. Vendo que eu estava atrapalhando, me despedi e fui pra casa.

Agora a noite, pensando no que escrever aqui no blog, me peguei imaginando que escrever sobre minhas memórias mais remotas seria bem interessante. Minhas lembranças do tempo em que esta foto foi tirada, parecem se relacionar mais com o velho velocípede (ou velotrol). Lembro muito pouco de outras coisas mais. Se bem que, como se pode ver pelas pernas na foto, eu estava sempre rodeado por tios e tias e sim, lembro bastante deles, nessa época.

Algumas memórias ficam gravadas tão fortemente que posso dizer exatamente o que aconteceu, tim tim por tim tim. Uma dessas é, justamente, envolvendo meus tios. O que é hoje conhecido como "trollar", na internet, era o esporte favorito dos meus tios, no mundo real, com os sobrinhos, ou seja, nós. E nós caíamos nas pegadinhas vez após vez. Uma das preferidas deles (não lembro exatamente qual tio, são muitos), gostava de dar algo embrulhado em papel de "presente". Quando abríamos, dois pedaços de madeira pregados a um pedaço de borracha e dobrados sobre si, pulavam na nossa cara. Era uma versão caseira da caixa de onde pula cobrinhas ou um palhaço.

Pois bem, certo dia, um dos meus tios veio me entregar um presente, embrulhado mais ou menos da mesma forma. Eu, finalmente, havia aprendido e lição, e não o abri. O que fiz foi arremessar o que ele me deu tão longe quanto possível e só escutei o barulho de algo se quebrando. Não entendi como madeira e borracha podiam fazer aquele barulho e então vi que tinha feito besteira. Dessa vez era realmente um presente. Um trem movido a pilha muito bacana. Ou pelo menos era bacana, antes de eu esborrachá-lo no chão.

Outra memória envolve minhas tias - sim, eu era cobaia de todo mundo - e não sei porque, eu nunca esqueço disso. Era carnaval e onde morávamos sempre era uma festa, com as pessoas desfilando por toda a avenida do bairro Lote XV. Era muito mais que um simples bloco de rua, era algo até assustador de tão grande. Ou pelo menos era assim que parecia para uma criança.

Quando eu ia, apenas andava pra lá e pra cá, admirando toda aquela balburdia. Mas, naquele ano, minhas tias cismaram que eu ia fantasiado. Não lembro se eu tinha a roupa, mas a cara eu lembro bem, me pintaram de palhaço. Tiveram um longo trabalho me pintando e, pelo pouco que lembro, cheguei até mesmo a gostar. Ficou muito legal! Mas, algumas complicações complicaram a coisa toda.

Eu fui para a festa, todo feliz, pois estava no clima, era um deles. Porém, fazia um calor desgraçado e já era noite e, com a noite, vieram os mosquitos. Eu suava embaixo da maquiagem e os mosquitos faziam seu trabalho. Eu tentava não me coçar, mas não tinha jeito. Aquilo foi me dando uma agonia. A maquiagem foi borrando cada vez mais e mais, e minhas mãos ficavam cada vez mais sujas. A próxima coisa que me lembro, sou eu correndo pra cara e retirando desesperadamente a minha maquiagem de palhaço.

Uma outra lembrança, tão remota que parece sonho, é de minha mãe me levando para visitar minha irmã caçula que estava internada, com pneumonia, ou algo parecido. Não faço a mínima idéia do porque minha mãe me levava junto, já que não levava meus outros irmãos. Talvez por eu ser o mais velho, não sei. O que sei é que a experiência era traumática. Hospitais são lugares deprimentes e, até mesmo a viagem até lá me era incômoda. Passando por linhas de trem, entrando em lugares de Duque de Caxias que eu nunca vira antes. E, para o grand finale, o hospital, com aquele seu cheiro característico. Algo que não lembro bem é se eu entrava no quarto onde minha irmã estava. Mas, se entrava, devo ter apagado isso da memória.

Mas, minha mãe sabia compensar as coisas. Uma das minhas lembranças que guardo com mais carinho é a do primeiro gibi que eu me lembro dela ter me dado. Se houve outros antes, não me lembro. Esse é o que lembro, como se fosse hoje. Eu estava em casa, quando ela chegou do trabalho e começou a tirar coisas de dentro de sua bolsa, que mais parecia a do Gato Félix, de onde saiam mais coisas do que parecia caber lá dentro. Então, de repente ela puxou um gibi e me deu. Não sei se minha mãe sabia do que eu gostava, ou se foi ela quem moldou o meu gosto, mesmo sem querer. Era um gibi d'O Mestre do Kung Fu, publicado pela Editora Vecchi, se não me engano. Quase posso lembrar das histórias que li nele.

