domingo, 17 de outubro de 2010

O Aliciador/Sangue e Gelo


O ALICIADOR

Há alguns dias atrás eu li o livro "Eu Mato" de Giorgio Falletti, que trata de um serial killer agindo no Principado de Mônaco. Com uma prosa muito bem delineada e personagens fortes e carismáticos, parecia ter tudo para ser um livro inesquecível. Sua aceitação parecia estar sendo muito boa e, não nego, esse foi um dos fatores que me fez adquiri-lo. Porém, nem tudo que reluz é ouro e nem tudo que balança cai.

Quando falei que estava lendo "Eu Mato", no Twitter, meu amigo (da onça) Sérgio Martorelli fez o favor de me contar quem era o assassino, tentando estragar assim a minha leitura, exatamente como ele fez há muitos anos atrás, quando estragou o final do filme Sexto Sentido, para pelo menos algumas dezenas de internautas. Porém, mesmo estando na metade do livro ainda, eu já havia deduzido quem era o assassino e, obviamente, que método ele estava usando para enganar todo mundo.

Apesar de bem escrito, isso fez com que eu perdesse o ânimo pelo livro de Faletti. Mas, pensei, vamos ver como termina isso. Quem sabe, ao menos o autor dê um epílogo magistral a sua obra e isso vá além de apenas se descobrir quem é o assassino. Novamente Martorelli me avisou que não era bem assim e que o livro perdia o rumo na segunda metade. Novamente, ele estava certo.

O fim de "Eu Mato", depois de tantas e tantas páginas de suspense, reviravoltas, mortes sofisticadas, é sem graça e até mesmo, pode se dizer, bobo. Como se o autor se perdesse, se cansasse, não sei. Personagens fortes e marcantes, como o agente do FBI que protagoniza a história, se perdem numa presepada de dar dó. Como se de repente, outro escritor tivesse assumido o livro. Mantendo o mesmo estilo de escrita, mas não sabendo o que fazer com aquilo tudo.

Já com o Aliciador, que terminei de a alguns minutos, a coisa é bem diferente. E eu não estava levando fé nele. Tanto que comprei "Eu Mato" em detrimento dele. Até mesmo comprei "Eu Mato" na livraria e O Aliciador em um sebo. No fim das contas, O Aliciador estraçalha "Eu Mato".

Coloco os dois aqui, nesse modo de comparação, por dois motivos: são livros sobre serial killers e os dois são escritos por italianos. O Aliciador é escrito por Donato Carrisi, que talvez tenha uma vantagem sobre Faletti, ele é formado em criminologia e ciência do comportamento. E isso transborda por todas as páginas de O Aliciador.

Li o livro quase de uma tacada só, de tão envolto na leitura que fiquei. O título e a sinopse são por si só instigantes. Tudo começa quando seis braços de meninas são encontrados em uma cova. Logo isso é ligado ao desaparecimento de 5 meninas, naquela região. O problema é que são seis braços. Uma das meninas não foi identificada e, talvez até mesmo, possa estar viva.

A partir daí Goran Gavila, criminologista, Mila Vasquez, especialista em encontrar pessoas desaparecidas e toda uma equipe de agentes especializados se vê envolvida no que parece ser um jogo de quebra-cabeças, sobre o qual eles não têm o mínimo controle. O assassino é quem dá as peças... quando quer. E as peças são os corpos de cada uma das meninas, que os levam a descobertas mais assustadoras ainda, como se fosse uma espécie de Código Da Vinci macabro, mal comparando, já que se nota que o escritor não tem intenção alguma de escrever no mesmo estilo de Dan Brown.

Diferente de Eu Mato, em que a história é quase uma linha reta, O Aliciador, por outro lado, é uma história com várias camadas. E, até a última página, o leitor vai se aprofundando em cada uma delas, mais ou menos como se afundasse em areia movediça. E o livro assusta, quase como uma história de terror. Mas, mesmo sendo um velho cliché, assusta por ser algo que poderia acontecer. Por que trata de "monstros" reais.

Cada corpo "encontrado" (em aspas, porque só são encontrados quando o assassino assim o quer) revela um novo terror subjacente ao principal, que o leitor nunca fica sabendo exatamente o que é, ou melhor dizendo, como ele é. O título do livro O Aliciador é uma boa pista e vai guiar o leitor através de todo esse mistério que é justamente descobrir como isso é possível.

