domingo, 31 de julho de 2005

Era Uma Vez no Oeste

ERA UMA VEZ NO OESTE


Além dos gibis e da TV uma coisa que fez parte de minha infância e adolescência foram os cinemas da Baixada Fluminense. Diferente dos cinemas da "cidade grande", eles tinham seu próprio sistema peculiar de funcionamento. Sempre colocavam dois filmes em exibição, podia-se entrar a qualquer momento do filme, não se precisava esperar a sessão terminar. Se você aguentasse podia ficar e assistir quantas vezes quisesse. Mas claro que depois de dois filmes na cabeça, ninguém mais queria saber de ficar na sala.

Cine São Francisco - localizado no bairro Lote XV, foi o melhor cinema da minha infância por um motivo especial: deixava menores de idade entrarem para assistir aos filmes de sacanagem que nem na Sala Especial poderíamos ver. Naquela época eu devia ter uns 13 anos e já entrava para ver pérolas como Promiscuidade - Os Pivetes de Kátia, que deixa a cena polêmica da Xuxa no chinelo. O próprio dono do cinema era quem ficava na bilheteria e não barrava praticamente ninguém. Só lembro bem de uma vez em que o filme era de sexo explícito e ele não deixou uma garota entrar que fez um escândalo enorme na porta do cinema. Lá eu também assistia a filmes de terror que me tiravam até o sono ou me faziam morrer de rir, como por exemplo, Barracuda, uma espécie de Tubarão dos pobres. Hoje em dia o cinema não existe mais, é uma Igreja Universal dos infernos. O cinema nunca teve condições de exibir lançamentos da época, para assisti-los eu tinha de pegar um ônibus e ir ao...

Cine Santa Rosa - um "complexo" de três cinemas que juntando não dava um. Ao se entrar, se já estivesse escuro e você quisesse se sentar com segurança, tinha de tatear o assento (de madeira) para ver se ele existia e assim evitar levar um belo tombo. O som era algo simplesmente horrível. Assistir a um desenho animado que, claro, só vinha dublado, era um terror. Abafado, horrível. Não se entendia o que se falava. Acho que o que eu mais gostava naquele cinema era como eles colocavam vários cartazes ao longo da galeria que atravassava de uma rua a outra de Duque de Caxias. Sempre que eu ia por lá, mesmo que não fosse ver algum filme, eu entrava na galeria e ficava olhando os cartazes. O cinema existe ate hoje, mas não mudou em nada.


Cine Paz - este fica apenas a alguns passos do Cine Santa Rosa. Ele poderia ser considerado, quando comparado aos outros, o nosso cinema 5 estrelas. Pelo menos os assentos não eram de madeira. O som era pouca coisa melhor. Talvez a lembrança mais forte que eu tenha dele é de ir assistir Gremlins e entrar no final do filme. Aquilo me deu uma raiva. Lembro também de entrar numa fila quilométrica para assistir nada menos que Os Trapalhões e o Rei do Futebol e ver um dos piores filmes dos Trapalhões até então. Depois de anos servindo a comunidade O Cine Paz também acabou e virou uma Universal, Mas hoje em dia é uma loja da C&A.

Cine River - este cinema metia medo. Pequeno, escondido. No entanto, a vontade assistir filmes não me impedia de ir aonde quer que fosse. A "especialidade" da casa eram filmes de Kung Fu. Assistia filmes tenebrosos de um Jackie Chan que eu nem fazia idéia de quem era na época. Outra lembrança "macabra" é de ter pago para assistir a um "filme" só de pegadinhas americanas, num tempo em que nem o Sílvio Santos pensava em fazer isso ainda. Não sei se ele ainda funciona hoje em dia.

Claro que a vontade de assistir filmes não me limitava apenas a Duque de Caxias e, mesmo moleque ainda, eu acabava por ir mais longe, mesmo sozinho. Eu só ia ao cinema sozinho. Certa vez comecei a andar por Copacabana e resolvi entrar em um do cinemas e assistir Um Dia a Casa Cai, com Tom Hanks. Era engraçado ver que aqueles cinemas só exibiam UM filme! Quando E.T. - O Extraterrestre teve um segundo lançamento, creio que em 1985, também foi na Zona Sul do RJ que eu tive de ir assistir, pois os cinemas mais próximos não exibiam.

Hoje em dia, morando aqui na Zona Sul do RJ, já me acostumei aos cinemas de luxo, mas sempre fica a nostalgia dos cinemas "poeira". Neles aprendi a gostar de cinema... mesmo que eu não conseguisse ouvir bem o que era dito no filme.




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