sábado, 30 de setembro de 2006

Pax Reactor

PAX REACTOR



Pintura de Sara Bernal-Rutter, minha amiga


Depois de tudo, do tempo, do infinito. Depois de todas as previsões de que o universo um dia acabaria. E acabou. O infinito tornou-se finito. Um tempo em que não existia nem a luz nem a escuridão, nem mesmo uma sombra em meio tom. Aliás, desculpem-me, um tempo em que, como eu já disse, não existia mais tempo. Nem mesmo havia um sentimento de perda por nada mais existir, já que não havia mais sentimentos.

Não havia mais Deus, pois não existia mais quem acreditasse Nele. Na verdade, não existia nem mesmo mais quem duvidasse de sua existência, quem a questionasse, quem dissesse "Não acredito em Deus", pois até essa descrença era uma força criadora. Não havia mais o choro dos desagregados, em meio a uma chuva fina e cortante, enquanto esperavam a sua cota de sopa e pão.

Nem mesmo o nada existia, pois se existisse um Nada, ainda assim, existiria o existir. E nem mesmo isso havia. Não havia mais as teorias de conspiração enfurnadas em gavetas lacradas. O selo perdido da carta que não foi enviada, também não mais fazia parte da existência. O som dos passos na escada, denotando a chegada de mais um dia de trabalho, junto com as calotas polares e os pedidos de casamento; nem mesmo a xícara quebrada antes mesmo de existir no centro de um buraco negro, segundo a teoria de um físico, também estes não existiam mais. Aliás, nem mesmo a teoria e nem o físico.

Nem ódios, nem valores acumulados, nem times de futebol, nem segundas-feiras recalcitrantes. O pólo aquático havia acabado, assim como a bocha, um jogo que eu nunca vi ninguém jogar. A matemática que minha professora tanto adorava e eu só passei a gostar porque nunca vi alguém chorar por achar que a culpa era sua de seus alunos não estarem conseguindo aprender, tudo isso, agora, não existia mais.

Os discursos inflamados e os shoppings lotados; as fotos em preto e branco e os museus de arte moderna; as bolachas de milho e as gaitas de fole; as moedas de 1 centavo e os quadros de Salvador Dalí, que só cito aqui, para parecer que sou culto. Nem mesmo os que se faziam de cultos, nem mesmo esses, juntos com os citados - nossa - nem mesmo eles, existiam mais.

Nem a bola de gude, ou o chiclete embaixo da mesa, nem o bafo-bafo (que era um jogo em que você tentava ganhar as figurinhas de seus colegas batendo com a palma da mão - as vezes em concha - para que ela virasse), nem patinete, nem queda de bicicleta, nem cascudo, nem pernas raladas, nem mesmo jiló que eu detestava tanto, nem mesmo aquela coisa amarga, existia mais.

Aquele gato de olhos de cores diferentes, o maço de cigarros que fui comprar para meu padrasto, a nota de R$ 10,00 que achei na rua, a antena quebrada em cima da TV, a cabeça arrancada da boneca da minha irmã, o porre de um copo de cerveja, o livro que dizia que "tu és responsável por aquilo que cativas", aquele que todas as misses já leram, tudo isso não mais existia. Nem mesmo as misses.

O cão apressado, o fanático por tampinhas de refrigerante, o carimbador maluco, o fiscal da natureza, o côncavo e o convexo, a doutrina e o doutrinado, a farofa e os farofeiros, a semente de uma idéia, a claridade de uma razão, a delícia de um beijo, a chuva e o cheiro dela na terra, a casca da castanha torrada, a fonte de Trevi, a rosa e o piegas, o brega e o chique, a saideira que nunca era a última, a cantada e o cantor, a teimosia do destino, a dança dos determinados, o ocaso, o acaso, nada disso mais havia.

