sexta-feira, 30 de abril de 2004

Memórias de um Esquecido

MEMÓRIAS DE UM ESQUECIDO


Finalmente nasci. Estava cansado de ficar "contando as horas" para sair daquele aperto. Sim, sim... aqui fora é bem mais claro, machuca os olhos, estava no quentinho e etc e tal, mas ficar naquela posição NOVE MESES, é um saco! Hmmmm... estou em uma casa...e não é das melhores. Estou chorando só pra fazer charme... acho que esperam que eu faça isso... mas também porquê acabaram de cortar aquele troço da minha barriga com uma tesoura que devia ser de cortar tijolo! Minha mãe me segura. Não me perguntem como sei que é ela. Só sei que é. Um bigodudo me olha meio indiferente, como se nem fosse a primeira vez que ele tem um filho. Sai e acende um troço lá e começa a jogar fumaça pela boca. Deve ser uma espécie de ritual, sei lá. A mulher que é minha mãe não para de chorar, será que cortaram alguma coisa dela também?

Mas que casinha furreca! E parece estar no meio do nada, a não ser por algumas casas. Meus pais estão juntos agora, me olhando. Falam algo sobre ter de mudar, ir embora de onde estão, mas minha mãe parece não estar gostando da conversa, diz que gosta de onde está. De repente a casa é invadida por uma multidão. São meus tios, meus avós e alguns vizinhos. Minha mãe não me deixa ir com nenhum, mas me deixa à mostra, como se fosse um troféu, ou algo assim. Alguém pergunta qual será meu nome. Minha mãe balbucia: Eudes. Meu pai grita lá de trás: FRANCISCO! As pessoas resolvem não tocar mais no assunto.

É tanta gente falando com uma voz engraçada. Meu Deus! Eu vou falar assim? Lá no fundo alguém come um pedaço de algo que ouço alguém pedir, chamando de rapadura. Definitivamente, este lugar é esquisito.

Já se passaram alguns meses e meu pai quer realmente ir embora, para um lugar que ele chama de Rio de Janeiro. Minha mãe reluta um pouco, mas acaba concordando. Então, tudo decidido, eles se despedem e entramos em algo que nunca havia visto antes (não há muito o que ver por aqui): um ônibus! Se existe um lugar de tormento eterno, seu nome é ônibus para o Rio de Janeiro. E eu simplesmente já achava que íamos morar alí, que alí é que era o tal Rio de Janeiro.

Mais alguns meses se passam e estamos morando numa casa melhorzinha do que aquela em que eu nasci. Ouço muito falar em Duque de Caxias, acho que é onde moramos. Minha mãe cobra de meu pai que me registre logo, seja lá o que isso for. Mas parece ter a ver com aquela questão do nome. Há um pequeno quiproquó entre os dois. Minha mãe diz, aos gritos que quer que seja Eudes. Meu pai diz que será Francisco e ponto final. Ele me leva ao tal lugar e me registra. Agora tenho de atender pelo nome de Francisco de Brito Honorato. Que nome grande. Não vou conseguir lembrar.

Meu pai chega em casa, com a certidão, meio que feliz, como que tendo ganho uma batalha. Minha mãe me pega no colo e simplesmente me embala e diz:
- Oi, EUDES, gostou do passeio com o pai?
Meu pai parece que ia começar a dizer alguma coisa, mas em vez disso só abanou para ela a certidão e fala algo como "vale o que está escrito". Parece que isso ainda ia dar pano pra manga.

