quarta-feira, 28 de julho de 2004

Alma/Carinho

ALMA

Ouvi ao longe tua voz gentil menina de olhos alegres
Certamente respondi com um aceno que retribuíste
Percebi o quanto teu rosto se iluminava quando assim o fiz
Sentia que teu coração ritmava com o meu

Ouvia tudo ao redor pulsar como música, era tua alma
Tua alma estava ao meu redor, estava em tudo, em todos
Como um acorde mais forte senti teu beijo suave
Como um refrão, senti evidente beleza interior

O ar que eu respirava estava mais leve, sentia teu perfume
Me sentia envolvido por uma fragância divinamente humana
Parecia que o vento tomara tua forma e bailava agora
Diante de mim, via você num rodopiar hipnótico

Tua alma, era tua alma que me mostrava você
Eu enxergava através das janelas que me foram dadas
E via além da mera natureza, via além da tua beleza
Que me deixava atõnito e ao mesmo tempo enlevado

Quem me dera ter estado no princípio de tudo
Onde tua alma infinita jamais teve início e sempre existiu
E lá estando olharia através de ti veria o paraíso
Onde os poetas encontraram toda sua inspiração.



CARINHO
Eventualmente seus olhos brilhavam, deixando sua alma transparecer 
Nem era preciso muito esforço para amá-la de todo coração 
De seu sorriso inquieto e contagiante sentia-se seu carinho 
Nem mesmo o mais sisudo ficava sem sentir por ela afeição 

Em questão de segundos ela fazia amigos como quem colhe flores 
Sua vivacidade deixava a todos mais conscientes de como a vida é bela 
Em suas palavras estavam inscrustados os mais belos elogios 
Que fazia a quem amava, deixando-os em estado sublime 

Juvenil como o amanhecer com seus raios de sol 
Encantadora como uma pequena fada de um conto imaginário 
Suave como um pétala de rosa deslizando no ar 
Gentil como o afago da mão de uma criança inocente 

Mesmo um poema era pouco para descrevê-la 
Palavras tornavam-se poucas e o poeta sentia-se impotente 
Então para não deixar de completar sua poesia 
Ele lembrava do lindo rosto dela e a inspiração vinha.

segunda-feira, 26 de julho de 2004

Um Conto Para Se Esquecer

UM CONTO PARA SE ESQUECER

Passei a noite escrevendo um conto, acabei por pegar no sono e não consegui terminá-lo. No dia seguinte ao acordar, me dei conta que o computador ficara ligado e eu nem mesmo havia salvo nada do que escrevera. Pior ainda eu não lembrava nada do que escrevera. Corri para o computador, que estava com o monitor apagado, e liguei o mesmo, para sentir o horror tomar conta de mim: não havia nada na tela. Quando digo nada é nada mesmo. A tela acendeu e só havia um grande espaço em branco ocupando a tela.

Minha confusão aumentava. Não só o que eu escrevera estava perdido, mas também tudo mais que havia no computador, pelo menos enquanto eu não conseguisse resolver aquilo. Toquei no mouse, nada acontecia. Não sabia se era um problema intermitente. Se eu reiniciasse o computador, toda e qualquer chance (se é que havia alguma) de recuperar o que escrevi, estaria perdida.

Fiquei ali, parado, olhando para aquela tela hipnoticamente branca, como a minha mente estava em relação ao conto que eu escrevera poucas horas antes. Um grande cansaço se abateu sobre mim. Eu torcia para que eu estivesse sonhando. Mas sabia que não era. Eu ainda sabia diferenciar sonho e realidade.

A tela piscou. Ou não? Teria sido apenas eu? Acho que pisquei e achei ter visto a tela voltar por menos de um segundo. Parecia que eu avistara, naquele átmo de tempo, o editor de texto, totalmente preenchido com minhas palavras. Parecia que eu até mesmo vira parte do título do conto: "...ESMO".

Mas não, era apenas minha imaginação funcionando para me dar alguma esperança. A tela agora estava me incomodando. Uma decisão se fazia urgente. Eu devia desligar e voltar a dormir. Esquecer tudo aquilo, não adiantava mais. Depois que dormisse mais eu tentaria resolver o problema do computador, que naquele momento era o menor dos meus problemas. Eu precisava do conto. Para hoje.