Nem mesmo a injustiça para que se lutasse pela justiça, estava mais presente. O banal, o ridículo, a cola na mão, o caminho das índias, o rebolado das mulatas, a perdição, a contrição, a rebeldia, o rebelado, o encarcerado, a monotonia, a desobrigação, a fulaninha ou o enfurnado, o workaholic, o alquebrado, o carro a ácool, o desesperado, o vício ou mesmo o viciado, o demônio interior, ou mesmo o exteriorizado. A música cantada apenas no banheiro, o sonho que acabou, mas que tinha na padaria ao lado, a rima que aqui, de repente, eu cismei de rimar, como se fosse algo que foi soprado. Mas mesmo ela não mais existe, com todo resto citado.

A bolsa de valores, ou mesmo aquela sem valor algum, a caminhada na praia, a casa que deixei para morar no apartamento, onde ficava sonhando com a casinha branca de varanda, que também ela, assim como as cortinas e bolinhos de bacalhau, não mais existiam.

Nem mesmo este texto ou quem o escreveu, ou as idéias que o formaram, ou mesmo a pessoa que o escreveu - exato - não mais existiam. Havia apenas um silêncio. Um silêncio abstrato, sim, mesmo sabendo que silêncio nunca foi físico. Um silêncio perdido, pois nem mesmo ele podia ser por alguém encontrado. Um silêncio que nem mesmo sabia que era silêncio, pois não havia o que o fizesse ser quebrado - quer parar de rimar!

Mas havia uma certeza dentro daquele fim e daquele silêncio...

... mas eu não faço a mínima idéia de qual seja.

Descubra você.


domingo, 24 de setembro de 2006

Um Conto de Uma Espada

UM CONTO DE UMA ESPADA





Meu pai me deu esta espada e disse "use-a com sabedoria". Hoje me pergunto se a sabedoria com que tentei usá-la foi suficiente. O vento frio, que vem do norte, parece dar uma resposta que me gela a alma. Não há sabedoria no uso da espada. Não há sabedoria em trazer a morte. Mesmo quando tentei fazer justiça, o sangue da vingança manchou a lâmina.

A marcha dos vencidos é mais longa que a dos vitoriosos e, mesmo quando estou comandando os vitoriosos, o sal das lágrimas dos derrotados arde em minha garganta. O temor é algo que levamos a muitos lugares, mas nem sempre é o suficiente para a vitória. Do outro lado há centenas como eu, há milhares como nós.

Meu pai viveu e morreu pela espada, a mesma que eu empunho agora, mas às vezes me pergunto, se ele não teria vivido mais feliz e por mais tempo se apenas tivesse se rendido à paz que nunca cultivou. O cultivo dos campos da morte era a sua labuta. Hoje sou o herdeiro do seu latifúndio lúgubre. Herança maldita, sangue maldito. Sou impelido ou o fogo me impele?

Quando me deito à noite, nos braços de Necate, e escuto meu filho dormir em seu berço, me pergunto se meu pai apreciava isso tudo. Se nos braços de minha mãe ele me escutava dormir, e imaginava se um dia poderia relegar as suas guerras. Mas não teve tempo de obter a resposta. Mas com certeza, a resposta seria não.

Minha mãe me deu a bainha da espada de meu pai e disse "saiba quando guardá-la". Me pergunto se a guardei sempre na hora certa, no momento exato ou, pelo menos, antes de infligir a injustiça cortante. Não sou meu pai, apenas seu filho. A história dele foi contada por outros, seus feitos foram entalhados em muros distantes. Minhas cicatrizes são diferentes das dele. Nem mesmo meus soldados são os que serviram a ele.

Meu pai tinha coragem, esteve em todas as guerras. As Nemóias, Catares, Deviantes, Calendas. Paz para ele era algo impensável. Paz para ele, era uma fraqueza do espírito. Às vezes parece que o mundo inteiro pensa como meu falecido pai. Como se falar em paz fosse admitir a derrota. Às vezes é preciso ser mais forte para fazer o que é considerado uma fraqueza. A guerra me cansa.

Fui soldado, muito antes de ser general. Na verdade, fui filho antes de ser soldado. Nas lendas de meu pai, nos feitos ligeiramente exagerados, eu via um mundo ao qual a guerra parecia ser a ordem, e sem ela haveria anarquia. Meu pai era um fanfarrão, e divertido. Tudo na sua boca soava grandioso, mesmo as mortes de crianças inocentes. Eu acreditei, até ver por mim mesmo.

