quarta-feira, 21 de maio de 2008

Prefiro Ser

PREFIRO SER ESSA ANOMALIA AMBULANTE Do Que Ir Na Padaria Ver Se Compro Um X-Tudo

Acho que foi na Copa de 1994, a Argentina jogava com a Bulgária, ou um desses países daqueles lados. O jogo estava meio sofrido e eu estava quase tendo um troço, torcendo contra los hermanos. A coisa começou mesmo a ficar feia, tanto no jogo quanto pra mim. Eu estava com falta de ar, taquicardia (e não, não era uma crise de pânico). Eu achei que estava tendo um ataque cardíaco. Não estava conseguindo acompanhar o jogo, só pelo simples fato de ver a Argentina quase ganhando. Isso tudo era devido ao fato de que se ela ganhasse pegaria o Brasil, e velha rivalidade entre os dois times é algo que todo brasileiro conhece bem.

Eu desisti de assistir ao jogo. Não estava dando. Saí, fui lá para fora respirar um pouco, me acalmar. No fim, hoje em dia, não lembro se a Argentina ganhou ou perdeu, mas lembro de como eu fiquei. Quem lê isso vai pensar, então, que sou algum tipo de fanático por futebol. Não. Não sou. A verdade é bem outra: Eu DETESTO futebol.

Sério. Sei que posso perder uns 70% dos meus 12 leitores, mas eu tinha que dizer. Eu curto assistir o futebol na Copa do Mundo, mas isso é mais devido a um patriotismo arraigado que a qualquer sentimento futebolístico. Acho que assistiria até o A Copa do Mundo de Palitinho com o mesmo fervor. Claro, assim como futebol para mim é uma coisa ilógica, o patriotismo também é. Sendo assim, nem deveria estar falando nada. Mas vou falar.

Copa do Mundo é de 4 em 4 anos. Nas Olímpiadas também temos, mas não é a mesma coisa. Todo mundo sabe disso. Mas, me diga, qual a graça de assistir semana após semana, ou mesmo mais de uma vez na semana, jogos e mais jogos todos com as mesmas características. Tudo bem, acho que podem dizer que não gosto de futebol porque não sei jogar, o que é toda a verdade do mundo. E, com certeza, eu nunca tentei com grande entusiasmo. Canela machucada e trombadas com machos não são, com certeza absoluta, minhas taras preferidas.

Mas não saber jogar não quer dizer nada. Duvido que todo torcedor de futebol seja um jogador em potencial. Depois tem a questão dos times. Como se escolhe por qual torcer? É genético? Espiritual? É uma herança de pai para filho? No caso do Flamengo eu até "entendo" a escolha. Muitos escolhem porquê é o time da maioria aqui do RJ. Talvez seja o mesmo no caso do Corínthians, em SP. Ou seja, não é uma questão de qualidade, necessariamente, mas de quantidade.

Quando eu era mais novo, eu até tentei ter uma identidade futebolística. Meu pai era Fluminense, e eu achava que devia ser Fluminense também. Mas, daí ele foi embora, e acho que isso comprometeu minha crença no time. Daí resolvi - e creio que isso foi pelos motivos que eu mesmo citei - que seria Flamengo. Certo. Eu não tinha uma camisa, eu não assistia os jogos, eu não conversava sobre futebol, mas eu tinha um boné do Flamengo. Eu fui Flamengo até o dia em que estava num bairro distante de casa. Estava lá com meu boné maneiro do Flamengo, quando uns cinco garotos maiores que eu, flamenguistas, resolveram que meu boné era bacana e o pediram com toda a "educação" que eu o entregasse. Senti que eles não teriam tanta "educação" se eu não entregasse. Minhas tentativas de ter um time terminaram por aí. E minha paixão pelo futebol não se desenvolveu.


Talvez fosse meu jeito nerd de ser. O problema é que memo como nerd eu era um fracasso. Assim eu transitava entre dois mundos, sem nunca pertencer a nenhum dos dois. O mundo dos nerds e o dos outros. Porém, hoje em dia, nesse mundo imenso da internet, vejo que muitos nerds curtem futebol, mesmo que esse seja em um cartucho de videogame, onde ele se sente o Ronaldinho, só que sem o acompanhamento dos escândalos.

Futebol para mim, é e sempre será um enigma, perdendo apenas para o Futebol Americano e o Vale Tudo. Afinal, a maioria dos que gostam de futebol são assumidamente heterossexuais que saíram do armário e foram para a poltrona da sala, ou para uma mesa de algum bar que tenha TV por assinatura. Certo, sendo heteros, qual o motivo de se rasgarem por causa de um bando de homens correndo atrás de uma bola? E porquê diabos a cada gol aqueles caras alisam as bundas uns dos outros?!

Talvez o futebol tenha sido criado apenas para que se tenha assunto nas mesas de bares, ou para quando encontramos alguém e não temos o mínimo assunto. Afinal isso de "está fazendo sol hoje, hein!", é algo que realmente demonstra que você não tem assunto algum. Mas se você diz: "E o teu Flamengo, hein, que papelão", pronto, você tem assunto para três dias. E eles MOSTRAM interesse no que você diz. Talvez seja uma grande invenção, afinal de contas.

E os peladeiros de fins-de-semana?! Quem garante que sempre vão jogar mesmo futebol com os amigos, ou que vão ver outro tipo de pelada? Sim, sim. Como evento o futebol sempre será essa coisa misteriosa em que você nunca terá certeza se o jogador estava mesmo impedido ou até mesmo se você sabe o que é um impedimento, mesmo sendo torcedor. Será sempre essa confraternização de homens-machos que gostam de se agarrar entre si mesmos, ou ao adversário. Porém, pode servir como desculpa para muitas coisas.

Já eu, bom eu prefiro vôley feminino, e os motivos a foto abaixo o mostra bem. Mas, claro que como todo bom heterosexual, um coro se levanta e diz "MAS EU TAMBÉM GOSTO". E, não duvido da masculinidade dos torcedores. Mas diga, se tivesse hoje um jogo qualquer de vôley entre duas equipes femininas, brasileiras, todas completamente peladas e a final do Campeonato Brasileiro com Flamengo e Corínthians, na mesma hora, qual escolheria?

Sei, você deixaria gravando o jogo das garotas peladas. Eu acredito que você ia lembrar sim [sarcasmo mode on].

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