Não precisei tomar decisão alguma. Com um som de um clique vi a tela do computador piscar, ficar mais branca (se isso era possível) e desligar-se, como quando se desliga normalmente. Agora se fora mesmo, não havia mais o que pensar, a não ser o fato inquietante de eu não me lembrar de nada do que havia escrito. Agora eu estava preocupado apenas com esse meu problema de memória. Fui deitar. Genial, também estava sem sono.

Fitando o teto, parecia que eu continuava vendo a tela em branco do computador. E eu realmente imaginara ter visto uma parte do título: "...ESMO"? De repente senti um torpor no corpo, o cansaço aumentara, mas também um certo alívio. Parece que eu começacava a aceitar o inevitável. Talvez eu não devesse lembrar o que escrevi, devia ser algo tremendamente ruim. senti os olhos pesarem de sono. Comecei a dormir e meu último pensamento foi que talvez fosse UM CONTO PARA SE ESQUECER MESMO.







sábado, 24 de julho de 2004

Eterna

ETERNA

Terna, assim é tua alma, é terna
Ternura que desabrocha de dentro de teu sorriso
Candura que se revela no teu olhar
Doçura que teus gestos deixam notar

Não é algo você possua, é algo que vc é
Você é amor, não apenas tem amor
Você é o desejo feito a uma estrela cadente
Você é a linha da vida na palma da mão

És a paisagem que envolve o andarilho
Que solitário sorri tal é a tua beleza
És do mar a onda selvagem
Que ainda assim tem uma certa mansidão

Você sempre será a lembrança de saudade
O riso infantil que escapuliu por acaso
A mão que acaricia o rosto cansado,
E na tua ternura, serás sempre eterna.

quinta-feira, 22 de julho de 2004

Moça Misteriosa

MOÇA MISTERIOSA


Estava a percorrer a estrada, aquela da vida
Como faço desde que nasci, e então a avistei
A beira da estrada
Caminhava decidida
Ao passar por perto dela, sua mão eu agarrei
E a puxei

A moça misteriosa
Senti sua mão firme, mas ainda assim gentil
Pensei que ela fosse resistir
No entanto, apenas adentrou o meu caminho

Com seu sorriso um tanto irônico, caminhou
Ali ao meu lado, por vários minutos
Conversava e ainda assim, continuava um mistério
Revelava tanto de si em suas ações, em suas palavras

E a moça, de uma personalidade febril
Caminhando ao meu lado, me fez logo perceber
Que havia algo estranho, que eu não compreendia
Eu estava tão absorto em sua simpatia que não vi

Daí que em seu misterioso encanto, pude perceber
E nem mesmo me senti surpreendido
Pois ela não estava no meu caminho caminhando
Era eu quem na sua estrada estava.

quarta-feira, 21 de julho de 2004

Formas de Amar

FORMAS DE AMAR

No silêncio, no meu emudecido calar
No riso, na alegria descomedida
Nas lágrimas, nem sempre de tristeza
No olhar, que compreende e é compreendido

Na etérea realidade, que não se deixa enganar
Na paixão, que se mantém acesa
Nos trechos daquela música, que tornou-se nossa
No cheiro do teu perfume, que tomou meu ar

No beijo, incomum e demorado
No abraço, que parece interminável
Na loucura, que me deixa são
Na poesia que escrevo a todo instante

As formas de te amar são tantas,
Incontáveis,
Não há poesia que as enumere
Mas talvez eu consiga... espere.

terça-feira, 20 de julho de 2004

Menina

MENINA



Menina de belo sorriso, abrigo
Abrigo do sol abrasador,
Renasce aos olhos que te anelam,
Em belo botão de flor

Menina de belo sorriso, contagia
Contagia e agita todo meu ser
E ser apenas humano é o que sinto
Ao teu sorriso me derreter

Menina de belo sorriso, encanta
Como magia de um sonho recorrente
Que sela o meu lábio para um beijo
Soprado neste encanto de lua crescente

Menina de belo sorriso, inspira
Inspira canções e versos de poesia
Que são inscritas no âmago
De alguém que teu sorriso aprecia.