O sol se põe, o frio me envolve. Coloco a espada de meu pai, na bainha que minha mãe me entregou. A luz faz a sua dança final, se despedindo. Vou na direção de Necate que prepara o jantar, com sua graciosidade de sempre. A abraço, ela se surpreende. A beijo, ela começa a rir. Eu a acompanho.

Me pergunto se nossas guerras são para fazer um mundo melhor. Me pergunto se esse mundo melhor, num futuro distante, terá a paz pela qual guerreamos. Pela qual eu vou guerrear. O combate será mais feroz do que com muitas legiões.

Os clamores dos próximos dias serão altos, mas pelo menos não serão de dor, mas o lamento de quem não quer perder o combate, de que não quer parar de lutar.

A noite chega. O amanhã é incerto. A espada é pesada.



quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Adeus

ADEUS, ATÉ LOGO, ATÉ MAIS





Eu nunca fui a um enterro, hoje foi o meu primeiro. O enterro de meu tio.

Meu tio era um tipo simpático, mas que gostava muito de viver isolado, em seu próprio lugar. Mesmo morando aqui no RJ era difícil nos visitar e minha mãe precisava, na maioria das vezes, arrastá-lo para que ele fosse visitá-la. Quando estava na casa de minha mãe, contava os minutos para ir embora. Não que não gostasse da companhia, apenas ele era assim, meio ermitão. O mais estranho é que essa atitude nem combinava com ele, que era sempre alegre e simpático com todo mundo, o que foi uma grande ajuda em seus últimos dias por aqui, pois as vizinhas do sobrado onde morava, gostavam muito dele. Estavam todas elas lá no enterro.

Meu tio era quase uma lenda para nós. Gostávamos dele, e gostávamos quando ele podia nos visitar. Ele era padrinho de uma de minhas irmãs, que não pôde ir ao enterro, pois não estava bem. Sua voz era engraçada, ao mesmo tempo calma e anasalada. Fácil de se reconhecer. Tendo trabalhado por uns 35 anos como garçon, não aproveitou nem três anos de sua merecida aposentadoria.

Era uma pessoa teimosa que, com sua simpatia, declinava educadamente das sugestões para melhorar sua saúde. Sempre ria e dizia que estava tudo bem. Só viu que as coisas não estavam bem mesmo, quando viu que estava sem conseguir andar e teve de aceitar que minha mãe o ajudasse. Depois de tentativas fracassadas em hospitais aqui do centro do RJ, ele foi, enfim, internado em um hospital de Bonsucesso. Apenas para ter lá, seus últimos dias de vida. A causa-mortis que deram foi "insuficiência respiratória". Muito vago.

Recebi a notícia de seu falecimento ontem e, até agora, não sei realmente o que sentir. Aparentemente, fosse lá o que ele tivesse, a tendência parecia ser piorar, deteriorar, e esse fato, faz com que eu sinta que o que aconteceu tenha sido o melhor e, ao mesmo tempo, me sinto culpado por pensar assim. Não consegui chorar por sua morte, mas chorei ao ver minha irmã mais nova (a que parece a mais durona de todos nés) se desmanchar em lágrimas. A abracei, coisa que parece que nunca fazemos, nos abraçar.

Minha mãe era quem mais sofria. Sua irmã mais querida morreu ano passado, lá no Ceará, depois de ter vivido aqui no RJ, por muito tempo. Então, adoeceu e voltou para o Ceará de onde não saiu mais de uma cama, até falecer. E agora, seu irmão mais querido. Não contive as lágrimas ao ouvi-la dizer sobre o corpo dele: "meu irmão, nós nunca brigamos, nunca discutimos, meu melhor irmão, adeus para sempre". Nunca vi minha mãe tão transtornada. Acho que ela sentia falta de mais momentos ao lado dele. Ela sentia que era injusto, pois pouco se viram. Agora que ela estava arrumando tudo para que ele morasse com ela, ele se foi. Tento consolá-la dizendo que assim que melhorasse, ele ia querer voltar para seu quarto, apertado e solitário. Ele era assim. Ele preferia assim.