Nos dias seguintes minha mãe virou uma metralhadora e a munição era o nome "Eudes". Se algum vizinho perguntava meu nome ela dizia, sem pestanejar: Eudes. Com a chegada de vários tios que vieram de lá de onde morávamos (Ceará, se não me engano), a coisa piorou. Muitos chegavam e perguntavam onde estava o Eudes, pois nos meses que passei lá, minha mãe só me chamou assim. Meu pai ouvia tudo e não conseguia quórum entre os parentes (os tios citados, eram irmãos e irmãs dele) para que Francisco pegasse. Por fim, um dia chegando do trabalho, meio abatido, mas apenas por causa do trabalho, ele me viu deitado no berço, deitado, mas sem estar dormindo, apenas quieto, e perguntou à minha mãe:
- O Eudes tá com alguma coisa? - ele sabia que eu estava bem, mas acho que ele resolvera que era hora de admitir que perdera. Se os cearenses não fossem tão péssimos para demonstrar carinho nessas horas, acho que minha mãe o teria abraçado e beijado. Mas ela apenas deu sorriso matreiro e foi preparar o jantar dele.

Depois disso demorou alguns anos até que escutasse o nome "Francisco", referindo-se a mim, novamente. Mas ali eu percebi uma coisa: minha mãe era a mulher mais forte e persistente que eu conhecia. Ela "mudou" o que estava escrito. Deitado no berço, eu "pensava" em tudo isso e adormeci... e sonhei. E nunca mais acordei...

quinta-feira, 29 de abril de 2004

Temas Recorrentes

TEMAS RECORRENTES




Temas Recorrentes em Sonhos Diferentes:

Acho que nunca tive nenhum sonho recorrente. Aquela coisa de ter o mesmo sonho várias vezes. Mas tenho temas recorrentes, ou seria melhor dizer, certas coisas que volta e meia estão em meus sonhos, seja por eu ter vivido muito tempo em contato com aquilo ou simplesmente por ser uma coisa comum aos sonhos, como voar, por exemplo.

Elevadores - Como trabalhei muito tempo subindo e descendo de elevador na tal fábrica de biscoitos que já citei aqui, eu vivo sonhando com elevadores. Muitas vezes tenho sonhos em que a única coisa que consigo lembrar é de que eu estava em um elevador. Diferente da vida real, andar de elevador nos meus sonhos é altamente incômodo, me dando uma sensação estranha de estar perdido.

Ônibus - o motivo é o mesmo do de cima. Já andei muito de ônibus. Quatro vezes ao dia, na maioria das vezes. Assim, sempre sonho que estou indo a um lugar específico. O mais estranho é que nunca sonho com a viagem de ônibus em si, mas com a ida até o ponto de ônibus e de que de lá eu vou para algum lugar. Nos sonhos o lugar é SEMPRE o mesmo, mas quando acordo eu nunca sei que lugar é esse.

Voar e/ou flutuar - eu sonhava muito voando, quando era mais novo, mas hoje em dia, quando sonho com o poder de desafiar a gravidade não é mais como antigamente, onde eu voava tão alto e livremente quanto podia. Agora é mais um flutuar forçado, mas que dá uma sensação boa, pois parece bem real. Geralmente este "poder" se manifesta no sonho se eu estou fugindo de algo ou alguém. Eu simplesmete agarro minhas pernas (como os para-quedistas logo assim que saltam) e me forço a subir, me forço a flutuar. Como não é a mesma coisa que voar, eu até consigo, mas sempre esbarrando nas coisas. E não dura muito tempo. Estou ficando velho até nos sonhos.

Testemunhas de Jeová - não preciso explicar que é porquê passei sete anos por lá, né? Sim, sempre sonho que voltei, mas não por causa da religião, mas por causa das amizades que deixei. E sempre volto no sentido de estar lá, mas não de fazer parte da religião. Como eles são proibidos de falar com quem sai, o cérebro não consegue lidar bem com isso e quando eu "volto" muitos não me aceitam, sem estar participando. Eu nunca lembro dos rostos de quem não me aceita de "volta", só dos amigos que não se importam que eu não seja uma Testemunha de Jeová, e ainda assim me tratam como um igual. Esses sonhos são altamente angustiantes.

Parques de diversão - este é um tema que não consigo entender muito bem porque acontece. Eu não era um frequentador assíduo de parques, na infância e nem mesmo ligava para eles, mas de vez em quando sonho que estou em algum tipo de parque. Eles nem sempre correspondem aos parques da realidade, mas sei que são parques.