Algumas lembranças são tão longínquas que parecem apenas um sonho que eu nunca esqueci. Uma delas é do meu pai fazendo waffles. Pelo amor de Deus, waffles? Eu comia o troço e não fazia idéia do nome, e duvido que eu conseguisse pronunciar. Mas eles estão lá, no passado, E eu lembro até mesmo do que se colocava como cobertura, era algo parecido com mel, e a marca do troço era Karo (sim, acabei de olhar na internet pra ver se o troço existiu mesmo). Lembro também do bagulho que era usado pra se fazer o tal waffle. Pra se ter uma idéia, desde aquele tempo, eu nunca mais comi esse troço. Nunca! Não lembro nem como seja o gosto, mas nunca esqueci de como meu pai sempre fazia aquilo pra nós.

Por fim, minha lembrança mais remota com relação a garotas é de minha primeira paixonite (de que tenho lembrança). Eu estudava na escolinha da Dona Osana. Não me lembro das aulas em si, me lembro apenas de sempre estarmos brincando. Quem sabe nem tínhamos aula de verdade. E havia ela. Ela a qual não lembro o nome nem o rosto, só lembro que ela era alta, muito alta. Em minhas memórias, era como se ela fosse adulta e eu criança. Mas, isso era impossível, pois ela estudava lá, comigo. Ela tinha de ser criança também. Mas, a impressão que dava era essa, de que ela era tão alta que, na verdade, era uma adulta entre nós. E eu ficava lá, apaixonado, sem saber exatamente o que era aquilo que estava acontecendo comigo, já que não fazia a mínima idéia do que era estar apaixonado.

E as lembranças são muitas. Muitas. Grande parte delas já escrevi aqui nesse blog que já dura quase nove anos. Então, imagina, são nove anos escrevendo sobre mim. Mas, muitas mereciam ser reescritas. Ou não. Me lembro vividamente da separação de meus pais, da minha primeira paixão correspondida, do primeiro beijo, de tantas e tantas coisas. E penso nas coisas que estão perdidas nas brumas do tempo (uia, em breve comentários perguntando se sou gay, por causa dessa última parte). Tantas coisas que não consigo lembrar e que, imagino, sejam algo que valeria a pena ter de volta e colocar aqui.

Mas, não devemos lamentar, e sim fabricar novas memórias pra daqui a 20, 30 anos escrever sobre elas. Portanto, deixa eu ir ali fazer algo interessante que valha a pena lembrar, como por exemplo, comer torta de chocolate com maracujá. Até mais.



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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Grandes Furadas


GRANDES FURADAS DO RAPADURA AÇUCARADA
A Action Figure Dada Não se Olha os Dentes



Ao longo dos anos como blogueiro, aqui no Rapadura Açucarada, eu adquiri alguns fãs, mesmo que eu não curta muito esse termo. Prefiro ver as pessoas que gostam do blog pelo que já foi e é, apenas como pessoas que gostam do que eu fiz (no caso dos scans) e do que faço (no caso dos textos). Ao longo dos anos também acumulei muitos causos e histórias que me furtava de contar por que, justamente, envolvia alguns desses admiradores. Porém, existem histórias que merecem ser contadas.

Provavelemente o protagonista deste evento lerá o que será escrito aqui, então quero dizer que, ao menos, vou considerar que foi tudo uma questão de boa vontade e zelo mal direcionado. Pelo menos é o que eu quero acreditar. Ainda acho que o ser humano tem salvação. Mas, vamos ao nosso conto de humor, mesmo que na época, eu nao tenha achado tanta graça:

Um desse amigos que seguiam o blog acabou sendo adicionado ao meu MSN e eu conversava com ele por várias vezes. Na época eu usava bastante o Messenger, diferente de hoje em dia e, consequentemente, adicionava várias pessoas, muitas delas para me ajudar com os scans e para fazer amizade, pura e simplesmente. Assim, meu amigo, a quem vou chamar de Senhor X, um dia me mostrou fotos de sua vasta coleção de action figures. Eu mesmo não sou um colecionador, mas como todo nerd gibimaníaco, também gosto.