O enterro acabou atrasando por que o pessoal da funerária pegou um engarrafamento. Assim, quando enfim pudemos levar o caixão para ser enterrado, já era meio-dia, e o sol estava a pino. Minha mãe não foi até a sepultura, e foi melhor assim, ela não aguentaria a despedida final. Fomos eu, meu irmão, a tia da minha esposa (que não pôde ir também) e as vizinhas, numa romaria silenciosa até o túmulo. Lá o deixamos, deixamos as flores, as velas e viemos embora.

Deixamos para trás, uns mais outros menos. Acho que precisava escrever isso, para poder chorar de verdade, para chorar por mim mesmo, não pelos outros que estavam chorando. Choro, mas não de tristeza, ele não ia querer isso. Meu tio era uma pessoa feliz, ao seu modo.

Adeus João Pedro, Até logo.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Preso em Uma Queda Livre

PRESO A UMA QUEDA LIVRE





A viagem era segura, mas não do modo como ele a imaginava. Descer assim não era bem a sua idéia de diversão. Ele apenas queria agradar a ela, aceitando aquela espécie de desafio lançado. Claro que ele tinha coragem. Por que não? Assim, agora ele estava a sabe-se lá a quantos quilômetros por hora em direção ao chão. Ela convenceu aos instrutores que ele podia saltar sozinho, depois do pequeno curso que foi ministrado. Ele fez o pessoal acreditar que sim, que era verdade o que ela dizia, ele poderia saltar sozinho. Naquele momento ele se perguntava porque diabos estava fazendo aquilo. Ela nem era tão gostosa assim!

Se sentia a pessoa mais idiota do mundo. O vento era tão forte que parecia querer arrancar o seu rosto. O pára-quedas nas suas costas parecia pesar uma tonelada, empurrando-o contra o solo. Depois do que pareceu uma eternidade, ele terminou a contagem de 10 segundos e puxou a cordinha do pára-quedas. Sim, vocês já sabem o que vem a seguir. O pára-quedas não abriu. Ele não sabia bem o porque, mas parecia estar sabendo que isso iria acontecer. Parecia poder ver que, lá em cima, dentro do avião, ela estava dando um sorriso meio que diabólico, ao notar que ele estava em queda livre para a morte.

Aquela história de que a vida inteira da pessoa passa na sua frente em segundos, bom, tudo mentira. Ele só conseguia pensar em uma cerveja gelada. Sentia a garganta seca, por culpa do vento e, claro, de estar em direção ao chão. Talvez desse para avaliar sua vida enquanto o solo demorava a chegar. Engraçado como parecia que ele tinha todo o tempo do mundo. Pensou que deveria ter esquecido essa idiotice de ser advogado. Afinal nunca foi mesmo sua vocação. Mesmo tendo sido bem-sucedido, ele queria mesmo era ser escritor e morar em uma ilha qualquer, escrevendo livros de faroeste, deitado em uma rede, com o laptop no colo. Claro, com mulheres peladas trazendo daikiris. Coisa mais clichê. Mas ele adorava clichês. Ele estava dentro de um agora.

De repente ele sentiu seu peito vibrar e achou que estivesse tendo um ataque do coração. Mas, por mais estranho que parecesse, era seu celular, que ele esquecera de tirar do bolso, que estava tocando. Era seu cliente, Thomas Lenght. Ele o estava defendendo da acusação de estupro e assassinato de uma menor. Certo, ele era culpado até o último fio de cabelo e, provavelmente iria para a cadeira elétrica, e se ele morresse ali, agora estoporado no chão, Lenght ficaria sem um dos melhores advogados, modéstia à parte, e certamente seria condenado, se defendido por outro. Ele atendeu o celular com muita dificuldade.

- ALÔ, O QUE VOCÊ QUER LENGHT, ESTOU MEIO OCUPADO AGORA!
- Eu preciso de sua ajuda, Merrick!!! Recebi uma visita esquisita, de uma mulher. Ela se dizia tia da garota que me acusam de ter estuprado e assassinado, irmã da mãe dela. Não sei como ela conseguiu meu endereço. Ela disse que ia dar um jeito para que eu fosse condenado.