Fuga - muitas vezes sonho que estou fugindo. Geralmente acordo e lembro que o sonho era sobre fuga, mas não lembro de que, nem porque. Nessas fugas passo por lugares que, tenho certeza, passei por eles em outros sonhos... mais de uma vez. Os lugares já são conhecidíssimos... mas só por tanto sonhar passando por eles.

Morte - me lembro apenas de duas vezes ter sonhado que morria, e o que mais me recordo é um em que alguém me dava um tiro bem na cara e eu simplesmente... morria. Tudo se apagou, e depois de um ou dois segundos eu acordei meio sufocado.

Cinemas - é, sim. Sonho muito parado em frente a cinemas vendo os cartazes de filmes. Já cheguei a sonhar com um cartaz de um filme que passei um bom tempo achando que eu tinha visto na vida real, mesmo sem lembrar o nome do filme. Poucas vezes eu sonho que estou dentro do cinema, vendo o filme, sempre é olhando os cartazes.

A padaria - é uma padaria que trabalhei dos 12 aos 15 anos. Sempre sonho que estou de volta. Como se eu tivesse sido re-contratado, pois no sonho eu sei que eu saí de lá faz tempo. Então toda vez eu penso: "Só mais esta vez e eu caio fora daqui pra sempre". Não chega a ser um sonho recorrente, pois está sempre no contexto de outro sonho.


sexta-feira, 23 de abril de 2004

Experiência à Fricção

MINHA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA A FRICÇÃO




Tava dando uma olhada no blog Em Algum Lugar da Minha Memória, na matéria sobre os bonecos de super-heróis da Gulliver e me veio à memória o tempo eu em eu anelava pecaminosamente ter algum brinquedo que fosse a controle remoto... que apenas se mexesse... sozinho.

Quando eu via um Autorama, um Ferrorama, qualquercoisarama, que se movesse sem precisar usar de força manual para causar um ilusório movimento por alguns microssegundos... EU DESEJAVA. Eu apenas observava, mas no fundo eu...DESEJAVA!!!

Minha mãe não podia sair por aí comprando brinquedos para um pois, daí, ela teria que comprar para os outros três que começariam a choramingar. Bom eis que eu comecei a trabalhar, digamos, beeeem cedo... e não estou falando de acordar de madrugada. Daí que com meu primeiro "salário" (pfff) eu quis me aproveitar e comprar algum desses brinquedos que andam sozinhos.

Bom, quando saí com minha mãe, não disse nada a ela, apenas peguei o que queria na loja em que estávamos e paguei com MEU dinheiro (uaaau!). Claro que fiquei meio frustrado ao descobrir que não dava para um Ferrorama, pois seria preciso uma dinhei-RAMA (huahauahauhaua... eu tô demais...ai!). Depois de me conformar, e ver que não daria para nada que se mexesse apenas a controle remoto ou mesmo colocando-se a pilha e vendo ele andar pra lá e pra cá, eu comprei uma... MOTO A FRICÇÃO DO CAPITÃO AMÉRICA.

Por isso quando vi a matéria do blog citado me lembrei, pois creio eu que aquele brinquedo também era da Gulliver. E como eu me diverti. Meu Deus! Eu aprendi até mesmo a fazer a moto correr dando um cavalo-de-pau! Se alguém leu a matéria que escrevi sobre álbuns de figurinhas no Sobrecarga, deve lembrar que citei que eu tinha muitas figurinhas repetidas do álbum O Retorno de Jedi. Pois bem, além de castelos de "cartas", eu não citei na matéria, mas eu fazia RAMPAS para a moto saltar!!!