segunda-feira, 19 de julho de 2004

Anatomia

ANATOMIA





Música aos meus ouvidos, assim é tua voz
Orvalho brilhando com o sol da manhã, teus olhos
Seda macia meu rosto afagando, tuas mãos
Estrada em que me perco, maravilhado, teu corpo

Quadro pintado por artista divinal, teu rosto
Marés que me puxam pra perto de ti, teus cabelos
Colunas muito bem torneadas, tuas pernas
Correntes de carinho, que me envolvem, teus braços

Lugar onde minha cabeça encontra consolo, teu colo
Se estou triste aí é que eu choro, teu ombro
Onde recebo beijos e palavras de amor, tua boca
O que te traz até mim, quando estou só, teus pés

Conta as horas que faltam para que eu chegue, teus dedos
Me faz viajar ao paraíso na terra, tua libido
Ouve minhas declarações sempre apaixonadas, teu ouvido
E a parte em que moro, com tua permissão... teu coração.

RUMOS

Cada passo, um aprendizado mais
Na direção que nos leva a paz
Cada palavra falada no tempo certo
Trás o amor cada vez mais para perto
Cada gesto de carinho, afagando uma criança
Mostra que nem tudo está perdido, há esperança
Cada arma que é derretida, transformada
Dá um novo vigor a esta Terra tão mau tratada
Cada pássaro liberto de sua pequena prisão
Traz um novo canto, diferente, com mais paixão
Cada árvore não cortada, sobrevive, dá semente
Para arborizar um novo tempo que vem pela frente
Cada animal liberto de seu frio cativeiro
Faz o homem voltar a ser humano inteiro
Cada porta que se abre para alguém em aflição
É uma lágrima de desespero que não cai mais ao chão
Cada vida salva da morte numa guerra ou aborto
É o futuro que se cria, no caminho certo, não torto
Cada amigo que cativamos com tanto carinho
É uma pedra preciosa que enfeita o caminho
Cada palavra escrita por tantos e tantos poetas
É porquê a vida é bela, e essa afirmação é certa.


LIBERTAS


Asas que batem para longe
Sem se importar para onde ir
Só estar livre é o que importa agora
Pés que correm como o vento
Sentindo o mesmo contra o rosto
Corpos que planam no céu
Não estão voando, eu sei
Estão num êxtase que os mantém no ar
Espíritos soltos nesta dimensão
Galope veloz, na planície infinita
Mãos acariciando o que é etéreo
Brilho nos olhos iluminando a escuridão
Não existe mais a penumbra
O perfume da liberdade é de grama molhada
A música do liberto é o barulho da chuva
Não há mais o medo
Não há mais a guerra
O ódio foi esquecido nos corações
A inveja se transformou em admiração
O ciúme em zelo amoroso
Cada humano se torna um ser
Pois ser humano é um milagre
E nos nossos corações, sabemos:
Libertando seremos também!




SE A LÁGRIMA...


Se a lágrima chegar deixa ela rolar
Chora bem baixinho, para a tristeza lavar
Mate essa saudade que está tendo de sí
Vá adiante, com a força que existe em tí

A imagem no espelho, que viste, a interior
É você por inteira, a pessoa que é só amor
O amor é tanto que quer pra sí o melhor
E você merece, mas saiba, não estás só

Se a lágrima chegar deixa ela rolar
Estarei junto a tí, para te acompanhar
A tristeza eu sei, nunca pode te vencer
Ela é passageira, logo vai desvanecer

Mas se ela demorar, parecendo infinita
Lembre que alegre, você é bem mais bonita
Não, não ela não tira a sua beleza
Você é bela independente de tristeza


Se a lágrima chegar deixa ela rolar
Deixe fluir tudo que está a te abalar
Mas eu sei, pois te conheço que és pura alegria
E é com ela que haverá o raiar de um novo dia!
Mas, amiga querida, se a lágrima chegar...
Deixa ela rolar!



sexta-feira, 16 de julho de 2004

Canção do Inverno

CANÇÃO DO INVERNO
Ela cantava a canção do inverno , tocando em seu violão
A cantiga não tinha nada de fria, como a estação
Seus lábios dançavam em uma poesia divina
Cantando palavras, com sua voz de menina

Seus olhos tão belos, acompanhavam as cordas
Seus dedos, tocando a canção, não erravam uma nota
A canção do inverno era a canção do amor
Amor que estava nela, que cantava o ardor