O livro também é uma aula sobre o fenômeno serial killer. É quase como se fosse um livro sobre o assunto, embrulhado em uma história de ficção. Na orelha diz que a história é baseada em um fato real, mas creio que seja apenas uma alusão a algum caso mais ou menos parecido, sendo que todo o livro é apenas ficção.

Em dado momento você se pergunta o quão fácil você poderia ser aliciado. Será que sua personalidade seria tão fraca, quanto a de alguns personagens? O tema do livro não está nem um pouco longe da realidade, já que vemos todos os dias, à nossa própria volta, pessoas sendo aliciadas para o crime, para seguirem uma religião, para tirar a própria vida, para entrar no mundo das drogas, sempre por pessoas que tem um poder de persuasão razoável.

O livro faz você refletir se você seria apenas mais um que deixaria sua própria vontade, para fazer a vontade de outra pessoa. Bom, talvez seja isso que eu esteja tentando fazer ao sugerir que você vá ler o livro, assim sendo, quero me eximir de culpa, dizendo apenas que não estou aliciando ninguém. Você pode ler "Eu Mato" se quiser!

SANGUE E GELO


Depois de se ler Sangue e Gelo, fica difícil acreditar que Robert Masello é um roteirista de seriados que já colaborou com o péssimo Charmed, seriadinho chatíssimo, sobre três bruxas, interpretadas por atrizes que não são nada além de um rostinho bonito. Tudo bem que ele também contribuiu para séries divertidas como Sliders e Early Edition. Em seu currículo televisivo ainda consta o duvidoso seriado baseado em Poltergeist que nunca assisti e desconfio que isso seja uma vantagem.

Outro fato que pode gerar desconfiança quanto ao livro é por ser MAIS um sobre o tema vampiros, que chegam às livrarias quase todos os dias, desde que a "saga" Crepúsculo aportou na literarura. Porém, ao ler, tive que agradecer de certa forma à febre crepusculina, pois se foi devido a ela que Robert Masello resolveu escrever Sangue e Gelo, para aproveitar o "momento", devo dizer que é uma compensação e tanto ao sofrimento imposto pela "querida" Sthepanie Meyers.

Aí você lê a sinopse e pensa: mas, puta que pariu, esse também é sobre um romancezinho entre vampiros! Ok, não nego, é um romance com vampiros, só que, não é com adolescentizinhos e nem com vampiros que brilham. É um romance maduro em uma história de suspense e aventura.

Tudo começa quando, em 1856, o casal Eleanor Ames e Sinclair Copley são jogados ao mar de um navio, cuja a tripulação acha que eles carregam algum tipo de maldição que os lançou naquela tempestade e os tirou da rota, principalmente depois de descobrirem que o remédio que Copley estava dando para sua amada doente era muito... incomum.

O navio está tão fora da rota que parece estar quase perto da Antartida, mesmo sem saber. E é para a Antártida que o fotógrafo e eco-jornalista Michael Wilde está indo. Isso 150 anos depois do acontecido. Wilde está indo para a Estação Polar Point Adélie, para trabalhar em uma reportagem como tantas outras que já fez antes, com a diferença é que agora é em um dos lugares mais inóspitos do planeta. Wilde também está voltando a ativa depois de um grande trauma sofrido em sua vida particular , quem sabe, a viagem sirva para que ele consiga retomar o controle sobre seu destino. A vida dele e do casal acima, irão se encontrar inevitavelmente.

Sangue e Gelo não é um conto vampiresco comum, e muita gente pode ficar procurando as semelhanças entre os personagens do livro e os vampiros tradicionais, que não existem. A não ser pelo fato de terem sede de sangue depois que são mordidos, os personagens apresentam pouca semelhança com o que estamos acostumados a conhecer como vampiros. Parecem mais com pessoas muito doentes, a quem o sangue mantem saudáveis... e eternos.

E, talvez por esse motivo é que Eleanor e Sinclair consigam permanecer congelados por quase 150 anos e sobreviverem. Mas, calma, isso não é mostrado logo assim de cara. Robert Masello parece não ter pressa em contar suas histórias e se garante em não perder seu leitor e, pelo menos a mim, não perdeu.