Como a gente se torna criativo, quando se tem pouco. E como podemos esquecer que temos pouco, e apenas se divertir. Essa moto, com o Capitão América sentado nela foi uma parte importante da minha vida. Acho que até se pode fazer um paralelo com o Rapadura Açucarada e tudo o que aconteceu aqui: pela diversão... eu vou até onde for POSSÍVEL para conseguir o que quero! FUN! FUN! FUN!

terça-feira, 20 de abril de 2004

O repente do Blog

O REPENTE DO BLOG


Tô na rede, tô deitado
Só navego, num balanço
Tô assim, tão chateado
Tudo velho, só tem ranço

Já chateei, já conversei
Até fui desconversado
Aqui de tudo encontrei
Até tudo ficá parado

Tudo igual, só falatório
As “notícia”, tudo besteira
Só pra rimá, vai mictório
Saí da rede, fui pra esteira

De repente, começô
Era um troço diferente
Um tal de blog, sim sinhô
Arrebanhava muita gente

Eu dizia: não me rendo
Mas o tal blog, aumentava
Todo mundo escrevendo
Alguns “ria”, outros “chorava”

Já estava me irritando
Tanto blog e eu na minha
Já estava afirmando
“Isso é coisa de ‘frozinha’”

Mas tava chato, tudo “quéto”
Eu num tinha o que fazê
Vi se tinha alguém por perto
E um blog eu fui vê

Quando tava tudo um tédio
Fui fazendo logo o meu
Mas não tive ôtro remédio
Quando o blog não rendeu

Apaguei o desgraçado
Com um tiro bem na nuca
Num sei escrevê do agrado
Pra esses filho... da mãe

Até tentei uma ôtra vez
Mas ainda foi uma desgraça
Num durou nem bem um “mêis”
Quase voltei pra cachaça

Mas daí eu me lembrei
Tinha de sê coisa engraçada
O nome eu num acertei
Então vai sê... Rapadura Açucarada!

quinta-feira, 15 de abril de 2004

Síndrome de pânico

SÍNDROME DE PÂNICO


Acordo. Deitado no chão frio. Mas ainda assim queria permanecer ali. Parece que tive um sono longo. Mas por que estou deitado no chão? Não consigo lembrar. Me viro de lado, pois quero dormir mais. Porém, agora que acordei, não consigo mais dormir e quero entender por que diabos eu estou deitado no chão. Mas não consigo lembrar. Só tenho sono. Resolvo levantar.

Pra completar estou perdido no tempo. É de noite, é só o que sei. Mas por que estou sozinho? Onde está minha mulher? Que hora será? Olho para o relógio mas não consigo ver as horas. Quer dizer, eu vejo, mas não consigo entender que hora é. Olho para a janela que dá para a Voluntários da Pátria. Está aberta.

Coço a cabeça, num gesto automático. Nessa hora percebo que tenho um galo na parte de trás da cabeça que ocupa quase toda a extensão da mesma. Um galo muito grande. Mas, estranhamente não sinto dor nenhuma. Vou até a janela e dou uma olhada na rua. Começo a lembrar do que aconteceu.

Eu estava no computador. Talvez conversado com alguém, talvez postando no RA. Estava sozinho em casa. Mas como vim parar no chão, dormindo...? Então tudo me vem a mente. Pânico. Um ataque de pânico, seguido por uma crise de eplepsia.

Como já há algum tempo não acontecia, não me preocupava em ficar sozinho. A Lia saiu.Estou no computador. Enquanto faço um post para o RA, converso com o pessoal do trollnet - cinema e, de repente... uma taquicardia forte. Minha cabeça entra num turbilhão de pensamentos desordenados, ao mesmo tempo em que minhas mãos e palmas dos pés suam. Desligo o computador atabalhoadamente.

Passo pela cozinha, vou para a sala. Mas dali... para onde ir? A quem pedir ajuda? Mesmo se eu pudesse falar não havia ninguém. Em pequenos segundos de pensamentos racionais, eu retiro os óculos e coloco em cima da estante. Mas a quem recorrer? Eu preciso me apegar em alguém... é sempre assim que faço. Mas desta vez estou sozinho. Totalmente sozinho.