E seguindo a melodia, eu pude ver seu sorriso
Derretendo a canção, de modo preciso
Na canção que crescia, preenchendo meu mundo
Com seu canto eterno, de sua boca oriundo

E em meio a tudo, em meio à canção
Percebi mui perplexo o que me chamou atenção
A canção do inverno era nossa história contada
E senti o seu beijo, enquanto ela cantava, de forma calada.

quarta-feira, 14 de julho de 2004

A Poesia Não Tem Fim

A POESIA NÃO TEM FIM

Antes de tudo, até mesmo da palavra, a poesia já falava
Antes mesmo da escrita, a poesia já era dita
Antes mesmo do primeiro amor, a poesia já tinha ardor
A poesia sempre esteve presente

Antes mesmo da primeira rosa nascer, a poesia já estava a florescer
Antes mesmo de teu beijo eu sentir, a poesia já estava aqui
Antes até de eu louvar a tua beleza, a poesia a descrevia na natureza
A poesia nunca esteve ausente

Antes da primeira chuva cair, a poesia era quem te fazia sorrir
Antes do teu olhar me inspirar, a poesia estava a te buscar
Antes de teu abraço carinhoso, a poesia já me deixava saudoso
A poesia sempre foi coerente

Antes mesmo de você e de mim, a poesia já não tinha fim

domingo, 11 de julho de 2004

Visão

VISÃO


Na planície ouvi o chamado que tanto esperava,
Retardando minha caminhada, parei
Retirei de minha sacola uma pedra transparente
O sol que nela batia, tentava dizer algo

Na planície...

Na pedra, vi teu nome reluzir, nem percebi de pronto
Mas meus olhos puderam entrever na segunda vez
Era você

Na planície...

Vestido longo, branco com detalhes em vermelho
Lenço na cabeça, olhar de solidão
Ainda assim, sorrias
Como um pedaço do sol, como uma filha da lua
Na planície eu te avistava

Na planície...

Determinada, andavas pela planície, como se flutuasse
O balanço de teu andar, era algo de se apreciar
Algo hipnótico
E andavas sem nem mesmo o chão marcar

Sim, na planície

Teu seio, no decote do vestido, fazia um belo quadro
Como se tivesses saído de uma antiga pintura
E teus chinelos de amarrar, eram de um belo feitio
Combinando com tuas pulseiras de um colorido variado

Apenas você, estava na planície

Com tuas mãos começaste a fazer gestos de dança
Levando-as acima da cabeça,
E enfeitiçando com um olhar de fogo
A mim e a minha alma

Dançavas, na planície

Levavas a cabeça de um lado ao outro
Ao mesmo tempo que teus braços e mãos dançavam contigo
Remexias como se não houvesse ossos em tua cintura
E tua dança era o doce acompanhamento de um canto milenar

Canto que vinha da planície

Com tuas mãos acariciou meu rosto
Com tua boca, roubou-me um beijo do qual não fugi
Com tua dança, deixou-me extasiado
E se foi, fiquei ali, parado...

Na planície...

quinta-feira, 8 de julho de 2004

Boquiaberto

BOQUIABERTO

Sendo apenas noite, eu me tranquei no porão da minha mente. Mas de dentro dela fui arrebatado, como que por uma catapulta. Lançado para a realidade e caindo em teus braços surreais. Decidi, boquiaberto, receber o beijo de tua boca. Nem mesmo tive tempo de dizer sim, pois teu beijo já estava em mim. Boquiaberto.

Sentei na pedra, à beira do rio, e fiquei a esperar, durante as horas, a água parar de correr. Mas nem mesmo eu sabia por que a água corria. Quis parar, mas nem mesmo sabia como faria. Ao meter a mão na água gelada, senti um calor me preencher. Era a resposta do rio que nunca secaria. Eu estava tão insensato. Ingrato para com a dádiva da natureza.

Eu me queimei ao passar perto do fogo apagado. Jurei que estaria seguro ao teu lado, ao lado da luz que o fogo nem mesmo luzia. Era algo que dependia da fé, dos olhos internos, de ver com e mente. De repente a chama crepitou e o fogo apagado acendeu, para a chama lamber o lado oposto de minha mão, aquele lado que eu estava a proteger. Não queimou.

