sábado, 31 de julho de 2010

JJ e os Dez Anos na Rede


JERUSALEM JONES E O DEZ ANOS DE REDE

Depois de andar por mais de 10 anos nestas terras áridas, entro na caverna, escura, com sons de água gotejando em um eco fantasmagórico. Me pego refletindo que o som não faz nenhum sentido, já que estamos num deserto, e não sinto presença de água em canto algum. Apenas aquele som que está onde não deveria.

A claridade termina, pois já estou bem fundo na caverna. Sinto agora um certo frio, mesmo o calor estando a uns 45 graus lá fora. O frio parece vir das paredes e as paredes parecem se fechar, afunilando a caverna. Mas, continuo andando, pois sei que ali é o único lugar em que ele pode estar. Por isso, continuo, mais tateando que enxergando. Sentindo o caminho, tocando a parede áspera da caverna, agora totalmente imersa na escuridão. Quando penso que é melhor voltar, desistir, uma tênue luz bruxuleante aparece mais a frente. Me guio por ela, sabendo o que vou encontrar. A luz vem de uma fogueira e alguém está sentado perto dela. Alguém chamado Jerusalem Jones.

Quando Jones me vê, acena para que eu me aproxime e me sente à beira de sua fogueira, percebendo o frio que estou passando. Logo vejo que ele está por ali há um bom tempo, e pelo que vejo em volta, ele parece ter feito do fundo da caverna uma espécie de lar, na medida do possível. Quando me sendo, ele pigarreia, como se não usasse a fala há muito tempo, e numa voz meio rouca pergunta:

- Então, como diabos você me encontrou?

- Bom, é uma história longa. - digo eu.

- Eu tenho cara de quem tem algum compromisso?

- Bom, tudo começou há dez anos e alguns meses atrás. Não saberia precisar. Começou quando descobri algo chamado "internet".

A primeira vez que ouvi falar da tal internet deve ter sido lá pelos idos de 1995 ou 1996. Meu tio, muito mais por dentro de computadores e novas tecnologias do que eu, me falava sobre isso como se fosse algum tipo de coisa mítica, lendária. Eu pouco prestava atenção pois aquilo não fazia parte da minha realidade, ainda mais sendo eu, na época, um religioso, avesso a qualquer coisa que me contaminasse com as coisas "do mundo". Eu sei, eu sei, não precisa fazer essa cara de deboche. Eu estou ciente do que eu parecia.

Mas, alguns anos depois, coisa de 1999 para 2000 eu finalmente acessei a rede mudial de computadores do apartamento de meu irmão, que já tinha acesso, usando um computador MacIntosh. Nessa época eu não sabia muito bem o que fazer na internet, então visitava sites que falavam de filmes e até mesmo fazia uma lista por ordem alfabética de filmes que já havia assistido, em um caderno. Minha mãe achava que o caderno continha endereços das minhas várias namoradas (que ela devia querer muito que eu tivesse, para contar vantagem pras amigas). Mas, eram apenas nomes de filmes.

Cheguei a entrar em salas de bate-papo, mas perdia logo o interesse. A única coisa engraçada era quando eu, meu irmão e minha (ex)cunhada entrávamos com nomes diferentes e fazíamos uma zona, muitas vezes discutindo entre nós mesmos ou coisa parecida. Bom, não me condene, eu era jovem. Um jovem de 30 anos, mas jovem.

Tempos depois, meu irmão me deu um PC que estava parado, um 486 com 350 MB de espaço em disco, e nem imagino quanto de memória. Por um tempo fiquei com ele em casa parado, até que, por essas ironias do destino, me emprestaram um modem sem que eu nem mesmo pedisse. Na verdade, quem emprestou sentia como se eu é que estivesse fazendo um favor a ele. Isso me permitiu acessar a internet de casa. Mas, novamente, não havia muito o que fazer. Até que descobri o ICQ.

Numa história que não caberia aqui, acabei casando devido ao ICQ. É, isso mesmo. Isso me levou para longe de onde eu morava antes e para uma vida com minha própria família. E nem fazia um ano que eu usava a internet. Com a esposa também interessada na nova "onda" que se espalhava, a internet, eu fui adentrando mais e mais este admirável novo mundo.

Eu ainda não tinha encontrado nenhuma utilidade prática para a tal rede, então ia mesmo apenas vagando de cá pra lá e de lá pra cá. Experimentando isso e aquilo. Me tornei membro de grupos que se comunicavam por e-mail, sendo um de Ex-Testemunhas de Jeová e o outro de portadores de Transtorno do Pânico, sendo que até mesmo fui a um churrasco na casa de um dos membros desse último, que reuniu a maioria de componentes. Mas, com o tempo, me desliguei dos dois, meio que naturalmente.

Por esta época eu ainda utilizava o Outlook, programa para ler os e-mails, e nele havia a possibilidade de se entrar em grupos (espécie de fórum) do UOL, que podiam ser lidos tanto on line, no UOL, quando ali, por e-mail no Outlook. Isso foi essencial para que tudo mudasse em minha relação com a internet. Aconteceu aos poucos.