Apesar de o encontro do casal com o mundo atual só acontecer lá pela metade do livro (ou mais), ainda assim, a leitura até aquele momento é gratificante. Masello divide a narrativa em dois tempos que são os acontecimentos com o casal, no século 19 - como se conheceram, como foram atigidos pela maldição - e os acontecimentos com Michael Wilde nos dias de hoje. Sua chamada para a Antártida, sua viagem, as pessoas que conhece e um pouco de seu passado também.

Eleanor Ames é uma enfermeira que trabalhava na equipe de Florence Nightingale, e Sinclair é um Tenente do 17o. Lanceiros que pode ser chamado a qualquer momento para lutar na Guerra da Criméia. Sinclair é um fanfarrão que vive do dinheiro do pai rico, aproveita a vida com os amigos também soldados, e pouca coisa o preocupa, até que se apaixona por Eleanor Ames, uma tímida enfermeira que não entende como aquele homem pode se interessar por alguém de sua classe.

Michael Wilde está tentando seguir adiante com sua vida e ao ir para a Antartida conhece um cientista e uma médica, que vão para o mesmo lugar, Point Adélie, a estação polar. Ao chegar lá, cada um procura desempenhar suas funções, mas uma amizade já nasceu entre eles, e se tornam inseparáveis naquele lugar.

Quando Wilde vai fazer algumas fotos submarinas encontra algo no fundo do mar que nunca imaginou ver: uma mulher presa em um grande bloco de gelo. A partir dessa descoberta e das ações que serão tomadas devido a ela, a estação polar sofrerá alguns problemas inesperados e inacreditáveis. Afinal, ao voltarem a vida, Sinclair e Eleanor ainda carregam consigo uma maldição secular.

Porém, não esperem um massacre ao estilo Freddy Krueger ou Jason. O que mais notei nesse livro foi uma certa calma ao tratar do tema vampirismo. Apesar de algumas "cenas" serem assustadoras, não é esse o objetivo do livro, é mais um efeito colateral. Isso, no entanto, não o torna menos empolgante.

O choque de acordar 150 anos depois, em um lugar totalmente diferente da Inglaterra, faz com que o leitor queira saber como isso afetará aquele casal. Eleanor é a mais afetada, pois sua personalidade tímida e meiga ainda é a mesma, apesar da sede maldita que carrega dentro de si. E essa sua personalidade será essencial para o desenrolar da história quando os dois mundos se encontrarem.

Robert Masello fez uma pesquisa tão acurada sobre o tempo em que viveram Eleanor e Sinclar, que é como se fôssemos transportados para o hospital de Florence Nightingale, para os prostíbulos da velha Inglaterra e para a Guerra da Criméia. Isso sem mencionar as atividades em uma estação polar e suas pesquisas.

Parabéns ao escritor e espero que ele "congele" para sempre sua participação em seriados como Charmed, que são, na verdade, uma fria.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Mapa do Tempo


O TEMPO, UMA ILUSÃO PERSISTENTE

Conheci H. G. Wells quando assisti ao filme A Máquina do Tempo, do diretor George Pal. Isso foi na minha infância. Há muito tempo atrás. Mas, ao perceber naquela história o mesmo tom sonhador que impregnava minhas fantasias, me tornei fã incondicional do Sr. Wells (e por conseguinte do diretor George Pal, mas essa é outra história).

Com o tempo veria que Wells era realmente a síntese de tudo com que eu sonhava. Ou de tudo que todos os sonhadores sonhavam. Ele não só nos levava através do tempo, como também para lugares exóticos com criaturas metade homem, metade animal; tornava a invisibilidade possível, e até mesmo a invasão da Terra por alienígenas vindos diretamente de Marte. Isso muito antes do cinema dar forma e cor - à exaustão - a esses delírios.

Mesmo que suas histórias tivessem um tom melancólico e até mesmo trágico, na maioria das vezes, ainda assim, só o fato dele trazer à luz tais irrealidades, por si só, já trazia um júbilo aos seus leitores, quem sabe até contra a sua vontade, já que seus livros talvez quisessem ser parábolas para problemas mais sérios que afetavam a Inglaterra e o mundo.