Vou até a janela e abro, tentando... sei lá....respirar. Não está adiantando. Vou desmaiar... vou desmaiar... (que na verdade é entrar na crise de eplepsia). Meu cérebro entrou em pane. Os pensamentos vem sem eu "chamá-los". Coisas desconexas que atrapalham o raciocínio lógico e calmo. Um único pensamento atravessa isso tudo... eu vou morrer! Ou se não morrer, vou ficar assim, louco, para sempre.

Não posso chamar o porteiro, pois não vou conseguir falar ao interfone. Perdi a capacidade de fala já há um tempo, desde o início da crise. Não posso abrir a porta e simplesmente descer as escadas, porque vou cair, com certeza... antes que eu possa tomar uma decisão, o clímax chega... me volto novamente para a janela e começo a ir na direção dela. Antes que eu chegue até ela...

...acordo. Deitado no chão frio. Mas ainda assim queria permanecer ali. Parece que tive um sono longo.

**************


Esta foi minha última crise de pânico e eplepsia, há um ano e quatro meses, depois de 12 anos tendo crises como as descritas acima. Atualmente tenho apenas pequenas crises de ansiedade, que incomodam, mas não são tão melodramáticas. O aviso no título, para não ler, é por que a leitura pode causar incômodo no estado nervoso de algumas pessoas, sei lá.

Tudo escrito acima, da crise até eu acordar, levou de 3 a 5 minutos no máximo. Não dá pra precisar bem. O galo na cabeça foi em consequência da eplepsia. Ao começar a crise desta eu devo ter caído para trás e batido com a cabeça no chão com toda a força.

Amanhã eu posto os links. Antes eu tenho de consegui-los!

terça-feira, 13 de abril de 2004

Tenho Saudades

TENHO SAUDADES




Tenho saudades...