Passei a frequentar o que se chamava "uol.cinema", e que até hoje todos lembram que "o que menos se falava ali, era sobre cinema". Era um grupo de pessoas que estavam ali com apenas uma intenção: se divertir, mesmo que fosse (ou que SÓ fosse) às custas dos outros. Como todos éramos amigos, essas brincadeiras acabavam ficando entre nós mesmos e quase ninguém se ofendia.

Essa amizade virtual em grupo dava margem a que todos confiassem (mesmo que isso não fosse dito abertamente) uns nos outros. Essa confiança me deu coragem de querer fazer um blog. Os blogs estavam começando a ganhar força, e eu deixei meu preconceito inicial de lado, e fui tentar pra valer. Digo pra valer,porque já tentara 3 vezes antes. Uma vez participando de um blog de um dos usuários do "uol.cinema" e duas outras eu mesmo criando blogs que não se mostraram muito animadores. Ou eu não me empenhei de verdade.

Até que um dia resolvi que tentaria pra valer. Resolvi criar um blog com um nome chamativo, o Rapadura Açucarada. Foi então que a amizade com o grupo se mostrou essencial para ele continuar. As visitas vinham basicamente de todos ali, mesmo sem ter nada que o diferenciasse dos outros blogs. Com o tempo, e com o advento dos scans - que novamente começaram meio que por culpa do grupo - o blog se tornou parte da minha vida.

Tinha encontrado um rumo na internet, um caminho.

O blog e eu vivemos muitas aventuras "aprontando altas confusões", até que em 2006/2007 aconteceram duas coisas: Eu criei um fórum chamado F.A.R,R.A (depois de vencer meu preconceito contra fóruns) e eu encontrei você, Jerusalem Jones, pela primeira vez. Duas criações que, junto com o blog, passaram também a fazer parte de minha vida e era como se a estrada se alargasse mais e mais. Mesmo antes dos dois, o blog já me tomava bastante tempo, e com sua chegada e a do fórum, eu passei a me envolver mais ainda com um meio que eu achava que nunca seria nada mais que um lugar para baixar música, no máximo.

Aliás, quando descobri o MP3, eu gravei 200 CDs, que com o tempo estragaram, já que eu tinha mania de fazer capas para TODOS eles e colacava aquela etiqueta redonda no próprio CD. A cola da etiqueta estragava o CD com o tempo. Coisa que tive de descobrir depois de gravar 200.

Bom, entre escrever contos de suas aventuras, e gerenciar o fórum, eu levava tudo sem muitos problemas, a não ser os normais, como retardados loucos que enchiam o saco no fórum de vez em quando. Coisa normal.

O blog ficou famoso por causa dos scans, o fórum por causa das "importações de películas" e cada um praticamente tinha sua história separada, sendo que, ao mesmo tempo, faziam - e fazem - parte de uma mesma história.

O tempo e o vento se encarregou de que mudanças fossem necessárias, tanto em um, como no outro. Mas, eu ainda continuava minha jornada pelos caminhos loucos da internet.

Nesses dez anos vale lembrar as coisas loucas que passei, como ser paquerado pelo professor de informática de uma prima minha, com quem eu falava pelo MSN e, estando ela no curso de informática, seu professor simplesmente viu meu endereço por cima do ombro dela, pegou, me adicionou e veio me paquerar!

Mas, muito mais que isso, vale lembrar as pessoas que conheci, algumas delas pessoalmente, com o tempo, como você, Jones, aqui nessa maldita caverna. Claro que algumas se mostraram uma decepção no mundo real, mas não é desses que me lembro, mas dos que valeram a pena, sendo que talvez, a maior delas tenha sido minha saudosa amiga Tina, que veio a falecer uns dois anos depois que a conheci.

O que mais me alegrou esse tempo todo, foi ver como muitas pessoas partilhavam o desejo em comum de querer dividir de seu tempo e das coisas que apreciavam com outras pessoas. Vi isso assim que comecei o blog e coloquei os scans, e muitas pessoas não se conformavam em apenas baixar, e queriam participar. E participavam. O mesmo se repetiu no fórum. Claro que nem tudo são flores e os motivos de alguns quererem participar se mostravam escusos quando o tempo passava. Mas, se tudo fosse só bondade, onde ficaria a diversão?

Hoje em dia meu tempo na internet se divide em dois blogs, um fórum, um Twiter, e em caçar você, pois sempre me perguntam "e o Jerusalem Jones, não vai mais trazer ele de volta"? Assim sendo, vim atrás de você, depois de todo esse tempo, nessa maldita caverna friorenta, com esse pinga-pinga enlouquecedor, sem ter água por perto para te trazer de volta à ativa.

- Hã... certo. Só duas perguntas antes...

- Sim, pode fazê-las.

- Quem diabos é você? E de que raios dos infernos você falou até agora?