Merrick pensou por um momento, e perguntou:

- COMO ELA ERA, LENGHT?!

Depois de uma rápida descrição, Merrick disse:

- LENGHT, ENTÃO MEUS PÊSAMES, ELA ESTAVA FALANDO A VERDADE. ELA TE FERROU MESMO!

Merrick desligou o telefone e jogou-o fora e por um tempo os dois caíram juntos. O chão esta bem mais próximo agora. Foi quando num estalo, Merrick lembrou que havia a droga do segundo cordão, que tanto falaram nas lições. Onde ele estava com a cabeça. Bom, mas se a coisa toda era uma armação, puxar o segundo cordão não daria em nada. Mas não custava tentar. Encontrou o cordão e puxou. Um monte de panelas, frigideiras e utensílios domésticos saíram de dentro da mochila que deveria ser o pára-quedas. Pelo menos foi isso que veio à mente de Merrick. Ele via desenho animado demais. Na verdade, o que aconteceu mesmo, foi que o pára-quedas abriu, com ele bem próximo ao solo. Foi uma aterrisagem dolorosa.

Mesmo assim, foi melhor do que morrer como um inseto num pára-brisa. Merrick aterrisou num local meio deserto, com uma floresta bem adiante e deu graça a Deus de não ter aterrisado em cima das árvores. Provavelmente não sobreviveria. Uma neblina fina cobria o chão gramado onde ele estava. Ele não conseguia entender por que o pessoal com o avião não estava por perto. No fim das contas, a mulher não tinha nada com isso, e a descrição dela, feita por Lenght era apenas uma coincidência.

Merrick estava meio perdido, mas vivo. Era apenas uma questão de encontrar o caminho de volta para a base de salto. Retirou o pára-quedas e já ia embora quando uma sentiu que alguém tocava suas costas. Levou um susto ao ver uma menina ali, no meio daquele nada.

- M-mas... de onde você saiu, menina? Onde estão seus pais?
- Eles estão ocupados chorando, moço. Eles estão ocupados chorando.

O rosto pálido da menina, que estava com um vestido azul claro, fez o estômago de Merrick revirar e ele quase vomitou. Era a menina assassinada por Lenght. Ele vira as fotos. Era a porra de um fantasma. Merrick percebeu que ela estava descalça com a névoa cobrindo seus pés também pálidos. Ela segurou a mão de Merrick, uma mão gelada. Merrick tentou retirar a mão, mas ela o segurava forte.

- Vamos passear, moço. Assim você não tem que fazer coisas que não deve. Deixa a culpa cair sobre quem tem culpa.

Merrick jurava que aquilo só podia ser um pesadelo. Ele deve ter desmaiado com a queda, e estava sonhando. Seu corpo devia estar em uma confortável maca na base de salto. Pelo menos era o que ele queria muito que fosse a verdade.

- Vamos passear na floresta, moço. Todo mundo gosta de lá, e não quer mais sair. Por isso vim te buscar.

Merrick só queria que ela largasse sua mão pelo menos. Era gelada demais. Ela o puxava em direção a floresta, que era de onde vinha aquela névoa. Quanto mais se aproximavam, mais Merrick sentia que nada bom poderia estar escondido ali dentro. A menina sorriu para Merrick que se sentiu incomodado com aquele estranho sorriso. O que era tudo aquilo afinal. A menina pareceu ver a dúvida no rosto de Merrick, e disse:

- Moço, não existe segundo cordão.

Merrick soltou um grito de horror que ecoou pela floresta inteira.

Então, Jerusalem Jones acordou, agitado e suado, de um pesadelo do qual ele nada entendeu, mas que sabia, nunca iria esquecer. Seu estômago doía. Ele lembrou de que Merrick era o nome de seu irmão mais novo, que morreu de pneumonia aos 5 anos de idade.

Jerusalem virou pro outro lado e tentou voltar a dormir. Não conseguiu.


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