... da minha professora do segundo ano primário, Celina, que me considerava o melhor aluno.
... da minha professora de Ciências da quinta série ginasial, que dizia que se podia engravidar apenas sentado numa privada mal limpa.
... de uma professora do ginásio que quase fui a casa dela me declarar (só não fui por quê me perdi no caminho).
... das dezenas de garotas pelas quais me apaixonei neste período escolar.
... das fofocas de se o padre que dirigia a escola era viadão ( e quando adulto saber com certeza, porquê ele praticamente "casou" com um colega do bairro).
... do olhar lânguido daquela menina (Andréa) quando passava por mim.
... da pergunta de uma menina que até hoje lembro: "Você não tem lábios?"
... de achar um gibi raro, jogado na arquibancada do pátio (pena eu não lembrar o título, acho que era europeu).
... de perder meus óculos e achar, dias depois, na casa em frente ao colégio, pois a mãe de um colega tinha pêgo e guardado.
... de fugir das aulas de educação física.
... de ouvir a menina (Valéria; meninas lindas sempre tem nomes lindos) chorando, com seus 10 anos, na formação para entrar na sala, dizendo: "Eu odeio ser bonita", depois de aguentar um aluno enchendo a paciência dela.
... de ver a escola mudar de visual a cada ano que passava.
... do horror que foi ver a mãe da minha profesora do jardim de Infância trocando de roupa.
... de chorar, com todos os outros, no pátio, quando o padre (o viadão) disse que a escola teria que acabar por falta de verbas.
... dos amigos que fazia a cada ano.
... de ir para a escola a pé, pois tinha vergonha de pedir carona em ônibus.
... de saber que o nome do irmão de uma colega da minha irmã era GABARITO!
... de ter amizade com minhas irmãs e irmão nessa época, e não apenas algo pró-forma.
... de ir à casa da minha namorada sempre que podia, sendo que eu tinha apenas 10 anos e a casa era longe... e eu ia a pé porque tinha vergonha de pedir carona em ônibus.
... de minha mãe deixar eu fazer todas essas loucuras sem questionar.
... de morar num lugar (e tempo) em que não havia razões (como medo) para se questionar.
... de ir à casa dos meus avós que ficava ainda mais distante que a casa da namorada e a escola, sem pedir carona porquê... ah, vocês já sabem.
... de jogar sinuca com meu avô, na sinuca que ele mesmo construiu (e era perfeita)
... de olhar o tanque que ele construiu para alguns peixes.
... de comer cebolinha na horta que ele tinha.
... de saber que foi ele quem me ensinou a andar de bicicleta.
... de saber que meu avô era foda.
... de ver minha avó ser tão zoadora quanto meu avô, meu pai meus tios e tias.
... de ver meu pai, morando perto dos meus avós, e não entender a imensidão do problema que era ele ter ido embora.
... de ver meu tio (Sálvio) fazendo histórias em quadrinhos do Ultraman.
... de sempre que ia lá, ficava doido para datilografar numa máquina de escrever que tinha por lá.
... de ver os aviões de papel aerodinacamente perfeitos que meu tio (Sálvio) fazia.
... de passear pela linha de trem... se equilibrando sobre os trilhos.
... de ir tão longe nelas, quanto pudesse, e depois voltar.
... de sermos os netos e sobrinhos mais queridos.
... de jogar sinuca com meu pai ou com meu irmão, ou com meus tios.
... de escutar o sotaque cearense de meus tios e tias.
... da casa em que todos moravam, até cada um ir casando, minha avó falecendo e todos se mudarem, cada um pro seu canto.
... de falar "vovô" e "vovó", pois não fomos acostumados a chamá-los de "vô" nem "vó".
... de tentar ler A Guerra dos Cem Anos, toda vez que ia lá, mas não conseguia, por quê era muito chato.
... dos dois caminhos que levavam até lá.
... de nem lembrar que existia televisão, pois tudo lá era muito mais divertido que ver TV.
... de ver a minha madrinha, que também era minha tia (ou vice-versa).
... de cumprir uma rotina toda vez qu ia lá: sinuca, tanque de peixes, cebolinha, máquina de escrever.
... de saber tanto e ao mesmo tempo... não saber nada.



segunda-feira, 12 de abril de 2004

A Minha Primeira Vez

A MINHA PRIMEIRA VEZ 



A Primeira Vez

O primeiro videocassete surgiu no Brasil em 1982, segundo pesquisas exaustivas no Google. Mas só virou febre mesmo em 1985. Até então eu não podia pegar essa febre, nem mesmo um resfriado leve. Videocassetes eram objetos que estavam no mesmo patamar de impossibilidade que era eu conseguir comer a Cláudia Raia.

Eu já até vira algumas locadoras, quando passeava por Copacabana. Eu nem entrava, pois não me considerava digno de tal "honra". No bairro onde eu morei a minha vida quase inteira só veio a ter locadora há 5 anos atrás, pra se ter uma idéia.

Daí que no ano de 1987, o impossível aconteceu: um amigo da turma chegou com um videocassete. Ele estava no exército, e conseguiu um com algum cara lá de dentro. Acho que comprou. Novo. Tudo bem um videocassete, não havia locadora no bairro (nem haveria durante os próximos 12 anos), mas o problema maior não era esse. Estávamos lá... com o VCR em mãos... NUM DIA DE DOMINGO!!!

Nem nos bairros próximos ainda havia locadora. Mesmo se houvesse o dia era DOMINGO!!! Como já exclamei antes. Mas um de nós três, um cara que era DJ (e é até hoje) cismou que devíamos procurar uma locadora no "centro" da Baixada Fluminense, Belford Roxo. Eu dizia, mas é domingo... mesmo que tenha estará fechada. Mas como eram apenas 20 minutos, não estávamos fazendo nada, não tinha nenhuma festa para aquele dia, e eu não me embebedaria mesmo... fomos.