Voltando ao filme - que foi adaptado do livro de H. G. Wells, A Máquina do Tempo - posso dizer, com certeza que ele moldou meu modo de ver a ficção-científica e me fez, até mesmo, querer emular isso em pequenos textos que escrevo aqui, de vez em quando. Vê-se que a influência foi grande, mesmo que ela tenha sido ampliada depois, por ler tantas revistas em quadrinhos e assistido tantos filmes com o mesmo tema, com destaque para a trilogia De Volta Para o Futuro. Mas, tudo começou ali, com H. G. Wells.

Wells até mesmo foi protagonista de um filme em que Malcolm McDowall o interpretava e o escritor viajava no tempo para enfrentar nada menos que Jack, O Estripador, que fugira de seu século para o ano de 1979. O filme se chama Um Século em 43 Minutos.

O legado de Wells era tão provocativo que nem o próprio autor escapava a ele.

E, por incrível que pareça, tudo isso é para falar sobre o livro O Mapa do Tempo, onde temos novamente H. G. Wells e Jack, O Estripador. Isso, por si só, poderia ser desanimador, e poderíamos pensar: ora, mais do mesmo. Mas, não é bem assim. O escritor Félix J. Palma consegue criar um livro tão original que já é um dos meus escritores preferidos desde já. Afinal, não é todo escritor que consegue me fazer chorar escrevendo ficção-científica.

Sim, eu me emocionei com suas páginas finais, onde o escritor faz um exercício de imaginação tão contundente e sincero, tão pueril e ao mesmo tempo crível, dentro dos limites da fantasia, que eu fui às lágrimas. E sou sincero ao dizer isso. Naquele momento quis poder estar diante do escritor e dizer, obrigado por realmente nos dar esse presente em forma de livro.

Mas, só vai entender isso, ao ler o livro, quem realmente gosta deste tipo de leitura. Fantasiosa, sem limites, imaginativa e não muito apegada ao racionalismo. Eu falo dos sonhadores, que não se importam que seus sonhos pareçam ignóbeis, na maioria das vezes. E, claro, quem gostar de ficção científica nos moldes de Wells e Júlio Verne.

Devo confessar, sobre o livro, que ele foi me conquistando aos poucos. Depois que o adquiri, quase que por acaso, comecei a ler por ter gostado bastante da sinopse, que por si só, não diz tudo sobre o mesmo. Não diz por exemplo, que o livro é dividido em três partes, cada uma delas sendo uma história. Cada história, apesar de ter um fim em si mesma, está interligada à próxima.

Dois elementos interligam as histórias: H. G. Wells e uma empresa chamada Viagens Temporais Murray. O primeiro é uma pessoa real, claro, o conhecido escritor. O segundo é, obviamente, uma ficção. Mas, "existe" no mesmo ano em que H. G. Wells publicou seu livro A Máquina do Tempo. Aliás, a empresa se populariza devido ao sucesso do livro de Wells, que fica bastante contrariado com isso, mas os motivos, só lendo o livro para saber.

Podemos assim notar que se trata de um livro de ficção (-científica) que tem como um dos personagens H. G. Wells. Este porém, não é exatamente o protagonista do livro, mesmo que na terceira e última história, ele seja o personagem-chave.

Cabe aqui dizer que não posso me detalhar muito sobre o livro e suas histórias, pois ele tem muitas surpresas e reviravoltas. Algumas de cair o queixo e outras de você se pegar sorrindo sozinho, enquanto lê. Outra coisa que cabe dizer é que o livro, por estranho que pareça, vai agradar a homens e mulheres, pois o autor sabe misturar como ninguém, romance, aventura e até mesmo ação. Seu estilo de escrita é quase poético, e as mulheres vão gostar da heroína da segunda história e, quem sabe, se identificar.

Mas, deixemos de lero-lero. A primeira história é sobre um rapaz, Andrew Harrington, um filhinho de papai, que sempre viveu na aristocracia, que se apaixona por uma das prostitutas que serão assassinadas por Jack, O Estripador. O autor usa como personagem, uma das prostitutas reais que foram assassinadas pelo famoso serial killer. Transtornado com o acontecimento, Andrew passa por 8 anos de pura depressão, até que decide se matar. É aí que se inicia o livro, com ele fazendo os preparativos para tirar a própria vida. Porém, é impedido pelo amigo e primo, Charles Winslow. Seu primo diz que tem a solução para seu problema, e mostra-lhe o folheto que anuncia a Viagens Temporais Murray. Ele promete levá-lo até lá e assim, Andrew poderá voltar oito anos no passado e salvar sua amada. H. G. Wells será persuadido a ajudar os dois com tais planos que podem alterar seriamente o fluxo temporal.

