quinta-feira, 19 de junho de 2008

Cães, Gatos e Murdock


CÃES, GATOS, OUTROS BICHOS E MURDOCK
Talvez Eu Nunca Descubra o Porque Desse Nome



Devo confessar, em primeiro lugar, que eu nunca fui muito fissurado em animais de estimação. Eu mesmo nunca tive um, e todos os que passaram por minha vida, foram por conta de minha mãe que parecia atraí-los como um imã. Raramente ela pegava algum animal de estimação, eles apenas apareciam.

Os gatos pareciam saber quando um morria, pois só aparecia outro depois disso. O primeiro que me lembro, um gato branco, com um olho de cada cor, levou o nome de Naninha, mesmo sendo macho. Para piorar, vários sucessores seus, levaram o mesmo nome, talvez por preguiça de se encontrar um novo. O único que lembro que teve um nome diferente (Miroro) era um gato com um olho ruim. Na verdade, com o tempo, ele parecia ter saído direto do Cemitério Maldito. Dava medo, mas todo mundo gostava do gato assim mesmo.

Já os cães eu realmente me lembro de poucos. Um bem engraçado que tivemos era o Jeremias (e não, foi bem antes do Jeremias do YouTube, então não é uma homenagem). Ele era um vira lata, preto e branco, todo elétrico. Não parava nunca. Ficou conosco até morrer, e tenho boas lembranças dele. Era um cachorro engraçado. Porém, acho que como animal de estimação, nenhum foi mais estimado que Murdock. É, é esse mesmo o nome. E, provavelmente, nunca vou saber porque ele tinha esse nome. Não fomos nós que demos. Aliás, Murdock nem mesmo era nosso. O que aconteceu foi o seguinte:

Tínhamos como vizinhos do lado esquerdo, uma família composta de mãe e 4 filhos, praticamente como a nossa. Já éramos todos adultos nessa época e uma de minhas irmãs até já era casada. Pois bem, aconteceu que essa família ganhou um filhotinho, se não me engano de uma patroa de onde a mãe das crianças trabalhava. Era uma bola de pêlos laranja. Muito bonitinho. Até aí tudo bem.

Ele já veio com esse nome, Murdock, e nunca ninguém explicou o porque dele. Enquanto ele era filhote a família o adorava, porém, ele foi crescendo e perdendo a graça para eles, que o foram esquecendo. Já desde filhote que Murdock, no entanto, nos fazia suas visitas regulares e que foram ficando cada vez mais constantes, até que, já crescido e meio que abandonado por seus donos originais, Murdock nos adotou como sua família. E ninguém do lado de lá se importou muito com isso.

Minha mãe se apegou muito a ele, mais do que a qualquer outro animal de estimação que tivemos. Talvez devido aos filhos estarem saindo de casa, e Murdock ser sua companhia mais constante. Depois que me casei, era incrível ver que Murdock pressentia quando eu estava chegando. Na verdade, ele fazia isso com qualquer um de nossa casa, ficando agitado e latindo e, logo em seguida, alguém de casa chegava. Algumas vezes ele foi me buscar eu estando ainda no meio do caminho.

Murdock era abusado, e sempre estava entrando em brigas com cães maiores que ele, por mais que isso parecesse uma estupidez. Várias vezes chegava em casa como se tivesse sido passado no triturador e lá ia minha mãe cuidar dele. Ela já estava bem acostumada a isso. O problema é que ele estava envelhecendo e mesmo assim não parava com isso.

Um dia estou em casa, o telefone toca e é minha mãe. Murdock tinha acabado de falecer. Ela começou a contar cada detalhe de como foi. Ele estava mau já há um tempo, e piorou nesse dia. Sentindo que ele ia morrer, ela ficou ao lado dele. Ela disse o quanto parecia que ele sabia que era uma despedida, de como olhava pra ela e tudo mais. Nessa altura eu já estava chorando junto com ela, como se tivesse estado presente. Não foi nada fácil para ela.

Acho que sempre vou ver o Murdock assim. Tivemos vários bichos de estimação, mas serão sempre eles e o Murdock. Ele era bem diferente, até mesmo no nome. E, assim, nós nem mesmo o escolhemos para nós, ou quisemos ficar com ele, ele que nos escolheu e achou por bem ficar com a gente. E ficou, pelo menos enquanto esteve por aqui.


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