FIM



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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Área 7


ÁREA 7 - MATTHEW REILLY


Quando terminei de ler NEXT, o último livro publicado de Michael Crichton (autor de Jurassic Park entre outros) que morreu em 2008, me perguntei, e agora, quem poderá me defender? Que autor tão bom eu vou encontrar que se compare a ele? Tudo bem, temos Dan Brown, Robin Cook, entre outros que escrevem livros nesta mesma linha. Ainda assim, não era a mesma coisa. Então, quando olhava as estantes da Livraria Saraiva, me deparei com um livro que já vira anteriormente, chamado Área 7. Seu autor era completamente desconhecido pra mim. Sua capa não dizia nada (a capa nacional, não a acima). Uma espécie de pintura abstrata que não definia nada do que o livro poderia ser. Pra piorar, a sinopse realmente não empolgava tanto. Só deixava claro que um fuzileiro naval e o presidente dos EUA estavam no mesmo livro. E que esse fuzileiro - Shane Schofield - vinha de um livro anterior, chamado Estação Polar, que não tinha ali na livraria. Porque então comprar? Bom, o livro era pesado, talvez tenha sido por isso. Porém, quando comecei a ler, só consegui largar, quando terminei as exatas 500 páginas, dois dias depois. Estava exausto, mas sentindo-me recompensado. Michael Crichton tinha um substituto.

Imagine os elementos dos seguintes filmes (e série) condensados em um livro de 500 páginas, por ordem de relevância: Duro de Matar, A Rocha, 24 Horas, A Fortaleza, Força Aérea 1, Silêncio dos Inocentes e Akira (sim, tem uma pitada de Akira). Sendo que, com tudo isso, não é um plágio de nenhum deles (diferente do que James Cameron fez em Avatar). A história do livro é mais ou menos a seguinte:

Um general da Força Aérea implanta em cada potencial candidato a presidente dos Estados Unidos, um chip detonador para 14 bombas atômicas escondidas em hangares dos principais aeroportos em cidades dos EUA. Assim, quando o novo presidente eleito assume, ele tem um dos chips implantados em seu coração.

Durante a visita a base secreta Área 7, junto com agentes do Serviço Secreto e de fuzileiros que o protegem - incluindo Schofield - o tal general tranca a todos na base, e propõe um jogo em que o Presidente é a presa e quem mais estiver com ele. Querendo provar que a presidência é uma instituição falida, o general diz que o presidente (e seus protetores) serão caçados através da base, e se conseguirem sobreviver à tropa de elite de 50 homens altamente treinados (e quimicamente mais fortes) que obedecem apenas ao general, estarão livres.

No entanto, se o general vencer e conseguir matar o presidente, o cessar de seus batimentos cardíacos fará com que o chip em seu coração emita um sinal e detone as 14 bombas em todo país. Shane Schofield, seus companheiros fuzileiros e alguns poucos agentes do Serviço Secreto que sobreviveram à primeira investida, precisam agora proteger o presidente e evitar que ele morra, a qualquer custo.

Mas, ainda está fácil demais. O general capturou o agente que carregava a mala que o Presidente mantém sempre perto de si, para o caso de precisar ativar bombas nucleares em caso de uma guerra. A mala agora está programada para detonar as 14 bombas. E está armada. Além de evitar ser morto, o presidente precisa colocar a palma de sua mão na mala, a cada 90 minutos, para evitar que as bombas sejam detonadas e o país volte ao tempo das cavernas. Só que a mala está com os bandidos.

Moleza demais? Pois bem, o que afinal a Área 7 faz? Porque é tão secreta? E porque o presidente estava lá? Isso é revelado logo no começo do livro. Ficamos sabendo que a Área 7 produz armas biológicas e, também, contra-medidas, ou vacinas, contra armas biológicas de outros países. O complexo está trabalhando justamente na vacina contra uma arma biológica chinesa que mata brancos e negros, mas não afeta asiáticos. A vacina é testada em animais e... prisioneiros dos mais perigosos, em sua maioria serial killers, que tem várias penas de prisão perpétuas acumuladas e que se ofereceram para "experiências científicas". Mas o complexo ainda guarda segredos mais obscuros que esse. E o presidente sabe...

Matthew Reilly não é nenhm novato, apesar de ser jovem, 35 anos. Eu que não o conhecia ainda. Ele é australiano e seu primeiro livro foi publicado em 1996. O segundo livro, Estação Polar, onde Shane Schofield aparece pela primeira vez, foi o que o alçou à fama e o fez se tornar escritor em tempo integral. Shane Schofield já apareceu em 4 livros do autor. Outro personagem que já tem 3 livros é Jack West, Jr.

Aqui no Brasil parece ter sido publicado apenas Estação Polar, Área 7 e Templo (que se passa no mesmo universo das aventuras de Shane Schofield, fazendo até mesmo menção a eventos de Estação Polar, mas não tem a participação do personagem). Estranhamente, Estação Polar trata de um mistério alienígena na Antártida e, alguns anos depois, Dan Brown escreveria Ponto de Impacto, que também trata de um mistério alienígena no Ártico. Mas, nunca ouvi nada sobre acusações de plágio.

Pretendo ler em breve Estação Polar - e quem sabe até ganho de presente - e Templo, que na verdade já está aqui ao meu lado. Na verdade, o cara escreve tão bem, que eu simplesmente saí e fui procurar o livro. Não quis perder... templo. Tu dum tchiii.



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