Como eu disse, o livro foi me conquistando aos poucos e essa primeira história me pareceu um tanto quanto enfadonha, pra dizer a verdade. O autor gosta de se alongar em descrições e no passado dos personagens, o que acaba sendo essencial para entendermos as motivações de cada um. Mesmo não estando muito animado, eu sabia que havia algo ali, e não abandonei a leitura um momento sequer. A segunda história me mostrou que eu estava certo.

Na primeira história ficamos sabendo de toda o passado do fundador da empresa, Gilliam F. Murray e de como ele conseguiu a proesa de viajar no tempo e de ter uma empresa que promove excursões temporais. A segunda história é sobre uma dessas excursões e de como a heroína, Claire Haggerty conhecerá o amor de sua vida... no ano 2000.

Vivendo em 1895, Claire sente-se uma pessoa deslocada, como se não fizesse parte daquela época. Suas idéias são avançadas e sua personalidade empolgante. Ela não se conforma com as convenções inglesas de seu tempo e não consegue se imaginar casada com um dos muitos almofadinhas a quem é apresentada. Junto com sua amiga, Lucy, ela embarca em uma das excursões da Viagens Temporais Murray, onde os passageiros poderão ver, em primeira mão, a guerra dos humanos contra os autômatos (não se usa a palavra robôs, que só seria usada pela primeira vez em 1921).

Claire, no entanto, não tem intenção de voltar para sua época. Ela quer, tanto ajudar na vitória contra os autômatos, quanto conhecer o bravo líder dos humanos conhecido como Capitão Derek Shackleton, cujo espírito corajoso a conquista e ela acaba se apaixonando. Porém, ela acaba tendo que voltar, a contragosto, para sua vida pacata na velha Inglaterra. Até que reencontra o homem do futuro por quem se apaixonou, que viajou ao passado para encontrá-la. E, para ajudá-lo naquela época, Shackleton contará com a ajuda inusitada de H. G. Wells, que vê a Viagens Temporais Murray atravessar seu caminho novamente.

Na terceira história, Wells deixa de ser um coadjuvante, ajudando outros personagens, para se tornar o protagonista, o herói, no sentido mais estrito da palavra. Numa bela homenagem, Palma transforma o escritor num vibrante personagem de ficção-científica que teria empolgado, quem sabe, até o próprio escritor.

Quando alguém vem do futuro e começa a assassinar pessoas na época de Wells, o dono das Viagens Temporais Murray vê seu negócio sendo ameaçado pela polícia. Então, Gilliam F. Murray pede ajuda a Wells para encontrar o assassino viajante do tempo. Porém, sem saber, Wells é um dos alvos do assassino. Assim como ele, também os escritores Bram Stoker e Henry James, autor de A Volta do Parafuso. O motivo? O viajante do tempo quer roubar seus livros antes que sejam publicados e tomar para si a autoria.

Wells se vê no centro de uma conspiração temporal e é jogado no futuro vislumbrando um tempo muito além de quando estaria vivo. Em suas mãos estará o destino não apenas seu e dos dois escritores, mas até mesmo do próprio tempo! Quer mais responsabilidade heróica do que isso?

Vale aqui um pequeno spoiler, que não creio afetar a leitura, pois é apenas um peça solta, que só fará sentido ao ler todo o livro. Palma faz uma bela homenagem - e devo dizer que foi aqui que chorei de emoção, eu confesso - ao colocar H. G. Wells dentro de um cinema assistindo ao filme baseado em seu livro, A Máquina do Tempo. Isso feito de uma forma tão fenomenal, tão criativa, que foi isso o que mais me emocionou.

O autor homenageou o escritor H. G. Wells, o livro A Máquina do Tempo, o diretor George Pal e homenageou todo aquele que um dia leu o livro e viu o filme, e sentiu aquela enlevação que transporta cada um de nós, não através do tempo e do espaço, mas através da realidade.

O Mapa do Tempo é, com certeza, um dos meus 10 livros favoritos de todos os tempos... com trocadilho e tudo.



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