Dançava eu na chuva, enquanto os outros olhavam disparatados, pensando que era loucura o que eu fazia, mas a chuva é minha amiga. Eu contava os pingos da torrente que caía, e meus olhos, sim meus olhos estavam inundados de chuva e alegria. Minhas lágrimas eram a chuva e a chuva era feita de minhas lágrimas. De vez em quando um relâmpago sorria.

Atraquei meu barco no sonho mais próximo e nem mesmo, sim, nem mesmo reparei que era um sonho recorrente. Soltei a âncora, e parei ali. Saltei e o sonho não era meu, era seu. Sonho de luar, sonho de noites de festa, com músicas tocadas em violões, cantorias ao sabor da noite, alegrias escritas em melodias improvisadas. Eu tentava te enxergar por entre a neblina da noite e quando reparei, você estava junto a mim.

Então o poeta se perdeu em suas próprias palavras. E, além de você, havia a poesia marcada pelo fulgor do teu olhar, pela tua risada alegre e contagiante e por cada sussurro proferido por você. O poeta incendiou-se de paixão e suas cinzas foram jogadas ao mar de areia, onde se misturou ao deserto e no deserto ele sentiu tuas pegadas, teus passos que iam na direção do infinito. A bela mulher de saia rodada e de guizos que vai para o norte. O poeta era poeira, a poeira do deserto que te seguia de perto. Boquiaberto.


quarta-feira, 7 de julho de 2004

Cidade do Vento Leste

CIDADE DO VENTO LESTE

Ela era de longe, da cidade do vento leste
E eu me encantara pelo seu jeito gentil de ser
Jeito tímido, mas ao mesmo tempo forte
Sim, ela era forte

Nem por um minuto eu desviava de seu olhar
Olhar que me prendia de forma serena
Um sorriso que me algemava de todo
Uma singela mão que meu rosto alisava

Ela era de longe,da cidade do vento leste
Cidade que conheci, entrei e saí
Da cidade que ela morava
Onde eu me perdia e sempre voltava

Ela falava e dizia em poucas palavras tudo
Ela sorria e eu escutava o som das estrelas
Ela sussurrava baixinho e meu coração ias as alturas
Ela não estava presente, mas nunca estava ausente

Sentia que por ela eu rasgaria o fino pano da realidade
Esticaria o máximo o tempo ao infinito
E saberia que aqui ela sempre estaria, pois
Ela era de longe, da cidade do vento leste.


segunda-feira, 5 de julho de 2004

Janela Para o Luar

JANELA PARA O LUAR

Estou quase a dormir quando reparo a lua pela janela
Percebo o brilho que de longe me aproxima de ti
Penso o quanto a lua marca uma distância
E chego a conclusão de que o longe não existe

Da janela para a lua, que do meu quarto vejo
Penso no desejo que posso fazer a ela
Você sorri e diz desejos se fazem a estrelas cadentes
E eu respondo que desejos de amor se fazem a lua

Jogando seu brilho pela estrada lá fora, vejo de onde estou
Você se aproximar
Trás nas mãos um pedaço do luar
Nem mesmo sei como dizer o que sinto
O sono embaça minhas palavras

Quando você canta a música em meu ouvido
Sinto como se fosse a lua cheia a me despertar
Do minguante estado que estou, meu coração vira crescente
Uma nova lua que parece me mostrar cada vez mais você

Minhas palavras soam incoerentes e nem mesmo a poesia
Parece fazer sentido
Meus olhos ardem de sono e tento me manter lúcido
Olhando a lua pela janela

Teus cabelos negros fazem um contraponto com o brilho
Teus olhos de um singelo olhar penetrante
Penetram como o brilho dela, em minh'alma
É lua, amiga do sol
Distantes um do outro, mas compartilhando a mesma luz

Começo a colocar palavras na areia, sob o luar
E da janela eu me vejo fazendo tal coisa
Vejo que escrevo palavras na areia
E você segura minha mão

Da janela vejo a lua, e vejo a nós dois
As palavras são agora como uma carta
Escrita na areia
Sinto tua mão sobre a minha

Acho que o sono me venceu e já estou dormindo
Sinto teu cheiro cigano, teu beijo
Nem mesmo percebi que a lua que eu observava
Da janela que eu mirava, era somente você

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