Provavelmente o Senhor X notou meu entusiasmo com sua coleção e, do nada, perguntou se eu gostaria que ele me enviasse, de presente, algumas de suas action figures. Bom, o que você responderia se fosse um nerd como eu sou? Óbvio que sim, não é? Foi o que eu respondi, já visualizando meu quarto aqui repleto de incríveis action figures. E, assim sendo, o Senhor X ficou de enviar pelo correio, com todas as despesas pagas, o tal presente.

Talvez, se eu tivesse raciocinado um pouco mais, teria visto que era muito bom para ser verdade. Deveria ter pensado mais antes de dizer sim. Afinal, quem diabos sai dando parte de sua coleção para alguém apenas pelo seus belos olhos, ou no caso aqui, scans. Não era como se fossem revistas que a pessoa não queria mais, como aconteceu recentemente e recebi de bom grado, sabendo o que viria e como estariam. Neste caso aqui, era um tiro no escuro.

Como era uma encomenda comum - pois ficaria caro demais Sedex - demorou bastante para chegar, aumentando assim a minha ansiedade. Eu praticamente sonhava com as action figures (ou bonequinhos, como queira) chegando e eu extasiado. Mas a demora continuava. Depois de algumas semanas (talvez um mês, não lembro) acabou chegando a bendita caixa e meu coração estava aos pulos.

Cabe aqui dizer que de action figure, a única coisa que tive na infância, foi uma motocicleta do Capitão América, movida a fricção. Quando adulto nunca comprei devido aos preço exorbitantes, mas sempre ficava admirando nas lojas especializadas as que eram vendidas ali. Mas, comprar mesmo, só um Shrek de capacete e espada, que não lembro bem porque diabos comprei.

Uma vez ganhei uma estátua (outra variação dos action figures) do Predador. Muito bem feita, por sinal e pesada que só o inferno. Meu irmão me deu, creio que porque ele não gostava tanto assim dela. E, apesar de gostar muito do personagem, a estátua também não me agradava, não sei exatamente o porque. Acabei me desfazendo.

Assim, a chegada da caixa, fazia parecer que uma nova era no que dizia respeito às action figures havia começado. Era o início de uma coleção. Ou era o que eu pensava, até o momento em que abri a caixa.

Pisquei algumas vezes, meio incrédulo, achando que estava vendo coisas. Dentro da caixa havia um emaranhado de bonecos velhos, meio sujos, e alguns faltando partes, como um dragão, pelo que me lembro. O que mais me chamava a atenção era a quantidade. Eram muitos, mas todos partecendo prontos para ir pro lixo. A Lia olhou aquilo e caiu na gargalhada. Ela me escutou falar do bonecos o tempo todo, até a chegada dos mesmos. Quando os viu, só pôde rir mesmo. Até hoje ela me sacaneia com isso.

Depois de me recuperar, só pude deduzir uma coisa: não era que ele quisesse me dar parte de sua coleção, mas queria se desfazer do que ia jogar fora e, já que iria fazê-lo mesmo, melhor dar pra alguém que queria, como eu, por exemplo. Os detalhes eu descobriria na entrega, como aconteceu. Para não ser uma perda total, dei para Lia distribuir entre seus alunos, que não eram tão exisgentes quanto eu. Mas, ainda sobrou, e o técnico de computadores que nos atendia na época viu e quis levar para seu filho. Eu não me fiz de rogado e empurrei mais alguns pra ele.

No fim, sobrou apenas um Hellboy, que me esforcei muito em ficar. Mas o aspecto envelhecido e uma certa sujeira entranhada fazia com que o boneco apenas me irritasse. Sem falar que ele era uma lembrança constante daquela história. No fim das contas ele desapareceu por si mesmo e nunca mais o encontrei. Deve ter ido embora, voltado para o dono original, não sei.

Ah, e o Senhor X? Claro, pelo Messenger ele me perguntou o que eu achei, e eu não tinha coragem de dizer a verdade, então, sem muito entusiasmo, disse que eram lindos e maravilhosos. Não sei se ele teria percebido meu tom, mas não demorou muito e ele disse que ia comprar uma action figure do Robocop. Na verdade duas, uma pra ele e uma pra mim. Bom, eu concordei, dessa vez sem esperar nada. E, claro, não estou esperando até hoje.

Bom, talvez isso soe meio mal agradecido, mas o fato é que eu devia ter pedido mais detalhes sobre o estado dos bonecos, me aprofundado mais. Mas, quem, em sã consciência consegue raciocinar direito quando lhe é oferecido algo de graça? Quando você vai ver já está lá, aquela enorme injeção fincada bem no meio da sua testa!



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