Claro que tinha. Claro que estava fechada. Estávamos começando a entrar em desespero. Mas acho que ninguém chorou... nas primeiras 3 horas improdutivas. Não sabíamos o que fazer. Era como ganhar um carro e não ter gasolina, nem algum posto aberto (by DilmarX).

Sentamos na calçada em frente à casa do cara DJ, onde o videocassete estava a espera. Daqui pouco o dono do vídeo sumiu. Daí a algumas horas ele apareceu com um filme. Guardamos os vidros de veneno de rato e nos animamos. Nem mesmo perguntamos como ele conseguira. Talvez tenha usado alguma técnica do exército para matar alguém, sei lá.

Colocamos a fita, esperando algum filme que não tivesse passado na TV e que não fomos ver no cinema, ou mesmo que tivéssemos visto, mas que fosse interressante. Mas... não era.

Era um filme de guerra dos mais obscuros e péssimos que já eu nunca ouvira falar. Não lembro o nome. Mas não faço questão. Era horrível a sensação. Ao mesmo tempo que estava feliz de ver meu primeiro filme num videocassete, eu não conseguia acompanhar o filme de tão ruim que era. Era algo como esses filmes que o Dolph Lundgren faz direto pra vídeo, mas que conseguia ser pior. O que era uma façanha.

Mas foi legal. Até que eu tivesse o meu próprio VCR, vimos muitos filmes naquele, inclusive eu lembro de ter visto um filmaço nele que foi Colors - As Cores da Violência, com Sean Penn e Robert Duval.


domingo, 4 de abril de 2004

A Mão Que balança o Berço

A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO 






Sonhos no geral são estranhos, mas hoje acho que bati meu recorde de estranheza num sonho.

Eu estava num trem que de repente pára sem motivo. Eu reparo que no trem só estou eu sozinho. Pior eu não estou mais na minha... sei lá... dimensão. Ainda estou na Terra, a época parece a mesma mas, não me perguntem como, o tempo agora passa não só para a frente, mas também para trás... ao mesmo... tempo. Não vejo pessoas. O sonho tá ficando complicado e parece que meu cérebro não vai conseguir levá-lo adiante com um bom "roteiro"... qual a solução do meu lobo-frontal (ou seja lá onde se processam os sonhos)?

Ele corta o sonho e eu apareço vendo o meu sonho que parecia um filme de ficção-científica... numa TV. Ou seja, não era mais um sonho meu, mas um filme que eu estava assistindo, mas simplesmente desisto, desligo a TV, pois achei a história muito sem pé nem cabeça (não estou brincando). O meu cérebro tenta tanto me enganar que o que eu via antes era um filme e não um sonho mal-processado que ele DÁ UM ROSTO AO ATOR QUE ME INTERPRETAVA NO FILME! Assim eu vou me convencer de que estava tendo um sonho de que assistia a um filme desde o início e não que houve uma transição para um sonho novo.

Depois que desligo a TV o "novo" sonho toma o seu próprio rumo e eu esqueço do "filme". O sonho corrente é mais "normal". Mas ainda é estranho, pois sonho com uma garota que mora no bairro onde morei antes de me casar e nós nunca trocamos um bom dia. Claro que ela ser bonita deve ter contado para eu lembrar dela. Talvez o fato de eu ter ido ao meu bairro antigo ontem, tenha contado, mas mesmo assim eu não a vi por lá. No novo sonho o o novo "roteiro" era exatamanente o fato de que eu tentava puxar conversa com ela pela primeira vez...e conseguia (se consegui algo mais... nunca saberei pois acordei antes).

O mais engraçado é que eu lembro qual o ator que tomara o meu lugar, quando eu passei a "assistir" o sonho anterior, mas não lembro o nome dele, pois ele é daqueles do terceiro escalão que só fazem protagonistas se for em filmes para a TV. Não tô conseguindo nem lembrar algum filme que o cara fez para poder pegar o nome dele no Google.

Ah, lembrei, é o cara que fez A Mão Que Balança o Berço, Matt McCoy. Doidêra geral.


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